18 de dezembro de 2009

(parêntesis)

Fim do dia. Faltam apenas duas horas para se acabar e o metro carrega duas dúzias de pessoas. Na Liberdade, entra uma japonesa idosa, feliz em levar um maço intrigantemente verde de cebolinhas frescas e eretas. Senti o sabor do missoshiro que ela fará daqui a pouco, o caldinho que leva cebolinhas picadas, coisa de orientais.


Senta-se no banco azul, destinado a ela, e indignada pede ao moleque para tirar os pés do assento. Essa nova mania da molecada rende bancos sujos e descascados, assim como repreensões do condutor do trem que pelo alto falante insiste em propagandear civilidade nos intervalos entre uma e outra estação.


O moleque desata a rir quando o homem que o acompanha balbucia qualquer palavra vã. E deliberadamente recoloca os pés, que antes havia tirado num susto, provocando a ira da senhora. Ela pede mais energicamente e decidida, por favor, tire os pés do banco! O moleque os tira, novamente, rindo em desrespeito acintoso enquanto o homem deixa bem claro, a senhora é mal resolvida.


Qual o que, o senhor deve ser muito bem resolvido, a despeito de sua aparência e desacato! O senhor é um Rei muito bem resolvido e mais outras destempéries que não consigo ouvir entre os trancos dos trilhos febris. Um desatino.


Trégua.


Ela desce cinco minutos depois, na Conceição, com seu maço de cebolinhas prestes a murchar de tanta má educação e atrevimento. Enquanto o moleque, rindo feito iena - que me perdoe a iena deve ter razões naturais - e solene sobre seus 15 anos, sob um boné, volta deliberadamente a colocar os pés no banco como se a senhora fosse de outro mundo. Decerto que sim!

Fico eu, acrescentando a minha indignação à dela. Foi um parêntesis - mais um - nesta grande saga.

15 de dezembro de 2009

Na Baia de São Vicente

Na mordaça do sono que se esgota com a manhã, em vigília, em torpor, percorro num vôo lúcido a superfície daquele mar preto. Seu brilho metálico esconde pensamentos de outrora. Não só os meus. Quais seriam não importa, há um cansaço nas horas. O peixe que reluta oxigênio e lodo não difere de mim aqui, estatelada nesta cama. Posso ver, como se o visse da janela que dá para a baia de São Vicente. Acontece todos os anos. Mergulho ao seu encalço para provar que a vida segue. Os pensamentos se repetem diferentes em tudo tão igual. Estamos lá [o peixe e eu] sugando as horas infindas que nos restam, enquanto o Mundo seguirá à nossa revelia. Na Baia de São Vicente.




(fotos da Baia de São Vicente)

10 de dezembro de 2009

De mãe para filho

Mano, olhando para o dedão do meu pé direito, assim torto, me lembrei do chute que te dei e que acertou em cheio a parede. Doeu tanto, que entrei em desespero e você aproveitou a baixa e fugiu do meu bofetão que zanzava diante de seu rosto, sem nunca te alcançar. De vez em quando a gente brigava e nem lembro dos motivos. Coisas da convivência entre irmãos, ainda mais de gêneros e gênios diferentes.


Mano, agora você olha bem para seu pé esquerdo e confere se há uma cicatriz, mesmo que remota, sobre o peito do pé. Esta cicatriz era um corte feito pela travessa pirex da macorronada de domingo. Neste domingo, pelo menos, consegui fazer com que você enxugasse a louça do almoço, tarefa que era exclusivamente minha, por ser mulher. Você me decepcionou deixando-a cair, e ainda mais sobre seu pé, abrindo-o em dois e entregando-me à mãe com seus berros de dor.


Acho que é desta época que nasceu em mim o desejo de igualdade entre os gêneros. Nunca me conformei em ter de fazer as tarefas domésticas, enquanto você ia para a rua brincar. "Homem não tem que lavar louça! Você é a culpada dele ter se machucado" e saiu atarantada a te socorrer.


Não me convenci com esta máxima da mãe que antes foi da vó, e antes um pouco mais da bisa, mas não me lembro de ter te obrigado a me ajudar nas tarefas domésticas dali para a frente. Afinal, nascer homem é um privilégio. E hoje, quando a mãe reclama que você não ajuda em nada, eu posso retribuir com aquele passado, "homem não tem que lavar louça!".

Hoje é dia dos direitos humanos, há o que comemorar?

1948 - Dia dos direitos humanos  - A ONU proclama a Declaração Universal dos Direitos do Homem, inclusive o direito à rebelião contra a tirania. Mas também é Dia Internacional dos Direitos Animais. E não há contradição nisso.

"Todos os animais têm o direito à vida e à liberdade, livres da exploração humana. Ao tomarmos suas vidas para servirem aos interesses da nossa espécie, confinando-os e privando-os de todas as suas necessidades, desde as mais básicas, estamos destruindo não somente as suas vidas, mas também a nossa própria possibilidade de sobrevivência nesse planeta".

Leia aqui sobre manifestação em São Paulo, às vésperas do Encontro de Copenhague. Eles divulgam o relatório "A Grande Sombra da Pecuária", feito pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO/ONU), que relata que o gado é responsável por cerca de 18% do aquecimento global, uma contribuição maior que a do setor de transportes, de cerca de 15%.  Mais um motivo para deixarmos de consumir carne.

Porém, a grande responsabilidade sobre a emissão dos gazes destruidores da Terra, os hábitos humanos ou o modo de produção que visa lucrar acima de tudo, deve ser creditada ao capitalismo, gerador desta destruição. Ou acabamos com o capitalismo, ou o capitalismo acabará com a humanidade.

Prova disto, foi o vergonhoso acordo entre os dois ricaços lá em Copenhague: EUA e Dinamarca (a mesma que permite que as Ilhas Faroe em seu território cometam aquela barbaridade aqui denunciada contra os golfinhos) onde eles podem continuar poluindo o mundo e apesar dos discursos (para ingles ver) nada dispostos a salvar o planeta. Apenas para confirmar que só com acordos será muito dificil progredir.

