“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

23/12/2016

Auta de Souza: Quebrando os Laços

Fugir à mágoa terrena
E ao sonho, que faz sofrer,
Deixar o mundo sem pena
Será morrer?

Fugir neste anseio infindo
A treva do anoitecer,
Buscar a aurora sorrindo
Será morrer?

E ao grito que a dor arranca
E o coração faz tremer,
Voar uma pomba branca
Será morrer?

Lá vai a pomba voando
Livre, através dos espaços...
Sacode as asas cantando:
"Quebrei meus laços!"

Aqui, n'amplidão liberta,
Quem pode deter-me os passos?
Deixei a prisão deserta ,
"Quebrei meus laços!"

Jesus, este vôo infindo
Há de amparar-me nos braços
Enquanto direi sorrindo:
"Quebrei meus laços!"

Poema "Fio Partido" de Auta de Souza

Auta de Souza (Macaíba, 12 de setembro de 1876 — Natal, 7 de fevereiro de 1901) foi uma poetisa brasileira da segunda geração romântica (ultrarromântica, byroniana ou Mal do Século), autora de Horto. Escrevia poemas românticos com alguma influência simbolista, e de alto valor estético. Segundo Luís da Câmara Cascudo, é "a maior poetisa mística do Brasil".

***

Hoje morreu porque quis, 
Kelly. 
Uma Menina flor que queria viver, 
mas a vida a violentou 
de uma tal forma que 
a única chance foi sair dela 
sem se despedir...
Vida, você podia ser 
mais condescendente com seus iguais...

Ada

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