12 de Julho de 2009

Quinquagésimo quinto

Meus 55

Quem já passou por essa vida e não viveu
pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu,
pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Quem nunca curtiu uma paixão
nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença,
mesmo o amor que não compensa
é melhor que a solidão
Abre os teus braços,
meu irmão, deixa cair,
pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
de quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração
esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão
nunca vai ter nada, não...

Vinicius de Moraes/Toquinho

9 de Julho de 2009

São Paulo debaixo do lixo





Construir é bem mais complexo e demorado, requer inteligência. Destruir é rápido, instantâneo e burro. As meninas que trabalham na área de saúde do meu bairro, passaram uma manhã inteirinha para limpar o lixo da pracinha, 16 pessoas num trabalho voluntário e digno. Cuidar da saúde implica em saneamento. Mas em 5 minutos, vem o primeiro vizinho e joga seus sacos de lixo, não se importando se é sábado, domingo, ou se o caminhão do lixo acabou de passar. Foram encontradas até seringas usadas pela farmácia da rua! Ou seja, existe a taxa do lixo especial, mas não existe quem venha buscar o lixo? Ou então, a farmacia não paga a taxa do lixo e fica por isso mesmo? Os cães abandonados - são muitos - pelo menos têm onde comer resto de comida suja com papel higiênico. Absurdos inaceitáveis na cidade mais desenvolvida do Brasil. É bem difícil exercer a cidadania, denunciar, reclamar, reivindicar. Não existem mecanismos para este exercício. Não temos voz. Há muita impunidade, de cima a baixo. Tenho vergonha de morar num bairro assim. Tenho vergonha do Prefeito, que não cuida dos bairros, da cidade e de seu povo. Precisamos preencher, cada vez mais, todas as vagas existentes nos cargos públicos - não algumas poucas apenas - com cidadãos comprometidos com o progresso, com a prosperidade de todos... e isso requer organização popular!

3 de Julho de 2009

Lua, nua e linda


Não! Não é queijo suiço! Mas nem precisaria tomar uma garrafa de vinho para imaginar-me viajando em volta desta paisagem, fantástica, instigante, misteriosa, a Lua... Essa é a última foto dela, tirada dia 23 de junho passado, pela sonda Reconnaissance Orbiter, numa região no pólo sul lunar chamada de Mar de Nuvens. As primeiras imagens foram tiradas no limite da Lua que é dividido entre a luz e a escuridão. A região possui uma surperfície íngreme e inóspita. Os objetivos principais desta visita da sonda lunar são ajudar a encontrar locais de aterrissagem seguros para os astronautas - que devem ser enviados à Lua até 2020 - e planejar como construir uma base no satélite. Bom, em 2020 pretendo estar com 66 anos e poder ter saúde para tomar um vinho, neste dia, e ver os astronautas pousarem flutuantes mais emocionados que eu, que pretendo estar sonhando com a Lua, como hoje, já que um dos meus pés sempre dão um pulo até lá! Mas usando a razão, fico pensando: vão construir uma base na Lua? Os americanos... em breve poderão jogar bombas, direto de sua base, na Terra toda!?

2 de Julho de 2009

Gata frajola

Posted by Picasa

Gata Frajola


Essa "coisa" completa hoje 9 semanas. A chuca e o leite materno em pó, deram conta do recado. Não só isso, é claro, tiro o chapéu para Elaine e Dona Rosa, que resgataram-na e pacientemente alimentaram-na desde seus 7 dias de vida. Hoje ela foi para São José dos Campos, com seu adotante. Deixou atras de sí, um monte de coraçõezinhos suspirando... que ela siga feliz e vitoriosa sua jornada felina.

Posted by Picasa

28 de Junho de 2009

Eu escrevo para me livrar de mim

(A caixa de Mate Leão, naquele tempo, era de madeira e um leão rugindo vinha entalhado nela)

Não sei como ele apareceu. Acho que foi um brinde pelo dia da criança, ou promoção de um supermercado qualquer. Sei que a história começa na hora de dormir. Ele piava muito, com frio, longe das penas de sua mãe. Era miudinho, amarelo adocicado, macio, apaixonante. Sentiu-se tão quentinho debaixo das cobertas que apenas chilreava baixinho, em agradecimento, como ronron de gato. Fechava os olhinhos pela metade, como se quisesse dominar o sono e o cansaço de uma jornada inexplicável e incompreensível, desde a quebra do ovo.. Buscava aquecer seu bico diminuto, cor de rosa, esfregando-o em mim, como beijinhos. Aquele pripripri era sua história, uma história comprida que não acabava mais. Parecia que todo esse tempo, desde a quebra do ovo, passando pelo incômodo amontoado dentro de uma caixa de papelão e agora, o conforto de minhas mãos, eram uma história interminável. Enfim, ele se cansou de contar contos de me fazer dormir e dormimos sem sonhar. Ao acordar é que tive o pesadelo: o pintinho estava morto. Amassado. Sua imobilidade foi um pedaço da minha própria morte. A morte vem aos pedaços na gente. A cada desilusão, culpa e tragédia, um pedaço da nossa morte nasce e vão se encaixando como num quebra-cabeças, uns nos outros ao longo das nossas vidas, até que ela possa se consumar um dia qualquer. Naquele momento, morremos os dois. E a constatação desta morte aconteceu em câmera lenta. Fotografou sua cena trágica, tanto que posso vê-la no álbum de recordações. E existiu o chorar, existiu a dor, existiu um sal cortando a face, existiu uma flexa sangrando o peito. Entre isso e o enterro há um hiato, não lembro. A caixa de chá mate leão naquele tempo era de madeira e trazia entalhado um leão rugindo e tinha tampa que se abria feito estojo escolar. Exalava perfume de mate e era perfeita para "abrigar" meu pintinho morto, tão infeliz. Preenchi todos os espaços com algodão e lágrimas. Fui a coveira e a florista e a rezadeira e a carpideira, e entre todas estas personagens, existia uma culpa imensurável. Ficaram tantos porquês aos berros em meus pensamentos que quis mudar de assunto. Há porquês demais sem respostas. Mas hoje precisei escrever sobre isso para me livrar de mim. Feito a Clarice Lispector que dizia, "Eu escrevo para me livrar de mim.” ...

