“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

17/01/2017

Grafitti brasileiro na Escocia


THE GRAFFITI PROJECT, COLABORAÇÃO OSGEMEOS, NUNCA E NINA PANDOLFO

Escócia, 2007


Em 2007, por pedido de seus filhos David e Alice, o Lord Glasgow Patric Boyle convidou três artistas brasileiros – OSGEMEOS, Nunca e Nina Pandolfo – para pintar a fachada e teto de seu castelo Kelburn, de 800 anos, localizado em Fairlie, na Escócia. Inicialmente, este projeto deveria ser temporário até que o castelo fosse reformado. Porém, o Lord conseguiu a permanência da obra junto à Historic Scotland, uma vez que se tornou um ponto turístico na área, assim como uma das principais referências da carreira de OSGEMEOS.

http://www.osgemeos.com.br/pt/projetos/the-graffiti-project/#!/2790

Cidade Cinza

O Prefeito eleito (por apenas 37% da população paulistana) para governar Sampa (Doria teve 3.085.187 votos e perdeu pra nulos e brancos (3.096.304 = 38%) já começa 2017 aplicando seu conceito de beleza muito questionável. Porquê Sampa tem que ser cinza? O colorido da arte dos grafiteiros, dá alegria a essa cidade caótica e agressiva. Ele está apagando a arte das ruas, a memória dos artistas, rumo à contra mão do movimento...

#ForaCinza #ForaDoria.

24/12/2016

Derramando flores

"As flores simbolizam a expressão anímica (diz-se do que é relativo ou pertencente à alma) da natureza humana, mas há quem chegue mais longe e afirme que a flor nos conduz à sensibilização da alma, à sabedoria universal. Aquele que perde a sensibilidade de se maravilhar com a beleza de uma flor, deixa morrer sua alma." (fonte http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=35061)


























23/12/2016

Auta de Souza: Se tenho que partir
























Se tenho que partir, que seja
enquanto minha alma
responde à bondade e à beleza,
desperta da letargia,
e, em ânsias de viver,
mergulha direto na magia.


Que eu parta, então,
quando a visão da rosa
é êxtase,
perfume e cor,
repouso da mente,
fonte de calor.

Pois que eu vá
enquanto sofro ainda
com a dor dos que sofrem
e rio com o riso das crianças,
o prazer das mães
na atualização de esperanças.

Se tenho mesmo que ir,
que seja agora
quando a árvore me fala
de sombra e amizade,
das cores do outono,
de paz e felicidade.

Se tenho que dormir,
que durma deslumbrada
com o nascer e o pôr-do-sol,
derramando no mar
um esplendor de prata e ouro
vai-e-vem das ondas a brilhar.

Possa eu repousar
sob um manto de estrelas e luar,
ouvindo a voz do vento,
os murmúrios da floresta,
a melodia dos riachos e cascatas,
mergulhada em plena festa.

Que durma feliz,
ambos realizados
nos braços do meu amor,
nos laços de seu carinho
que se revela suave,
macio como arminho.

Se tenho que partir,
seja, então, de regresso
à casa de meu Pai,
deixando o sonho pela realidade,
uma realidade de sonho,
o mundo perfeito da verdade.

Auta de Souza (Macaíba, 12 de setembro de 1876 — Natal, 7 de fevereiro de 1901) foi uma poetisa brasileira da segunda geração romântica (ultrarromântica, byroniana ou Mal do Século), autora de Horto. Escrevia poemas românticos com alguma influência simbolista, e de alto valor estético. Segundo Luís da Câmara Cascudo, é "a maior poetisa mística do Brasil".

Auta de Souza: Quebrando os Laços

Fugir à mágoa terrena
E ao sonho, que faz sofrer,
Deixar o mundo sem pena
Será morrer?

Fugir neste anseio infindo
A treva do anoitecer,
Buscar a aurora sorrindo
Será morrer?

E ao grito que a dor arranca
E o coração faz tremer,
Voar uma pomba branca
Será morrer?

Lá vai a pomba voando
Livre, através dos espaços...
Sacode as asas cantando:
"Quebrei meus laços!"

Aqui, n'amplidão liberta,
Quem pode deter-me os passos?
Deixei a prisão deserta ,
"Quebrei meus laços!"

Jesus, este vôo infindo
Há de amparar-me nos braços
Enquanto direi sorrindo:
"Quebrei meus laços!"

Poema "Fio Partido" de Auta de Souza

Auta de Souza (Macaíba, 12 de setembro de 1876 — Natal, 7 de fevereiro de 1901) foi uma poetisa brasileira da segunda geração romântica (ultrarromântica, byroniana ou Mal do Século), autora de Horto. Escrevia poemas românticos com alguma influência simbolista, e de alto valor estético. Segundo Luís da Câmara Cascudo, é "a maior poetisa mística do Brasil".

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Hoje morreu porque quis, 
Kelly. 
Uma Menina flor que queria viver, 
mas a vida a violentou 
de uma tal forma que 
a única chance foi sair dela 
sem se despedir...
Vida, você podia ser 
mais condescendente com seus iguais...

Ada