“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

26/09/2009

Sonhos! Mostrem a cara!

Arte de Zaya
Sonhos. Depois que esboçam um formato qualquer, se esvaem numa outra dimensão e ficam lá, pairando no invisível, no indizível, inopináveis. Eles fingem que morrem e quando menos se espera pegam carona numa música que toca no rádio, na hora do almoço num trânsito febril. Ficam cutucando, puxando o cabelo feito moleque, rondando à espreita de serem revelados, ou capturados e murmuram aos nossos ouvidos coisas que podem confundir. Dão sinais nas nuvens brancas e redondas, nas que caem em chuvas e na chuva, que de novo se evapora para cair novamente n´outra estação. Podem tremelicar diante dos olhos, feito os vapores do deserto, mas nos enganam, são meras miragens. Florescem com os ipês, todo ano, repetindo o ritual da semente à flor. Ficam lá, eu sei, papeando com outros sonhos, com os sonhos dos outros. Devem ser tantos! Se soubessem da força que têm, fariam revolução. Se instalam quando dormimos, mesmo cansados, ou exaustos. Testam nossa fidelidade e nossa memória, mudam de cara, de cor e de lugar. Transformam-se, encolhem-se, mas ficam lá, não morrem nem mesmo quando incríveis, nem mesmo quando tristes. Ouvimos seu risinho, vemos seus dentes. Sonhos, venham! Venham aos montes, feito enxames de abelhas e tragam mel, feito ondas salgadas e tragam estrelas... Sonhos! Mostrem a cara, me façam feliz! (Ada, 26/09/09)

2 comentários:

Anônimo disse...

Ada, belo blog o seu. Tem poesia de boa qualidade. E tem alma. Gostei do texto sobre os sonhos e os sonhares seus. "Sonhos que podemos ter/sonhos que podemos ser". E sobre o tempo que perdemos ou ganhamos, papeando com os sonhos dos outros. Problema passa a existir quando confundimos (ou aceitamos) os sonhos dos outros como nossos.
Brasigois Felicio

Eliana Ada Gasparini disse...

Por onde andas amigo poeta?