Tem que cair a ficha e gritar: ALÔ

Li a noticia de fechamento de uma ONG de proteção animal, "O Quintal de São Francisco" que existe há 50 anos em SP, e fiquei aflita. Já tenho refletido muito sobre esse assunto, pois me sinto impotente para ajudar meus amigos animais. Mas uma noticia destas é como "cair a ficha" e alguém gritar no seu ouvido "ALÔ"! Percebi que precisávamos refletir profundamente sobre esta problemática, tão antiga, da causa animal, assim como antigos são os problemas da população, como um todo. São reflexões que nos obrigariam à união de todos os interessados, e para além disto, de todos os aliados possíveis e em niveis superiores de organização, com clareza de propostas, para exigir do Poder Público atitudes que vislumbrem ao menos uma saída. É tão evidente que isto está diretamente relacionado à Política! As políticas públicas de cada governante que por aqui passou, e que deixou de fazer. Evidente que existem interesses antagônicos e que os menos favorecidos são sacrificados. Se não temos solução para a educação, saúde, saneamento na cidade, e se o povo não se organiza para lutar por estes direitos, como poderíamos achar que com a causa animal poderia ser diferente? A consciência das pessoas não surge de "dentro" como por milagre, não nasce com a gente. Esta consciência tem de vir de fora, com o progresso, a cultura, educação, desenvolvimento, oportunidades... mas como generalizar o conhecimento e aumentar os níveis de conscientização? Realmente, é bem cômodo para o Estado que as ONG's e o Voluntariado existam e tapem seu sol com peneiras. Mas nossos impostos vão para o Estado e não para as Ong's. Temos tanto a mudar! Temos tanto a lutar! Teríamos que sair às ruas, com todos aqueles que têm algo a reivindicar... e só voltar para casa quando alguma atitude de mudança fosse, de fato, tomada! Enquanto essa "boa nova" não acontece, precisamos continuar na formiguice e ajudar os 300 cães, do Quintal e em 9 meses, a serem adotados...contagem regressiva.

No site tem mais informações:

Leia em

http://www.quintaldesaofrancisco.org.br/abrigo_fechamento.html

Em março de 2010, a ONG Quintal de São Francisco encerrará as atividades do abrigo de cães e gatos que mantém na região de Parelheiros, há 50 anos. Assim, precisamos da fundamental AJUDA de cada um de vocês para que nossos animais sejam adotados por famílias responsáveis que possam oferecer-lhes um lar. Com certeza cães, gatos e humanos ganharão muito nessa troca. FONE: 2062-8263

Visite

www.quintaldesaofrancisco.org.br
quintalsaofrancisco.multiply.com/

26 de Junho de 2009

Michael Jackson fez uma canção para a Terra

Se pudesse fazer voltar o tempo, como sonhou Michael neste vídeo, faria também revive-lo. Fazia-o voltar ao seu tempo de criança, cheio de sonhos ingênuos, longe da destruição, e mudava o rumo que caminha a nossa vida, a nossa morte. Não teve jeito, assistir a este vídeo "Earth Song" me fez chorar sentida, por tudo. Fez também minh´alma gritar a mesma cançao.

12 de Junho de 2009

Pensamento do dia


Testando postagem pelo windows live writer

Meu computador abriu o bico dizendo que sua memória virtual mínima anda muito baixa. Deu uns piripaques e sumiu com arquivos e até com programas. Cá estou tentando convencê-lo a trabalhar mais um pouquinho, antes de se aposentar.  Atualizando alguns programas caquéticos, descobri esse aqui no qual estou escrevendo minha postagem. É o windows live writer. Uma janelinha que me traz ferramentas, eticétera e tal, que vou testar se funcionam.