(matança de golfinhos na Dinamarca leia aqui e aqui e debate sobre o aquecimento global aqui)

4 de dezembro de 2009

Aprenda a fazer mímica

27 de novembro de 2009

Que saco!

Que saco! Não me lembro das palavras que pensei escrever, enquanto descia as escadas rolantes no metro República! Vinha chateada, olhando firme para meus botões e estava determinada a avaliar meus sentimentos nestes dias de cão, intermitentemente me mordendo as ideias...

Eram palavras que diziam que as pessoas sempre nos decepcionam e, diziam também que não entendo o porque ainda fico admirada com isto. Já era para estar escaldada nas relações inter-humanas.

Sei que os cães também se afinam, ou não, nas relações intercães. E logo de cara, eles já mostram os dentes e grunhem para aquele que não será seu amigo. E pronto! Eu queria ser um cão, daqueles traiçoeiros, que não mandam recados e agarram a jugular até esguichar sangue.

Mas, que saco! Esqueci as palavras que pensei escrever...

22 de novembro de 2009

Carta de Rosa Luxemburg à Sonia Liebknecht escrita da prisão

"Como é estranho eu viver sempre numa alegre embriaguês, sem razão particular. Assim, por exemplo, aqui estou deitada, nesta cela escura, num colchão duro como pedra, enquanto à minha volta, no edifício, reina a habitual paz de cemitério; acreditar-se-ia estar no túmulo; através da janela desenha-se no teto o reflexo do bico de gás ardendo a noite inteira diante, da prisão. De tempos em tempos ouve-se o barulho surdo de um trem que passa ao longe ou então, bem perto, sob as minhas janelas, o pigarro da sentinela que, com suas botas pesadas, dá alguns passos lentos para desentorpecer as pernas. A areia estala tão sem esperança sob esses passos, que todo o vazio e a falta de perspectivas da existência ressoam na noite úmida e sombria. E aqui estou eu deitada, quieta, sozinha, enrolada nos véus negros das trevas, do tédio, da falta de liberdade, do inverno - e, apesar disso, meu coração bate com uma alegria interior desconhecida, incompreensível, como se, sob um sol radiante, estivesse atravessando um prado em flor. No escuro, sorrio à vida, como se eu conhecesse algum segredo mágico que pune todo o mal e as tristes mentiras, transformando-os em luz intensa e em felicidade. E, ao mesmo tempo, procuro uma razão para esta alegria, não encontro nada, e tenho que sorrir novamente - de mim mesma. Acredito que o segredo não é outro senão a própria vida; a profunda escuridão noturna é bela e suave como veludo, basta somente saber olhar. No estalar da areia úmida sob os passos lentos, pesados da sentinela canta também uma bela, uma pequena canção da vida - basta apenas saber ouvir." (Rosa, dezembro de 1919)
 * Rosa Luxemburg, em polaco Róża Luksemburg - nasceu em Zamość, 5 de março de 1871 e morreu em Berlim, 15 de janeiro de 1919, com 48 anos, assassinada pelo exército alemão. Foi uma filósofa marxista e militante revolucionária polaca-alemã que ajudou a fundar o Partido Comunista da Alemanha (KPD). Dentre as barbaridades cometidas pelo homem, está o assassinato de Rosa Luxemburg: ler aqui

20 de novembro de 2009

O canto da cigarra

Um canto de amor e outro de guerra

Nesta manhã calorenta, uma cigarra canta ao longe. Duas, três, chamando as fêmeas para o acasalamento. Concorre com elas o serralheiro da rua de baixo. São gritos estridentes, semelhantes. Elas afinam o gogó pois a competição é acirrada. Um corta o ferro daqui e a outra trepida a garganta de lá, caprichando na resposta. Há uma guerra declarada. A cigarra canta livre o amor e o homem responde com ferro e fogo, aprisionando-se nas suas propriedades.

19 de novembro de 2009

Haicai para a Lua caquinho

Caquinho de Lua
Sorri pra mim lá do céu
retribuo daqui


 
 
A métrica ideal do haicai é a seguinte:

5 sílabas no primeiro verso, 7 no segundo e 5 no terceiro. Soletre e conte nas sílabas tônicas. Não precisa ser rígido. Só não ultrapasse muito as 17 sílabas, nem para mais, nem para menos.

Existe quem contemple a Lua e faça Haicais para ela:
http://www.kakinet.com/lua/

18 de novembro de 2009

Muvuca do centro de Sampa

A melhor descrição sobre a muvuca que é o centrão de Sampa, li hoje no livro de Jeosafá Fernandes Gonçalves, em "Era uma vez no meu bairro". "Homens sanduiches, batedores de carteira, bancários, trombadinhas, trombadões, office-boys de montão, michês, triciclos, churrasco grego, José Lewgoy na porta do Orhon Palace, vendedores de carnês do Baú, cabeludos andando e fumando maconha na cara dura, bolivianos tocando flautas de bambu, homem da cobra vendendo óleo do peixe elétrico, velhos com plaquinhas de compra-se e vende-se ouro e prata, vagabundos largados dormindo por todo o canto, bebuns para todo lado antes da hora do almoço, camelôs às pencas vendendo relógio de pulso da Casio do Paraguai com joguinho eletrônico, fedor de mijo atrás das bancas de jornais, amputados, aleijados e chaguentos esmolando a torto e a direito, pregadores evangélicos garantindo a cura do câncar, do espírito criminoso e do homossexualismo."

Eu acrescentaria, de próprio punho, que é um canteiro de obras sem fim, cheio de tapumes pixados com hieróglifos das gangues, lixo por todas as esquinas e calçadas, fuçados e refuçados por catadores que empatam a passagem, com seus carrinhos, a muvuca de gente num indo e vindo sem fim, palhaços gritando na porta da loja chamando para as ofertas, estátuas humanas em cada esquina, numa performance grega ou romana, ganhando seus trocados, e ainda há mais mistérios entre o céu e Sampa do que sonha nossa vã filosofia.

