“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

29/09/16

Encenação

A vida é um palco onde cada um encena seus atos, contudo, o respeito deve prevalecer para muito além da encenação... Ada


04/08/16

Milhares de minutos



Na Vila de São Vicente, onde aportaram os portugueses em 1502, a pequena e singela igreja Matriz, caiada de branco mostra em no seu pórtico a grafia 1757, mas seu esqueleto está alí erigido desde 1554 sobre sua própria ruina. Suas paredes, mesmo as que caíram, acumulam hálitos de milhares de suplicantes de graças e bênçãos e outros em menor quantidade de agradecimentos por alegrias alcançadas. O assoalho, mesmo os que nem existiam antes deste, tem as marcas de outros milhares de joelhos e pés, sulcado e envergado de tantas promessas. A saga de Jesus em pinturas emolduradas e penduradas na parede traz em ordem cronológica as marcas ocultas de milhares de olhares que alí se fixaram em sentimentos de compaixão e fé. Nesses 460 anos de missas, carmas, mantras, rezas, sermões, o odor doce de pinho rosa do madeirame e o acre do mofo levitam na penumbra que esconde santos milagreiros sob comando de São Vicente Martir o padroeiro, e piscantes velas elétricas – que a modernidade trouxe. No chão da nave se pisa em quatro lápides de ilustres cristãos ali enterrados nos tempos de descobertas do Brasil, e entre elas pode-se ler talhado num mármore, “aqui jaz um imnocente que nasceo em março de 1767 e falaceo em janeiro de 1768” – um bebê com 10 meses se sobrenome Vianna. Em apenas trinta minutos deste agosto de 2016, meu olhar, meu hálito, meus pés se juntaram a milhares de outrens que alí estiveram nesses exatos 462 anos... Acho emocionante! Deveria ser historiadora, ou quem sabe arqueóloga,

leituras:
https://pt.wikipedia.org/wiki/São_Vicente_(São_Paulo)
https://paulovictor.wordpress.com/2007/01/08/historia-de-sao-vicente/
http://www.youblisher.com/p/1486992-Jornal-Vicentino-2656/
http://www.citybrazil.com.br/sp/saovicente/atracoes-turisticas/atrativos-culturais/2
http://diariodemotocicleta.com.br/blog_da_expedicao_diario_de_motocicleta.asp?PK_BLOG=468&QL_MENU=Litoral

Carlos Drummond de Andrade - Elegia 1938

Carlos Drummond de Andrade  - Elegia 1938

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guardas chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.


( Carlos Drummond de Andrade )

25/04/16

Kit Porta Copos em crochê



Porta Copos -- Kit com 10 bolachinhas em crochê feita com a linha Barroco Mescla. A Caixinha para guardar os crochezinhos, foi feita em cartonagem e revestida todinha com chita. Uma rosa - que pode ser retirada para lavar -- fica coladinha no velcro decotrando a caixa -- Um luxo! Cara de Frida Kahlo -- #coisasdeada