1º teste: Inserindo um hiperlink para uma ONG muito legal que cuida dos animais e atua há mais de 15 anos, em Cotia-SP, auxiliando o Poder Público e respectivos órgãos ambientais 24 horas por dia, para amparar animais apreendidos de tráfico, circos, vítimas de maus-tratos, etc. A manutenção dos recintos, alimentação, medicação etc e a propagação da educação ambiental são as principais atividades da ONG (vejamos se o link funciona?):  Santuário Ecológico Rancho do Gnomos em Cotia

2º teste: Inserindo uma imagem do meu computador que nem preciso falar nada, sei que vou ouvir seu pensamento ou sua voz mesmo, dizendo assim, ó: ahhhhhhh!

                                  gato23

3º teste é sobre álbum de fotos…

Grata surpresa, rapidinho selecionei as fotos e ele apresentou desta forma acima…

4º teste: Tabela..

12 Ong´s para adotar um bicho 20 mil a 1,5 milhão abandonados
Loucos por bichos www.loucosporbichos.net
CCZ-SP www.prefeitura.sp.gov.br/zoonoses
Adote um Gatinho www.adoteumgatinho.org.br
Quintal de São Francisco www.quintaldesaofrancisco.org.br
Projeto Cel www.projetocel.org.br
UIPA www.uipasp.org.br
Bicho no Parque www.bichonoparque.com.br
Solidariedade a Vida Animal www.sava.org.br
Adote um amiguinho www.adoteumamiguinho.org.br
Anjos dos Bichos www.anjodosbichos.com
União SRD www.uniaosrd.com.br
Vira Lata é Dez www.viralataedez.com.br

5º teste: Posso também inserir mapa!!

Ah, isso eu não consegui. Ele abre o Live Search Maps, mostra rapidinho o local solicitado, mostra panoramica, aérea, etc, mas não está inserindo. Dá erro. Que pena!

6º teste: Marcas…(?)

Sei lá o que é marcas… enfim, inseri endereços na internet acima.

7º teste: video. Depois de algumas tentativas, consegui colocar um video no soapbox (espaço para videos do msn). O Caillou corre e brinca quase todos os dias, nesse lugar..

8º teste: Adicionar um plug-in… ah, preciso pesquisar do que se trata. Mas agora cansei, estou com fome, um baita frio de 12 º (cruel para quem não tem casa, e eu fico pensando nos miseráveis e me entristeço…)

Enfim, vou publicar esta postagem para “tchan…tchan…tchan…” ver como é que fica! Se não der certo, veremos em seguida.

Bom fim de semana.

11 de Junho de 2009

Relato de uma protetora de animais

(Dieguito, triste e decepcionado)

"Amigos, resgatei este pit na beira da Imigrantes, amarrado a uma árvore, tremendo muito e lotado de sarna. O Dieguito se encontra na clínica Zoológica. Ontem fui visitá-lo e percebi algumas coisas que me chamaram a atenção. O Dieguito deve ter sofrido muito porque treme de medo e demostra muita tristeza, causa muita pena ver o olhar dele, dá a impressão que ele quer nos contar alguma coisa, mas como não sabe falar, parece querer dizer isso com seu olhar expressivo! Mas o que será que ele quer nos dizer e não consegue? Quais serão os tormentos pelos quais ele passou para estar tão deprimido e assustado? Outra coisa que chama muito a atenção é a estrutura dele, é um animal extremamente forte, mesmo estando bem magro e tendo pele sobrando em todo o corpo ele pesa 35 quilos, quer dizer que quando recuperar seu peso normal, será ainda mais forte. Fiquei pensando no estado geral dele, magro, maltratado, lotado de sarna. Algo não bate nesta equação. Como é que as pessoas que o abandonaram, magro e doente, conseguiram que ele desenvolvesse essa excelente estrutura? Só consegui achar uma explicação, ele teve mais de um dono! Pode ser que ele tenha tido um dono que o tratou bem quando filhote, dando ração de boa qualidade e permitindo que ele desenvolvesse um corpo musculoso e ossos fortes, ele pode ter se perdido e acabado nas mãos de pessoas sem escrúpulos e a partir dai começou a emagrecer e a sarna demodécica se manifestou o que fez que fosse abandonado cruelmente. Outra coisa que chamou a atenção do veterinário foram os caninos desgastados. Os caninos estão arredondados, o que pode significar que ele fez algum tipo de treinamento que provocou o desgaste, porém ele é bem jovem e não apresenta cicatrizes no corpo, provocado por rinhas. Será que o desgaste pode ter sido causado por algum esporte? Se ele praticava algum esporte se explica a forte musculatura e o desgaste dos dentes, mas como é que ele teve um dono que o treinou e acabou acorrentado numa árvore? Pode ser que eu esteja imaginando tudo, mas será que este pit não se perdeu de um dono que realmente gostava dele e acabou em mãos erradas? Será que esse primeiro dono ainda não espera encontrar este cão de novo? Ele pode ter se perdido ha alguns meses atrás, ou até há um ano. Gente, queria pedir a todos os que estão lendo este e-mail que me ajudem a tentar descobrir pessoas que tenham perdido um pit bull macho, cor caramelo, há um ano ou alguns meses atrás. Tenho a impressão que é isso que o Dieguito quer nos dizer com sua carinha triste." (relato de Nat)


Quero dizer que, o amor e a dedicação destes protetores é tanta, que eles conseguem ler nos olhos dos animais e sentir na sua pulsação, toda a trajetória de destruição que o ser humano é capaz de produzir através dos tempos, creio que até chegar à sua própria...