Rua Direita, 1954 São Paulo
gelatina / prata tonalizada
23,5 x 23,5 cm (40,0 x 29,5 cm)
Foto de © Alice Brill.

Rua Direita, 2005 São Paulo
480 x 640 - 104k
Fonte: sempla.prefeitura.sp.gov.br

15 de novembro de 2009

Gatos enxergam no escuro?




14 de novembro de 2009

Viva e deixe morrer

"Em plena lua de mel, Paul McCartney arrumou um tempinho para defender os direitos dos animais. Ele mandou uma carta para os donos das 100 maiores lanchonetes McDonald's do mundo, pedindo que a rede de fast food obedeça aos padrões da PETA (People For The Ethical Treatment Of Animals), a maior organização de proteção aos animais dos Estados Unidos. Segundo um comunicado da associação, o McDonald's já melhorou bastante a maneira como trata o gado, os porcos e os frangos nos Estados Unidos e na Inglaterra, mas precisa estender essas medidas para as lanchonetes dos outros países." (Sex 28 Jun 2002)

Por cargas dágua fui parar nesta notícia. Ela foi publicada há 7 anos atrás e não lembro o que pensava sobre o assunto. Não tinha interesse como hoje. A pergunta que faço: Paul defendeu algum animal com esta carta? Afinal os humanos utilizam-se dos animais de todas as maneiras. Consomem a carne (muita carne, até de formigas), fazem experimentos em laboratórios, dissecam-no nas universidades, fazem bolsas, sapatos e casacos com seu couro, extraem óleo, dentes, comem até as víceras, bebem seu sangue e comem seu cérebro. Extinção. Utilidade total. E a defesa do Paul é para que matem os animais, mas sem usar de crueldade.

Debate mais que polêmico esse, o da defesa animal. "Bem Estar Animal", ou "Tratamento Etico" e há os mais radicais "Contra o holocausto animal". Devem existir outras correntes de opinião que nem conheço ainda. Política é isso. Pessoalmente me indago: "como assim matar sem crueldade?" Matar é matar! Não consigo mais comer carne por ter adquirido esta consciência. Mas sabemos que é muito difícil acabar com o consumo de animais no mundo. Mas não é impossível! Assim como é difícil mudar o sistema dominante que tem culpa no cartório. Tem gente que não acredita na mudança, eu acredito! E tem muita gente lutando muito para mudar tudo isso. Se a tendência é avançar, progredir, tudo o que for feito para melhorar, deve ser bem aceito, até como forma de educar e conscientizar. Seria melhor não matarmos, mas já que matamos, melhor que seja sem crueldade e com menos sofrimento... Então, são lutas diversas que se somam!

Compreendo que este debate não está descolado da luta pelo fim do capitalismo, pelo fim da exploração do homem pelo homem, na busca desenfreada pelo lucro, por uma sociedade plena de igualdades, pela paz, contra a destruição, incluindo a defesa do planeta e da vida. Seja qual for o ângulo que se olhe, é importante continuar lutando por este mundo livre, na mais completa acepção da palavra liberdade. Inclusive para os animais de todas as espécies. Sob pena deste sistema que está aí, que não dará soluções para os problemas criados por ele mesmo, matar todo o nosso planeta. Unamo-nos!

Música para esta postagem:

(clique e ouça):
Live And Let Die
(Paul McCartney)
Viva E Deixa Morrer

When you were young
Quando você era jovem
And your heart was an open book
E seu coração era um livro aberto
You used to say live and let live
Você costumava dizer

"Viva e deixe viver"
You know you did
Você sabe que dizia
You know you did
But if this ever changing world
Mas, se este mundo sempre em mutação
In which we live in
No qual vivemos,
Makes you give in and cry
Faz você se render e chorar,
Say live and let die, live and let die
Diga "Viva e deixa morrer"
What does it matter to ya
O que importa para você?
When ya got a job to do
Quando você tem uma tarefa a cumprir
Ya got to do it well
Você tem que fazer direito
You got to give the other fella hell
Você tem que mandar os outros pro inferno.
You used to say live and let live
Você costumava dizer "Viva e deixe viver"
You know you did
Você sabe que dizia isso,
Say live and let die, live and let die
Diga "Viva e deixa morrer"

(Composta - concidentemente - por Paul e sua esposa Linda para o oitavo filme de James Bond, Live and Let Die em 1973). Mas isso daria uma outra história!

Leia postagem relacionada:
http://coisasdeada.blogspot.com/2009/11/nao-consigo-comer-carne-faz-4-anos.html

Entendi

Nada tem me irritado mais do que o meme da moda, um vício: entendi. Tudo que se fala, vem com uma anuência do outro: entendi... soando evasivo. Vai saber de onde vem essa mania? Ana Maria Braga, usa direto! Meu irmão, até teclando no messenger, digita entendi. Meus colegas, o povo falando no orelhão, no metro, na rua, todo mundo repetindo - até eu - a palavra entendi. Nunca vi tanta gente, tão esclarecida! Que chato!

13 de novembro de 2009

Acabei de ler e não gostei


(Estávamos lendo, eu e Caillou)

Não sei se por defeitos na tradução, se a cultura romena, se o frio que faz por lá, mas não gostei do romance "O compromisso" de Herta Muller, a nobel de literatura deste ano (ver postagem relacionada). Esperava grandes denúncias contra o regime comunista da época, visto que ela foi deportada e proibida de escrever e ganhou o prêmio nobel de literatura por ser considerada, digamos assim, uma denuncista poética. Nem uma, nem outra. Pelo menos neste livro, único traduzido para o portugues, consegui terminar de le-lo porque, como o próprio nome do livro diz, eu tinha o compromisso de checar o que os críticos da literatura e o próprio nobel anunciaram. Ela escreve sem fôlego. Não usa interrogação, poucas vírgulas, frases curtas. Não tem "pegada". Cansativo e disperso. Talvez, para os romenos faça algum sentido, o que para uma obra literária não pode ocorrer jamais. Para mim, enfado.

