“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

18/02/15

Tocantes coisas


Queria muito dizer coisas tocantes.
Aquelas que me tocam no fundo do coração.
Aquelas que gritam à noite enquanto durmo,
Porque não se pode dormir com tanta dor.
Dor tocada com letra e música
Canção da vida contraditória,
Que fala de amor, mas de dor também fala.
Resmunga amiúde
Não me deixa em paz.
Inutilidade. Sinto-me inútil
Porque nada que fale, merece aplauso.
Até porque aplausos são conforme a música da vez...
E quem disse que é essa a música que queres ouvir?
Ah... Queria falar coisas tocantes.
Mas, o que me toca não toca a ti.
Meu mundo é o que conheço, a consciência de mim.
Então, o mundo de cada um,
É aquele que cada um conhece...

Nunca tocarei alguém com as minhas coisas tocantes...

Ada, 18/2/2015.

***
Nunca e ninguém são a negação de sempre e alguém.
Nenhuma delas existe.
Tudo e nada, também.
Então, guardei frases para dizer quando houvessem sentido...

16/02/15

Hoje, 30 anos que faleceu o cantor do povo venezuelano




Que linda canção! 

E que sábias as palavras que dizem assim: pode-se queimar uma guitarra, mas jamais as canções que ela tocou! 

Viva Venezuela!


Primeiro Ely Rafael Rossell , mais conhecido como Ali Primera (nasceu em Coro 31 de outubro de 1941 – faleceu em Caracas em 16 de fevereiro de 1985) foi um cantor, músico, compositor, poeta, ativista político e militante comunista da Venezuela considerado por muitos como um dos precursores da Revolução Bolivariana que levaram Hugo Chavez ao poder, apelidado de "O Cantor do povo venezuelano." 

Hoje, faz 30 anos que faleceu. 

***

Se não serve a minha canção
para que acenda sua alma
queime então a minha guitarra
porém que cresça a sua chama!

Adeus em dor maior
Canção em dor maior
Adeus em dor maior
Canção em dor maior

Em que lugar se perdeu
a canção e o sorriso?
Quando a noite quebrou
seus braços sobre a vida?

Se não serve minha canção 
para que acenda sua alma
queime então a minha guitarra
porém que cresça a sua chama!

Adeus em dor maior
Canção em dor maior
Adeus em dor maior
Canção em dor maior

O caminho é somente
uma das coisas
sementes sem terra
Não te darão rosas

Faltam os amigos 
que marcharam distantes
por dentro da terra
nos sentimentos adentro

Os dedos crispados 
sobre um ventre forte
buscando a vida 
na guitarra mãe...

(tradução livre, Ada)

14/02/15

E os poetas falam as mesmas coisas de formas diferentes

Um passarinho pediu a meu irmão para ser sua árvore.
Meu irmão aceitou de ser a árvore daquele passarinho.
No estágio de ser essa árvore, meu irmão aprendeu de
Sol, de céu e de lua mais do que na escola.

No estágio de ser árvore meu irmão aprendeu para santo
Mais do que os padres lhes ensinavam no internato.
Aprendeu com a natureza o perfume de Deus
Seu olho no estágio de ser árvore aprendeu melhor o azul

E descobriu que uma casa vazia de cigarra esquecida
No tronco das árvores só serve pra poesia.
No estágio de ser árvore meu irmão descobriu que as árvores são vaidosas.

Que justamente aquela árvore na qual meu irmão se transformara,
envaidecia-se quando era nomeada para o entardecer dos pássaros
e tinha ciúmes da brancura que os lírios deixavam nos brejos.

Meu irmão agradecia a Deus aquela permanência em árvore
porque fez amizade com muitas borboletas."

(Manoel de Barros)



E os poetas falam as mesmas coisas de formas diferentes...


20/01/15

Letra de música de um amigo

Música: Seu nome
Composição: Demerval Colaço

Te vi, te amei, não sei
De repente o tempo te levou
Saudade tomou conta do lugar
Chorei, vivi, andei,
Muitos rostos minha mão tocou
Mas nenhum com aquele teu olhar

Bebi na fonte do tempo,
O amor, o sabor
De um futuro que nem sei se quero
O tempo tentou me mostrar
Que razão e emoção
Não caminham sobre o mesmo leito

Assim sobrevivi
Como as rosas desse meu jardim
Esperando o dia que chegou
Choveu e o sol surgiu
Brilhou forte nesse meu refrão
Entoando um canto de amor

E a vida me surpreendeu
Como o mar, como o céu
No azul de sua imensidão
Seu nome eu vi desenhar
Como numa folha de papel,
Como na areia que cobriu o chão.

Perdida no bosque


Perdida no bosque (a sombra de uma árvore)
(Samuel da Costa)

Para Luana D’Oliveira

És a beleza etérea!
A invadir os meus saturnos
E enfadonhos dias!

Libertar o meu mundo de sonhos
Matar-me de desejo.

És um sonho dourado...
Em meio a minha vida vazia
Despropositada!

És para mim
A encarnação da beleza cósmica infinda

E eu perdido no nada
A sonhar contigo
E mais ninguém!

Eu sempre perdido nos meus...
Tediosos dias
Que são sempre iguais!
Perdido entre Eros e Thanatos!
E tu na perenal distância...

A libertar os meus sonhos

Matar-me de desejo.