Congestionamento Record em Sampa

Av. 23 de maio dia 10 de junho de 2009 com chuva

Trânsito quebra recorde histórico 2 vezes neste dia 10 de junho de 2009, com 293 km. Em São Paulo se registrou às 19h desta quarta-feira o maior índice já registrado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O número representa lentidão em 34% das vias monitoradas pela companhia. Às 18h30, o trânsito já havia batido o recorde histórico, com 268 km. O paulistano passa em média 4 horas nestes congestionamentos, mesmo em dias que não concorrem ao GuinesBook, como o de hoje. "Na medida do impossível, tá dando prá se viver, na cidade de São Paulo..." e cá vou eu nesse dia-a-dia imprevisível, estafante, irritante, poluído... Se o transporte público fosse eficiente e eficaz, a cidade seria menos caótica, mas os ricos agora andam de helicóptero (o mais simples custa 3,2 milhões de dólares), então danem-se os meros mortais. E sabem quem entrou no ramo de venda de helicópteros? Emerson Fittipaldi!!

5 de Junho de 2009

Efêmero

Não nos damos fé do quanto somos efêmeros. O que somos hoje, amanhã já se modificou, se diluiu no que passamos a ser. Me dei conta desta efeméride quando vi um amigo meu me ignorando no orkut com a seguinte mensagem: " não me contacte mais". Sabe aquele susto que faz o pensamento demorar um pouco para funcionar? Em seguida, um email: "Boa noite. Desculpe a indelicadeza de simplesmente te mandar um email. Estou lhe enviando este email para dizer que apesar de sermos apenas amigos neste momento arrumei uma namorada que não compreende a nossa amizade. Estou lhe pedindo gentilmente que por favor nao tenhamos mais contacto, nem por email, nem por msn, nem por telefone, aliás por nenhum outro meio de comunicação. Obrigado". Engraçado que ali no meio das palavras, ela (óbvio) afirma "neste momento arrumei uma namorada" para confirmar mais um pouco a efemeridade das relações. Conheço (conhecia) meu efêmero amigo há cinco efêmeros anos e posso (podia) garantir que não são (eram) expressões usadas por ele, pelo menos até este efêmero momento. Concluo que ele foi possuído por uma louca efêmera paixão que impediu sua efêmera coragem de enfrentar suas verdades (mentiras) de até então, e que essa paixão tomou posse de tudo que é (era) seu, inclusive sua caixa de emails. Portanto, passo a ser uma mentira pois fui apagada do orkut, do msn, do skipe, do twiter, do celular e de sua efêmera vidinha. Não iremos mais ao cinema (na verdade não íamos há muito tempo); não mandarei cartão no seu aniversário (você nunca me mandou um, agora que me dei conta); não nos falaremos sobre nossos gatos (nem lembro mais quantos você tem (tinha)), ou trocaremos fotos (pensando bem, nossa amizade já tinha acabado)...bota efêmero nisso!

3 de Junho de 2009

Arcangelo Ianelli

Arcangelo Ianelli, nasce em 18 de julho de 1922 e morre em 26 de maio de 2009, aos 86 anos. Deixa esposa, 2 filhos, 5 netos, um acervo de quadros e esculturas fantástico e saudades...
Minha homenagem em "Encontros e Despedidas".









30 de Maio de 2009

Encontros e Despedidas

(em homenagem a Arcangelo Ianelli)

As lágrimas que tristes me escorreram, refletiram um tempo. Nele, um cheiro de tinta apareceu bem conhecido e cheio de significâncias. Surgiu das minhas lembranças e não é apenas um cheiro de tinta, são ceras, pós e terebentinas, mel e fel, lembranças desse passado que se misturam e criam esse novo cheiro indecifrável e responsável pelas cores e transparências que cobriram anos e anos aquelas telas de pintura e as nossas vidas. Eram a sua vida. Nos labirintos que cercam seu atelier, entre plantas altas e densas, quase floresta, circula um ar úmido e verde, que veicula esses odores de saudade [minhas] e os impregnam nas calçadas bordadas em arabescos, esbarram em fontes e estátuas que surgem, sem mais nem menos, brotando sonhos e histórias plenas de alma. São recantos que abrigaram muita emoção. Tudo naquela casa foi construído palmo a palmo, azulejo a azulejo, tudo escolhido a dedo, pelo seu dedo. Tudo foi nascendo, de tela a quadro, filho a filho, neto a neto, sentimentos, e as portas e janelas foram se tornando vivas, com impressão digital, com braços que nos abraçam. Talvez habite naqueles jardins algum duende de boina marrom e olhos azuis, à semelhança do mestre, com seu caldeirão mágico inspirando-o a bulir com suas cores. O pincel - sua varinha mágica - jorra transparências e vida. Ele está em cada tela que pintou, imortalmente. Existe uma linha tênue entre encontros e despedidas. Vim me despedir, de novo. E de novo, encontro-o em minhas lembranças. Diz a cançao: " E assim, chegar e partir/ São só dois lados/ Da mesma viagem/ O trem que chega/ É o mesmo trem da partida/ A hora do encontro/ É também despedida/ A plataforma dessa estação / É a vida". Adeus Sr. Ianelli, sou sempre grata por seu carinho.
Encontros e Despedidas
Milton Nascimento e Fernando Brant

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida

19 de Maio de 2009

The Beatles, para matar a saudade

video

17 de Maio de 2009

Minha Flor de Maio no auge da florada




Agora, as flores abertas permanecem mais alguns dias, enquanto outras surgem temporão, e em breve termina o show do ano.