12 de novembro de 2009

Não consigo comer carne há 4 anos: demorei!



"Representantes da cadeia produtiva da carne se reúnem no Workshop Bem-estar dos Bovinos durante o Transporte. Normas internacionais de boas práticas no transporte animal são utilizadas para reduzir o estresse e evitar lesões, que possam danificar a carcaça e o couro, prejudicando o valor comercial. O transporte inadequado pode causar morte, provocar hematomas, traumatismos e quebras de peso que comprometem o rendimento e a qualidade da carne e do couro. Além disso, o estresse dos animais durante o manejo pré-abate e o transporte, quando mal conduzidos, diminuem a vida útil da carne para consumo." (Jornal Agronotícias do Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 12/11/09).

Leia de novo. Atentamente. Pelo menos o trecho que diz: "o transporte inadequado pode causar morte, provocar hematomas, traumatismos e quebra de peso".

Leia novamente. "O estresse dos animais diminuem a vida útil da carne".

Eu leio novamente e penso: afinal o boi está sendo transportado para a morte mesmo, que diferença faz? O bem estar do boi não é uma preocupação com a dor que ele sente com os hematomas, e sim com os próprios hematomas. Ou com a fome que ele passa neste transporte, e sim com a perda de peso. Não com a sua morte de tanto sofrer crueldades, mas por morrer antes de chegar ao matadouro. Não com sua sede por dias e dias no aperto do caminhão até ser abatido! Muito menos com o estresse que ele passa, mas porque este apenas estraga a carne! Se assim não fosse, ele não seria abatido!

Acaba-se aí, enfim, no abatedouro, o seu sofrimento. E você vai come-lo, assim sofrido. Ou então, com este "curso intensivo" de "bem estar", vai come-lo menos sofrido, sem hematomas e estresse...

Afinal, é apenas um boi.

(sugestão de leitura: abate-humanitario)

11 de novembro de 2009

Palavras doces

Escrevo palavras doces, dizem.
Não deveria.
Uma fruta ácida apodrece na fruteira.

9 de novembro de 2009

Correspondência para Jaboatão

Te vejo partir novamente.
Desta vez, por entre as pessoas
que cantam e dançam
no salão de festa.


Da primeira,
meu coração chorava de saudade.
Da segunda,
limpei o sal que restou no canto do olho.

4 de novembro de 2009

Comer içá: o inusitado é uma iguaria

Tudo fora de mim está morno. As paredes, o chão, o ar. Sinto no pelo dos braços. Respira-se o morno, e é morno o azul do céu e todos os cheiros. Essa mornidade deliciosa também está por dentro. Chega a ser felicidade estar morno assim. É calmo, é quieto. Há silêncio e sonolência. Há um cheiro de mel no ar. É primavera. Só ali, naquelas cidades do Vale do Paraíba [em Taubaté nos idos de 1980] consegui sentir tal mornitude silenciosa. Será o Rio Paraíba, ou será a brisa marítima que atravessa, percorre e inunda as entranhas de tudo?
Diante dessa quietude que vai até as fronteiras das serras do Mar e da Mantiqueira, avisto o pasto verde a se estender para o alto arredondado da montanha. Depois da chuva de setembro, que também cai morna e evapora ao mesmo tempo, tudo adquire um brilho de tal transparência que mostra a alma das coisas, o seu avêsso. Nesses dias as içás saem dos seus túneis subterrâneos para o vôo nupcial e numa dança inocente alcançam o céu. Nesse momento é que o bicho homem, feito um tamanduá, disputa com os pássaros o que será, logo mais, transformado numa iguaria. Foi aí que conheci este costume de toda a gente do Vale do Paraíba.
Monteiro Lobato [que nasceu em Taubaté] foi um grande apreciador da iguaria e a ela se refere em vários textos de sua obra sempre plena de indicações de caráter folclórico. Lobato, certa vez, disse que a içá é o caviar da gente taubateana.
Tinha que descobrir. Restava-me enfrentar tal desafio para, ou ingressar nas fileiras dos apreciadores, ou bater em retirada definitivamente. Enfrentei arrepios em pensamentos, revi conceitos de comestíveis mas tinha de aguçar meu eu curioso e aceitar um convite para a confraria de tão exótica degustação.
No grande dia o cheiro de mel que as içás durante a fritura exalam, me enjoava por saber ser da fêmea de saúvas aladas. As cadeiras dispostas em círculo na sala de visitas, a falação alegre das pessoas, o cheiro amanteigado, sabia que seria mal educado recusar a rodada de içás, nobremente servida, enfarinhadas nas bandejas.
Confesso que arranjei uma coragem emprestada e com quase dor na ponta dos dedos, dispostos em pinça e em câmera lenta, como num close que a câmera dá na cena principal de um filme, icei o iça, que se tornou pesado e imóvel por instantes eternos diante dos olhos [semicerrados] em pequena fresta [só para não errar a boca], ai! eu salivava o desconhecido. Rufaram os tambores e por entre os dentes em sorriso amarelo, descobri o inusitado: içá tem gosto de camarão! Delicia!
Fui devidamente batizada na tradição do povo taubateano e hoje sou toda prosa pela minha valentia e pela aquisição de conhecimento inusitado!

Disse Sérgio Buarque de Holanda em "Caminhos e Fronteiras"


("... A içá torrada venceu todas as resistências, urbanizando-se mesmo, quase tão completamente como a mandioca, o feijão, o milho e a pimenta da terra. Pretendeu-se que os jesuítas, no intuito de livrarem as lavouras da praga das saúvas, tivessem contribuido para disseminar entre os paulistas o gosto por essa iguaria. Nada há de inacreditável em tal suposição,uma vez que já os primeiros escritos de missionários inacianos em terra brasileira, mencionam a içá como prato saboroso e saudável. Nos meses de setembro e outubro, em que saem aos bandos essas formigas aladas, buscava-as com sofreguidão, nos seus quintais, a gente de São Paulo, e ainda em pleno século 19, com grande escândalo, para os estudantes forasteiros eram apregoadas elas no centro da cidade pelas pretas de quitanda, ao lado das comidas tradicionais: biscoito de polvilho, pés-de-moleque, furrundum de cidra, cuscuz de baqre ou camarão, pinhão quente, batata assada ao forno, cará cozido..."). 

Receitinha de Farofa de Içá Torrado


Modo de Fazer:

Limpam-se as içás das perninhas e cabeças. Em seguida, põe-se de molho em água e sal por cerca de 1/2 hora. Escorre-se bem e leva-se ao fogo, em frigideira com gordura mexendo-se sempre para não queimar. Quando estiverem bem torradas, acrescenta-se farinha de mandioca, mexendo-se sempre, resultando a farofa, já pronta para ser comida acompanhada de café. Se quiser, coloca-se em pequeno pilão, juntando-se farinha a gosto, daí resultando uma paçoca de içás.


Aproveitando bem de uma tempestade

Houvesse tempestade de verão estava lá, com as fuças coladas à vidraça para acompanhar a enxurrada. Ainda hoje é assim. Uma ansiedade no ver, ouvir e sentir. Quando o cheiro de terra evapora invadindo as narinas [mesmo quando não há terra sente-se o cheiro dela] tudo no mundo se agita e se prepara para a fuga. Esse primeiro cheiro passa rápido, apenas prenúncio das águas. Quando os pingos começam espaçados, o povo na rua passa correndo buscando no vão entre eles, chegar menos molhado. Não sei porque se deduz que correndo da chuva ela nos molhará menos. A raridade dos pingos é breve. Isso se a tempestade for daquelas que honram o nome, eles se intensificam em tal monta e tão rapidamente que o cheiro, sons e cores mudam. Eles deixam de ser pingos e, em grande quantidade, mudam de qualidade [dialética da natureza]. Viram outra coisa, se tingem de cinza pois refletem o asfalto e o negrume do céu. Viram obra de arte. Simetricamente lançados feito flechas, respingam círculos milimétricos perfeitamente calculados para depois escorrer em geometria no preto prata da rua molhada. Os raios iluminam medos de que o céu caia junto com o aguaceiro. São flashes de uma máquina fotográfica registrando a cara assustada. É líquido e certo correr a dobrar barquinhos. A folha de papel arrancada às pressas do caderno de escola, sempre aberto naqueles momentos, é lançado rio abaixo que tem como leito a sarjeta. Torcida para que ele resista e, quem sabe, chegue ao fim da rua são e salvo levando sua tripulação apavorada [inclusive eu a comandante do navio]. Lá vai uma bronca da mãe para não ficar resfriada. Nunca se fica resfriado numa chuva de verão!
O vapor da boca prepara imediatamente a vidraça para que um nome seja escrito: nas primeiras experiências escreve-se o próprio nome. Mais tarde, escreve-se um beijo [estudo do formato da boca] e nas próximas tempestades desenha-se corações, em breve serão outros nomes, suspiros e outros sonhos. Uma verdadeira literatura de janela surge com o passar dos tempos. É só baforar novamente que as palavras se revelam.
E quando o ar exalar seu ápice de frescor é que tudo se ameniza. O ciclo se completa para começar de novo no próximo verão e se repetir infinitamente, nas vidraças, na escrita e na vida. Há que se aproveitar bem de uma tempestade...

"Embora lave o medo
que há do fim
a chuva apaga o fogo
que há em mim
Ouço a voz de quem
me quer tão bem
E fico a ver se a chuva
a ouvirá também..."
(Ornatos Violeta)
(Foto de Olhares.com - Daniel Camacho)

2 de novembro de 2009

Um Sol estupidamente feliz

havia visto, com a mesma intensidade, este Sol das seis da tarde. No mesmo instante em que me cegou, lembrei-me que caminhava pela mesma estrada, a avenida que margeia o rio Tietê, há mais de trinta anos atrás e certamente no mesmo horário, pois a altura em que a estrela está, bem na minha cara, feito um tapa que arde, de chofre, crepitando como fogueira em noite escura, é exatamente a mesma cena em minha memória. Um déjà vu. A luz é tão intensa que tudo em volta parece escurecer. Um rastro de fogo reflete no asfalto o seu laranja cítrico e abre uma trilha para eu seguir mas, parece que apesar de correr ao seu encontro, fico paralizada no tempo, sem velocidade alguma, levitando sobre a luz, em câmera lenta e nada mais existe a não ser essa bola imensa e tragicamente bonita. O calor rebrilha nas águas do rio e dói na minha pele. A estrela de quinta grandeza tem onze bilhões de anos já vividos e só desaparecerá daqui a mais cinco bilhões. Isso me consola. Não serei a única a sentir este prazer encalorado, inspiração de poesia e sentimentalismos. Além disso, sei que terei outras chances de tamanho vislumbre. Há trinta anos atrás, quando esta mesma cena aconteceu, estava com o homem que amava e lamentava não ser uma artista de real grandeza para pintar este sol exatamente como ele é. Impossível copiar estúpida beleza, podemos apenas interpretá-la, cada qual ao seu modo. Esta foi a resposta, e como se a ouvisse novamente, bateu-me a lucidez de que o tempo é tão relativo quanto a verdade. Nunca tentei pintá-lo, mas cá estou com palavras dizendo sua beleza. Se faz onze bilhões, ou trinta anos, que este sol brilha sobre mim, verdade é o prazer que ele proporciona. Vivenciar este momento por duas vezes é pura felicidade. Um privilégio dos românticos.