15 de Maio de 2009

Ainda as flores de maio


Uma por dia, homeopaticamente florindo meus olhos.

14 de Maio de 2009

Abissal

A enfermidade do universo me contagia
Minha alma está prostrada sobre um mar de ceticismo
Que produz imensas ondas de caos
Elas são gigantes... e fortíssimas!

A espuma com aspecto absurdo
Explode na arrebentação da minha lucidez
(minha trágica e odiosa lucidez)

Quisera eu ignorar as coisas todas do mundo
Como os peixes que habitam a profundidade abissal
Desconhecem o mundo e, ao mesmo tempo, o conhecem por inteiro
Pois que o mundo não lhes passa de uma profunda escuridão

Sem mistérios, ciências e hipócrita preocupação com o meio-ambiente
Apenas a pastosa escuridão
Densa, segura
E garantidora de sua sábia ignorância

Eu invejo as criaturas abissais
Sempre sonhei me alienar do mundo e sua decadência
Sempre quis me alienar de mim (da minha insignificância)
Anseio, sobretudo, me alienar desta coisa soberba e mesquinha
a que chamamos humanidade

Luana Bonone

9 de Maio de 2009

A escolha de Sofia

Lendo esta notícia, me lembrei do filme "A escolha de Sofia" em que situação semelhante ocorreu com uma mãe judia, pressionada pelo soldado nazista a escolher somente um dos filhos. Nesse caso, Wendy, professora universitária de Ribeirão Preto, cidade do interior de São Paulo, terá de escolher apenas 4 entre os seus 26 cães e gatos. Foi o Tribunal de Justiça de São Paulo quem determinou esse resultado na ação movida por ex-vizinha, que se dizia incomodada com barulhos. Além de processar a Wendy e deixá-la com essa terrível decisão, ela também se mudou. Caso Wendy não cumpra a determinação, terá de pagar multa diária de R$ 100. De acordo com informações, outros cinco vizinhos disseram que os animais são bem tratados e que nunca incomodaram. A professora afirmou à Justiça que fez melhorias na casa para reduzir o odor e barulho provocados pelos animais, castrou os bichos, construiu um gatil e manteve o local limpo. Mas não teve jeito, de acordo com o tribunal de justiça, a mulher fez uso anormal da propriedade e interferiu na vida dos vizinhos. Se fosse eu, estaria em pânico. A ex-vizinha e o senhor juiz deveriam, um dia, passar por essa triste situação. Foi justo?

A aura da Lua cheia

(foto de Ada dia 8 de maio de 2009)
Pela manhã, o céu esbranquiçado feito um leite, cheio de nuvens cirros, davam sinais de que cristais de gelo estavam na troposfera, trazidos pela onda fria vinda do sul. Mais à noitinha, bem no comecinho, um halo se formaria em volta da Lua. É a aura da Lua cheia. O anel de luz se forma a cinco ou dez quilometros de altitude na troposfera superior. Dependendo da forma e da orientação dos cristais de gelo, o tipo de halo varia. A luz da Lua é refletida e refratada pelos cristais de gelo e pode dividir-se em cores por causa da dispersão dessa luz, semelhante ao arco-íris. Ouvi tudo isso no rádio do carro, ao ir trabalhar. Quando anoiteceu, voltando da casa de mãe, com a gata dela miando e com tanto ainda por fazer, nem lembrei que hoje a minha adorada Lua me apareceria com sua aura, pois a minha estava alterada e nervosa. Passei uns maus bocados no trânsito da Marginal, sufocada por imensos caminhões fumaçantes e motos desvairadas buzinando passagem, com a Mimi miando assustada por causa dos barulhos estúpidos. Tive que fechar os vidros do carro e eis que uma crise de asma, muito forte, me desnorteou. Aspirei duas vezes a "bombinha" mas além de atacar rapidamente, ela demorou a passar e, assustada por não poder respirar, me estressei demasiadamente, não tinha onde parar o carro naquele caos. Seria meu fim, se não tivesse o remédio na bolsa. Uma eternidade depois, o ar começou a sair dos brônquios permitindo que novo ar pudesse entrar. Quase em casa, trêmula, mas bem mais calma, com a Mimi dormindo, olhei para o céu e deparei-me fotografando a Lua, linda, cheia, iluminando-me com a sua aura. Pensei que ela pertence aos namorados, aos vampiros, aos sonhadores e... (risos) à asmática aqui, que precisou dessa luz para recuperar o fôlego. Estou exausta!