29 de outubro de 2009

Grafitti do Beco


No Beco da Rua Apacê, Jabaquara - SP. Assina ex.09. Já vi essa corujinha mais vezes pela região.....

Paixão e erotismo na hora de cozinhar


Remexendo minhas receitas, encontrei um recorte de jornal datado sexta-feira, 4 de março de 1994. Há quinze anos estreava o filme "Como água para chocolate" (do mexicano Alfonso Arau). Baseado em romance do mesmo nome de Laura Esquivel, conta a história de um camponês chamado Pedro que, em 1910, em plena Revolução Mexicana, se apaixona por Titi. O erotismo e a sedução no cozinhar é o enredo do filme. Titi se esmera na cozinha criando pratos maravilhosos para sublimar a frustração de não poder fazer amor com Pedro. Os dois se amam, mas não podem se casar porque existe uma tradição no México de que a primogênita deve cuidar da mãe viúva. Marco se casa com a irmã e Titi extravasa toda sua paixão na cozinha. No casamento faz um bolo que todos, enquanto comem, choram copiosamente de tristeza. E depois, faz amor com Pedro através do prato Codornas com pétalas de rosa, é puro prazer para os comensais, despertando desejos incontidos, sensualidade e erotismo. E, claro, a paixão entre os dois.
Aqui vai a receita deste prato. Mas atenção, além dos ingredientes exóticos e e jeito delicado de fazer, há que se colocar grandes sentimentos de paixão e concentrar-se na pessoa amada enquanto se prepara. Isso faz parte do feitiço que deverá culminar com um tesão fulminante na hora da degustação. Tudo o mais é com você!

Codornas com pétalas de rosa
(Este es un placer de los deuses!!!)


Ingredientes:
12 rosas, de preferência vermelhas
12 castanhas
2 colheres de sopa de fécula de milho
2 gostas de essência de rosas
2 colheres de sopa de anis
2 colheres de sopa de mel
2 cabeças de alho
6 codornas
1 flor de cacto
manteiga
pimenta e sal


Preparo:
Desprenda com cuidado as pétalas das rosas - caso você se machuque, interrompa o trabalho, pois o sangue poder prejudicar o sabor do prato.
Depois de depenadas e esvaziadas as codornas, recolha suas patas, amarrando-as para que conservem posição graciosa antes de colocá-las para dourar na manteiga, salpicadas de pimenta e sal a gosto. É importante depenar as codornas a seco, pois água fervente altera o sabor da carne. Uma vez desfolhadas, as pétalas devem ser moídas num pilão junto com o anis. Em separado as castanhas devem ficar dourando numa vasilha de barro ou de ferro e, depois de descascadas, cozidas em água para se fazer um purê. Os alhos devem ser picados em pedacinhos e dourados em manteiga. Acrescentar então o purê de castanhas, o mel, a flor de cacto, as pétalas de rosa e sal a gosto. Para que o molho fique mas espesso, pode-se adicionar duas colheres pequenas de fécula de milho. Passe tudo numa peneira e acrescente duas gotas de essência de rosas - mais do que isso pode tornar o cheiro e o sabor fortes demais. Quando estiver no ponto, retirar do fogo. Mergulhe as codornas nesse molho por apenas dez minutos, para que fiquem impregnadas do sabor. Desamarre as patas e ajeite as codornas na travessa.
(Extraído do livro "Como água para chocolate, de Laura Esquivel. Editora Martins Fontes).
Para completar não poderá faltar um vinho tinto encorpado, que é a melhor opção para acompanhar as caças...


27 de outubro de 2009

Coisas que perdemos na vida

devo ter escrito e foi muito tempo atrás, sobre isso ou sobre aquilo, relãmpago de memórias e inspiração, mas perdido está. O incômodo de se perder coisas perpassa nossas vidas e todos sabemos relatar seu tamanho. Algumas perdas são doloridas, outras apenas fazem pena. Na adolescência - como hoje - andava com um caderninho e caneta em punho. Na rua, no ônibus, na aula vinham os pensamentos sobre o que via, ouvia. Tinha que escreve-los. Produzi uma coletânea que chamei de "Seção verde-amarelo". Um sapatinho de bebê tricotado com lã azulzinha pendurado no retrovisor do ônibus deve ter sido o estopim para tomar gosto em relatar coisas populares e viajar numa realidade inventada. "Uma brasileira com seu bebê aos berros de fome, cheia de sacolas e leite no peito, deixou o sapatinho cair no amontoado de gente trabalhadora que vai e vem no ônibus todos os dias." O sapatinho vira amuleto do motorista e eu sinto tanto esta perda... Tenho saudade do que escrevi e ninguém leu. Acho que estes contos estavam num lote de escritos, entre os poemas de amor que fazia - ah! a dor do amor, o alvo da minha fúria - e que coloquei fogo. E pronto! Decisão arrebatada para esquecer esse assunto de paixão que tira o sono e embola o estômago. Apagar lembranças, acalmar meu coração, virar a página. Mania de ler e reler a página da vida até nada mais poder extrair dela. Até concluir que tudo foi interpretado. Até poder virá-la e, se precisar, rasgá-la, incendiá-la. A coletânea de escritos se perdeu nesse ímpeto. Os amores, também. A importância é que existiram. Perdido está? Outros serão encontrados!

26 de outubro de 2009

Receitinhas deliciosas de Leites Vegetais




LEITE DE AVEIA





(Aveia é rica em fibras e contribui para o funcionamento intestinal. Auxilia na redução do colesterol. A necessidade é de 30 gramas de aveia por dia). 