Curiosidade:

A atmosfera terrestre é subdivida em cinco camadas com características próprias, de acordo com a distância da Terra.
Troposfera
É a camada mais próxima ao solo e atinge aproximadamente 12 km de altitude. É onde ocorre uma intensa movimentação dos elementos componentes do ar, como ventos, tempestades, chuvas, geadas e neve. É na troposfera que os seres e as plantas vivem e retiram o oxigênio e o gás carbônico para a sua sobrevivência.

Estratosfera
Esta camada inicia onde termina a troposfera e atinge 50 km de altitude. Nesta camada quase não existe oxigênio: o ar é muito rarefeito e as temperaturas são muito baixas, atingindo - 50°C. Na estratosfera, está localizada a camada de ozônio e o elemento gasoso predominante é o nitrogênio.


Mesosfera
A partir do final da estratosfera, encontra-se a mesosfera que se estende até 80 km de altitude. Nesta camada, a temperatura é muito baixa, atingindo - 120°C. É nesta camada que se realizam as pesquisas meteorológicas.

Termosfera
Esta camada atinge aproximadamente 640 km acima da superfície do solo e se caracteriza pela alta temperatura, a qual aumenta com o aumento da altitude, podendo chegar a mais de 1000°C nas camadas superiores. Na termosfera, as radiações ultravioletas da luz solar são muito intensas, decompondo as moléculas em átomos e íons. Por isso, é também conhecida como ionosfera. Essa camada é da maior utilidade pelo fato de refletir as ondas de rádio, permitindo a comunicação fácil entre regiões afastadas.

Exosfera
A exosfera é a última camada da atmosfera terrestre. Nesta camada o ar é extremamente rarefeito, constituindo o limite entre a atmosfera e o espaço cósmico. Na exosfera, a temperatura apresenta grandes variações, podendo atingir 2000°C durante o dia e caindo para -270°C durante a noite. O estudo das atmosferas da Terra e dos outros planetas só começou a ser desvendado com grande precisão graças às sondas lançadas nos últimos anos. De todos os planetas do sistema solar, apenas Marte parece ter uma atmosfera algo semelhante à nossa, contendo baixo teor de vapor d’ água e, possivelmente,
traços de oxigênio.

3 de Maio de 2009

O botões da minha Flor de Maio

Ela está preparando o meu presente do dia das mães. Faz isso há 30 anos, no mes de maio. Só que agora, com todo o esmero acumulado, consegue bordar mil flores.

2 de Maio de 2009

Cheiro de árvore

Descobri também, no meio desse tanto de asfalto de pixe e prédios desta minha cidade, um convento arborizado que exala um cheiro distinto que quando passo por ele, já bem noite, sei que a tal árvore está lá plantada, daquelas que se proliferam pelo litoral. Seu cheiro amargo, de coisa verde, arde a narina e é inconfundível. Costuma exalar à tardinha e permanece noite adentro e me deixa inebriada. Por mais que pesquise, não sei dizer que árvore é esta. A sensação de plenitude me vem à memória e nalguma área do cérebro, escondidinho, brota uma lembrança de brisa marítima, de um mormaço aquecendo os pés e de um por do sol alaranjado dourando tudo. Posso ouvir cigarras cantando a chuva. E nesse momento sou inteira e silenciosa. O brilho nos olhos é irrefutável (não conferi no espelho) vejo-o refletido na alma.

Essazinha, a tristeza

(foto Matilde Vieira)
Só esses bem-te-vis aos meus ouvidos, à seis da tarde, conseguem aplacar a ira da minha tristeza. Ela, essa tal tristeza, é minha conhecida há tempos, nem sei quanto, acho que já tinha nascido comigo, intrínseca à minha existência, quem sabe até antes de mim. Ou então é uma semente imortal que me deixa grávida, por diversas vezes, quando resolve se fecundar. O problema é que penso que ela adormeceu eternamente, ou então que está inócua, e esqueço suas maldades. Quando acorda, fecunda, costuma ser implacável comigo. Fico inutilizada, sem armas para travar um combate de igual para igual. Teve um tempo em que eu até achava que a dominaria. Ter a certeza de que tudo vai melhorar, com seu trabalho de formiguinha constante, crendo transformações e revoluções, te fortalece nessa batalha. Mas nem sempre essa aliada, a certeza, se predispõe a te ajudar. Ela costuma falhar nos momentos em que você mais precisa dela. A tristeza gera dúvidas. Ela tem aliados fortíssimos e imbatíveis. Esses aliados da tristeza, em contrapartida, desfilam diante de seus olhos, constantemente, ainda mais se os olhos são atentos, não há como fingir não ve-los. Eu bem que tento, mas a talzinha te joga na cara o quanto você é frágil nessa batalha. Te insulta com pobreza, abandono, destruição, fome, crueldade, injustiça, escravidão e guerras. E quer insulto maior do que a guerra? A tristeza é opressora. Ela me provoca tal rebuliço que parece tenho um pássaro preso esvoaçando dentro do peito. Ela me faz pensar que sou mais avançada que meu próprio tempo mas ri do meu azar que nasci em tempos ruins. A tristeza é ignorante. Elazinha, provoca uma inquietude tal, que me deixa com enjôos das pessoas que perambulam ignorantes pela Terra. Me deixa com enjôos de mim, me diexa assim fragilizada. Resolvo que gosto menos dessa gente do que de todo o resto que existe na vida, menos que as flores e os cães. Para me livrar dela, tenho que me entregar ao nada, fechar os olhos e desaparecer de mim. Preciso urgente não estar, não ser, não ver e não sentir e todos os infinitivos evocar. Ficar mouca aos sentidos, me dar por perdida. Preciso adormecer, fingir-me invisível, até que essazinha se definhe, sem alimento e, por fim, adormeça e fique por lá, não sei onde, mesmo que não seja de uma vez por todas.

Postado em 21/08/08 por Ada às 6:27 PM
Comentários feitos:
Francisco Castro disse: Olá, gostei muito do seu blog. Parabéns! Um abraço
21/8/08
*POPMüller* disse: A música... Adoniram! Maravilhosa e oportuna escolha com casamento perfeito com o texto. Doi n'alma!!!!!!!!!! Bjs.
23/8/08



Uma caneca de medir tudo

A caneca amarela que usei hoje pela manhã para regar as plantas da janela da cozinha, por incrível que possa parecer convive comigo há 32 anos. Constatei isso num relance, ao perceber que ela está começando a se rachar e o medidor de litro está quase desaparecendo de tão gasto. Naquele momento pensei em comprar outra e, em seguida, no quanto ela me foi útil e necessária nesses anos todos. Foi mais que isso, ela me acompanhou pela vida! É fantástico como os pensamentos viajam pelo tempo em pequenas frações de segundos. Uma simples caneca de plástico amarelo me remeteu de volta ao ano de 1977. Ela foi comprada pelo meu marido, e pelo Zé Luiz, nosso amigo, para medir líquido de revelação fotográfica, no tempo em que eles faziam fotos de tudo. Ainda tenho algumas fotos em preto e branco feitas por eles naqueles dias jovens e rebeldes. Minha filha estava em gestação na minha barriga e ao lembrar, agora olhando essa caneca, assim como se olha um filme, seria capaz de sentir os enjôos que tive e que as grávidas sentem. Um dia, lá naqueles tempos, usei a tal canequinha para medir o leite em pó que tomaríamos no café da manhã e o Zé Luiz profetizou que o bebê - ainda não podia saber que seria a Mayra - nasceria com cara de qualquer coisa que nao me lembro, mas que era engraçado... Qualquer dia preciso reencontrá-lo só para saber se ele lembra dessa história. De lá para cá, essa caneca me acompanhou em várias jornadas de trabalho, na cozinha medindo farinha, enxaguando janelas e azulejos, no jardim regando plantas, no banho dos gatos, mediu tanto açúcar, para tantos bolos, feitos nesses anos todos. Isso tudo, depois de medir os tais químicos de revelação, que assim foi se revelando uma caneca versátil. É impossível calcular quanta coisa ela mediu. Mudou de casa e de armário, me acompanhou sem que eu me desse conta, a não ser hoje pela manhã, em que foi capaz de me surpreender de como foi fiel todos esses anos de minha vida. Não creio que um outro objeto tenha sobrevivido comigo, tanto assim. Ela está se quebrando, gasta, desbotada, cansada, um prenúncio de que em breve chegará ao seu fim. Não mais terá essa função de medir tudo para mim. Ou terá? Quem sabe chegou a hora de poupá-la das suas tarefas costumeiras e preservá-la como uma estimada caneca de medir, daqui para frente, somente as boas recordações.

Postado em 25/10/2008 por Ada às 8:20PM
Cometários feitos:
Arqstein disse... Que interessante esse teu relato. Enquanto lia, ia lembrando de objetos que me acompanham e que reluto em me desfazer. Ainda hoje, ao olhar a canequinha de canetas, pensei em limpar. Mas dentro dela tem a primeira caneta de nanquim que usei na faculdade. Entupida, não serve mais, mas tem um valor sentimental que vale mais que a sua utilidade... Gostei de ler. Beijos Ele nara
25/10/08
Ada disse... Elenara querida. Obrigada por comentar os meus alfarrábios. Acabei colocando uma foto da minha caneca amarela no post que você gostou. Me lembrei dos utensílios de barro encontrados por arquélogos e considerando que o plástico vai levar uns 500 anos para se decompor, minha canequinha poderia passar por mais 6 gerações à frente! Só não quero colaborar com o oceano de plástico! Beijos
26/10/08