100 ml de aveia prensada (laminada ou flocos grandes)
1 litro de água
sal marinho (à gosto)
mel, melado, açúcar mascavo ou demerara (à gosto)
Esquente 1 litro de água até ferver.
Após a fervura, desligue o fogo e, caso queira saborizar o leite de aveia, acrescente chá em sachets ou ervas (exemplos: canela, hortelã, camomila, erva cidreira, maçã seca, etc; desta forma aguarde mais cerca de 3 minutos até a infusão estar pronta).
Despeje então a água quente sobre a aveia prensada apenas na quantidade pra cobri-la, e deixe de molho durante cerca de 10 minutos.
Bata a aveia e a água quente no liquidificador até dissolver toda a aveia. Acrescente então mais água até completar 1 litro (com menos água torna-se mais consistente a bebida; com mais água torna-se mais rala) usando água quente ou gelada (a gosto). Bata novamente, passe no coador, e está pronto o leite de aveia.

LEITE DE AVEIA COM GERGELIM

200 ml de aveia em flocos grandes (prensada ou laminada).
20 a 40 ml de gergelim descascado.
Esquente cerca de 300 ml de água mineral quase até ferver e coloque sobre a aveia e o gergelim, aguarde cerca de 10 minutos para os grãos amolecerem e absorverem a água.
Bata então no liquidificador, adicionando água se estiver seco. Quando estiver tudo bem moído, adicione mel e uma colher de chá ou uma quantidade à gosto de sal marinho pra equilibrar o sabor, e vá adicionando água até completar 1 litro e meio.
Pode coar ou não. Desejando mais ralo adicione mais água ou faça com uma proporção um pouco menor de aveia e gergelim descascado.

LEITE DE GERGELIM





(Como toda boa semente oleaginosa, o gergelim é rico em minerais e oligoelementos, especialmente cálcio, fósforo, ferro, magnésio, cobre e cromo).

2 xícaras de água
4 colheres de sementes de gergelim
Deixe as sementes de molho na água por mais ou menos 3 horas. No liquidificador bata por 3 minutos e coe.

LEITE DE COCO






1 xícara de coco fresco ralado
1 ½  xícara de água filtrada morna
Bata no liquidificador, até a mistura ficar bem homogênea. Passe por uma peneira forrada com um pano de algodão bem fino. O leite de coco pode ser armazenado em geladeira por até 48 horas.

LEITE DE CASTANHA DO PARÁ





 (A castanha-do-pará é riquíssima em selênio. Ele se liga a algumas proteínas já existentes em nosso corpo para formar enzimas antioxidantes. Uma castanha por dia eleva em 65% o teor de selênio no sangue. Para uma criança é suficiente ½ castanha por dia!)


1 litro de água fervendo
1 xícara de castanha-do-pará
2 colheres de mel
1 colher de chá de sal
1/2 xícara de aveia
Acrescente a aveia na água fervendo e deixe no fogo por uns 3 minutos. Desligue o fogo, espere a água atingir a temperatura morna  (teste nas costas da mão), acrescente a castanha e bata no liquidificador. Coe numa peneira fina e tempere com uma pitada de sal e doce a gosto. Pode-se bater esse leite com banana e o doce fica por conta da fruta.
Esse leite é rico em proteína e o processo de bater a castanha em água aquecida (nunca em ponto de fervura) mantém a sua integridade.
Os resíduos do leite podem ser usados em receita de bolacha ou bolo.

LEITE DE ARROZ




1 xícara de arroz cru e lavado
2 xícaras de água
Deixar de molho por 4 horas.
Bater por 2 minutos e coar.

LEITE DE GIRASSOL





(Girassol protege das doenças cardiovasculares e ajudam a manter os ossos fortes . É rica em magnésio. O mineral  ajuda na formação do esqueleto e combate a osteoporose. Necessidade é de 420 miligramas dia).

½ xícara de semente de girassol germinada ou hidratada (que ficou de molho em água);
1 copo (200ml) de água mineral
Bata as sementes com água no liquidificador e coe.

LEITE DE GIRASSOL COM AVEIA
(Riquíssimo em cálcio e ferro):

2 xícaras de semente de girassol com casca
1/2 xícara de aveia em flocos grossos deixada de molho em 1 xícara de água por pelo menos 15 minutos
4 xícaras (chá) de água + 1 e 1/2 xícara (chá) de água
1 pitada de sal
1 colher (chá) de melado
Escolha e lave as sementes de girassol, passando por uma peneira e escorrendo toda a água. Deixe secar naturalmente ou aqueça uma panela e passe as sementes até elas secarem e a casca começar a ficar quebradiça. Coloque no liquidificador com 4 xícaras de água e coe (esprema bem). Reserve.
Leve a aveia com a própria água do molho e mais o restante ao liquidificador. Bata e coe.
Misture os dois leites e leve ao fogo mexendo até uma pré fervura. Desligue, deixe esfriar, acrescente o melado e o sal e conserve em geladeira (esse aquecimento do leite confere uma textura mais aveludada por conta da aveia, mas é opcional). Sempre agite antes de servir.

LEITE DE AMÊNDOAS







1 xícara de amêndoas sem pele
4 xícaras de água gelada
Para facilitar o descascamento das amêndoas coloque-as em água quente por 5 a 7 minutos.
Misture todos os ingredientes no liquidificador até que forme uma mistura homogênea. Coe num pano fino ou coador. Pode adicionar um pouco de passas, baunilha, ou açúcar para dar-lhe um sabor diferente (opcional).

LEITE DE AMÊNDOAS COM CANELA e GENGIBRE
(Estimulante!)


1 copo de Leite de amêndoas
Meia colher de café de suco de gengibre ralado
1 colher(de café) de canela em pó
Melado ou açúcar mascavo
Misture bem todos os ingredientes e aqueça em fogo muito brando, por poucos segundos.

LEITE DE LINHAÇA





(A semente do linho é capaz de impedir o crescimento do câncer de mama. A casca, bastante resistente, pode passar intacta pelo aparelho digestivo e aí as substâncias benéficas ficam impedidas de sair. Então é preciso batê-la  e comer em seguida  porque a linhaça é muito suscetível à oxidação. Destaca-se em vitamina E. Em ômega-3 e ômega- 6, atuando em perfeita harmonia. Essa dupla  garante a saúde cardiovascular, ambos atuam na redução do LDL, o mau colesterol, responsável por estragos nas artérias. Ela praticamente faz as vezes do estrógeno, ao se ligar a receptores celulares, a lignana funciona como um falso hormônio).




Use 10 colheres de sopa da semente
4 copos com água
Deixe as sementes de molho por doze horas. 
Bata no liquidificador as dez colheres (sopa) de sementes para quatro copos de água.
Coe em peneira fina, duas ou três vezes. Consuma imediatamente.
A linhaça forma uma mucilagem que difere dos outros leites. Mas é nesse creme que estão todas as suas propriedades. Puro, adoçado com mel ou batido com mamão, banana ou ameixas pretas. O leite de linhaça também pode ser servido sobre salada de frutas ou ser levemente aquecido para tomar antes de dormir. Possui leve efeito laxante, tonificando os intestinos.

25 de outubro de 2009

Suco de Luz do Sol, uma dica super saudável




O suco de luz é um tônico bioenergético feito com grãos germinados, ingredientes nutritivos e dexintoxicantes por possuírem propriedades antioxidantes. Feito com sementes que passaram por uma germinação natural, o líquido chega a concentrar 20 mil vezes mais nutrientes do que outros alimentos.
O suco de luz é tido como alimento vivo por conter uma grande quantidade de clorofila e, conseqüentemente, uma energia digna da luz do sol. 
Tomar este suco em substituição ao café da manhã, ajuda a perder peso e a criar resistência.
COMO FAZER
Colocar no liquidificador, primeiro o pepino COM CASCA E TUDO para gerar líquido e facilitar o esmagamento dos outros vegetais. Cortar uma maçã em pedaços pequenos e tirar as sementes. Usar uma cenoura como socador para extrair o líquido das hortaliças. 
Acrescentar os grãos germinados (este é o carro chefe do suco), as folhas verdes o legume e a raiz variando as hortaliças sempre que possível e privilegiando as de produção orgânica. Coar em um pano e beber logo em seguida.
COMO GERMINAR GRÃOS
Colocar de uma a tres colheres de sopa de grãos em um vidro e cobrir com água limpa.
  1. Deixar de molho por uma noite (8 horas)
  2. Cobrir o vidro com filó e prender com elástico. Despejar a água do molho noturno e enxaguar bem sob a torneira.
  3. Colocar o vidro inclinado em um escorredor em lugar sobreado e fresco.
  4. Enxaguar todos os dias pela manhã e à noite até que apareçam os brotinhos. Nos dias quentes é preciso lavar mais que duas vezes. Os grãos iniciam sua germinação em períodos variáveis. Em geral estão com sua potência máxima logo que iniciam um brotinho (o processo de nascimento) quando então ficam prontos para serem consumidos. Estão potencializados em sua energia máxima.
SUGESTÃO DE SEMENTES PARA GERMINAR
Todas as sementes comestíveis, tanto pelo homem como pelos pássaros: 
Girassol
Feijão
Painço
Milho
Niger
Colza
Aveia
Trigo
Linhaça
Arroz
Soja
Centeio
Gergelim
Grão-de-bico
Amendoim
Lentilha
Nozes
Castanha-do-pará
Amêndoas
Ervilha
Feno-grego
Varie as hortaliças, legumes, raízes e grãos, conforme seu paladar preferir. Todas elas têm vitaminas variadas.

23 de outubro de 2009

Sampa e seu crepúsculo dolorido

O crepúsculo nas ruas do centro de sampa é dolorido. Uma febre agita as pessoas e as buzinas na 7 de abril com a São João ecoam por quarteirões a fio, posso ouvir daqui. O sol, que ardia há pouco, reclama da sua queimadura nas costas e com a cara cor de laranja se esfrega nos arranha-céus, caindo de cansaço de tanto esquentar o dia. 


A penumbra cai vertiginosamente sobre as pessoas formiguentas e tagarelas. Tudo range. Tudo se apressa, como num presságio de vento e chuva e frio. Os ratos se agitam no subterrâneo dos bueiros. Se parasse para olhar nas grades de ferro espalhadas pelas calçadas e ruas, veria no meio do lixo cheirando mal, a ansiedade da espera da noite. A poeira da cidade, sempre em contrução, vai assentando-se pelas frestas e buracos, sempre abertos, sempre abrindo-se. 


O crepúsculo na minha cidade é assim imediato. A luz difusa esparrama um cinza sobre a feiura que logo mais vai se maquiar com as cores da noite. Minha cidade incansável vai enxotando seus transeuntes e se preparando para receber as luzes tramadas pelos homens. Vai se enfeitar como para uma festa, pois que ela não para não. Então, se tornará outra, mais bela. Os copos vão tilintar brindes por aniversários sem fim e a noite virá desfilar seus mistérios pelas ruas mais vazias, rebrilhar a lua sobre seus rios poluídos. 


A noite urge. E cheia de história e pressa, desaba-se sobre o crepúsculo fugáz da minha querida cidade.

reflexão do dia

"Pelo que foste e pelo que hás de ser, estima o que és"
(Antonio Vieira)

20 de outubro de 2009

Mal humor


"Hoje as pessoas parecem caricaturas de sí. Tem gente que exagera nos traços e vira um bicho. Aumenta orelha, emborca nariz de tucano, entorta boca com dentes que não cabem em sí, brotam suas corcundas de urubus e andam com pernas longas de cisne ou como pata-chocas... outras falam como gralhas na mesa do almoço, engolem sem mastigar feito giboia. O mundo é um zoológico, e eu pareço uma naja destilando veneno." (de mal humor)

15 de outubro de 2009

O olho da fome é feio

















O
olho da fome é feio.

Tem uma súplica que me devora
sem mastigar.

Tenho pena da fome feia.
Na hora do almoço soluça invisível
no estômago do cão
que rasga um saco de lixo,
e no coração da criança
que vende balas na esquina.

Eu queria tomar conta do mundo,
mas não consigo.
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