1 de Maio de 2009

A Telefonica não me entende

Disco 10315. "Olá! Bem vindo à sua central de relacionamento Telefonica! Se você deseja atendimento para o número hum-hum-cin-co-oi-to-oi-to-cin-co-no-ve-tres-qua-tro-cin-co por favor aguarde, senão digite o DDD, mais o telefone que deseja consultar. Se voce ainda não é cliente telefonica digite 3". Silencio. A voz parece que comeu pasta de amendoim e já me intui o que vem pela frente. "Para facilitar o seu contato, desenvolvemos um novo sistema de reconhecimento de fala. Por exemplo, fale: como faço para solicitar o speedy? ou, como faço para consultar minha conta? lembre-se, isso é apenas exemplo". Ah, tá, mas não pense que é assim rápido como você leu, é bbemmllennttammennttee. Falando ou não, ela dirá: "desculpe não entendi. Fale numa frase curta qual o motivo de sua ligação". Tenho que rir, ela insiste: "se quiser saber mais sobre esse atendimento, disque 2". Disco 2, porque aceito a provocação e quero conferir até onde vai a brincadeira. Pelo menos este atendimento não é daqueles em que a voz lista 14 opções e quando chega na sexta, você já esqueceu o que era mesmo que você queria. Então, ela repete tudo pastosamente de novo. Telefone com defeito! Digo pausadamente para respeitar o ritmo dela. "Você falou: te-le-vi-são". Eu não disse televisão! "Fale novamente". Meu telefone está com defeito. " Você falou: te-le-vi-são". Mas porque falaria televisão? Não falei não! Eu falei que o telefone está com defeito, está mudo, já estou perdendo a paciência. "Estou com dificuldades. Aguarde um de nossos atendentes". Até que enfim! Seja o que for que você disser, a moçoila com voz de amendocrem, não vai conseguir resolver e vai te passar para um atendente. Depois de uma eternidade: "Boa tarde, com quem falo?" Rindo demais, não consigo falar. "Em que posso ajudá-la? Ainda bem que a senhora é bem humorada, estou acostumado a estar recebendo (gerundismo é um outro capítulo) xingamentos a essas alturas". Pois é, agora entendi aquela propaganda que só entende Cochabamba no lugar de Bauru. Como é ridículo esse serviço. E como sou ridícula ao usá-lo. Acho que a Telefonica deveria voltar para a Espanha, com seu novo sistema que não reconhece fala alguma. Não há como reclamar. Continuo com o telefone mudo, há 10 dias, acumulando 3 protocolos de reclamações e, agora sim, nada de gargalhadas que perdeu a graça, mas um belo xingamento na ponta da língua nada parecido com coxambamba no 4º protocolo da coleção!

Viagens ao teto

Dorberto, um poeta amigo meu, escrevendo sobre esse assunto, me fez lembrar dessa minha aventura em desuso há tempos que é analisar o teto do quarto. Apurando os olhos vai-se distinguindo as imperfeições, invisíveis a olho nú, do cimento e dos movimentos imperceptíveis da trincha ao pintar, sempre de branco os nossos tetos. Na ociosidade dessa contemplação, é preciso aprofundar as possibilidades. Há que se ter um tempo eterno parado dentro dos minutos e não ve-los passar aos segundos e sim aos séculos. O homem da caverna já fazia esse exercício. A luz bruxuleante de sua fogueira projetava no teto e nas paredes os animais a serem caçados dentre os mistérios da noite. Depois de tudo explorado aos detalhes, há que se esticar na cama e deslizar com a cabeça até deixá-la pendurada. De cabeça para baixo consegues imaginar que o teto é o chão e o chão é o teto. Colocar seu mundo de cabeça para baixo não é fácil, é um exercício capcioso que reedita toda a compreensão que se tem do mundo. Assim, a lâmpada ilumina de baixo para cima e há que pular as portas. O teto é carregado de objetos que a qualquer momento podem cair-lhe à cabeça... tens que andar descalço pois o piso é todo branco meu amor. As janelas são baixinhas e tens que exercitar andando além do quarto... além do hall... além das escadas... até passar os portões da rua e ganhar, então, o céu!
(Postado originalmente em 20 de julho de 2008 por Ada às 7:40)

Comentários feitos
Beth disse... Olá Ada! Muito interessante o seu blog! E pelo visto temos algo em comum! Os gatófilos se encontram em qualquer lugar, não? Adorei o irmão gêmeo do Bilbo! Abraço!
21/7/08
Andre Luis Aquino disse... Viajar pelo teu mundo é um pouco como viajar pelo meu. Eu também ando as voltas com as voltas do tempo. "Seu tempo mandou perguntar quanto tempo o tempo tem." Uma menina que já foi minha menina brincava com essa musiquinha.No fim o tempo transforma tudo em tempo. Um abraço grande!
21/7/08
Dorberto disse... Vi, li, gostei muito. É de uma delicadeza segura, coisa de quem escreve bem.
22/7/08
Elder disse... Temos aqui uma escritora. Por que você não está no prosa@poesia do Vermelho? Linda a condução do texto que, invertendo-nos, insta-nos a caminhar no céu e a rever nossas assentadas referências.
26/7/08
Mayra disse... Mãe, como não apreciar seus escritos??? Impossível! É gostoso de ler, faz a gente viajar nas palavras como se estivesse vendo tudo que descreve logo ali na frente. Parabéns, mamãe! Enorme beijo!
27/7/08

27 de Abril de 2009

Segunda-feira

(Foto de Ada)
"Os bebezinhos da Mimi "
Segunda-feiraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.argh!!!

25 de Abril de 2009

Grafite no Minhocão




(fotos de Ada)
Grafites no Minhocão, Av. Amaral Gurgel, São Paulo, março de 2009.

23 de Abril de 2009

Fuga

Saindo às ruas hoje, me deparei com um céu cinzazul-chumbo-pesado-opressor refletido no retrovisor do carro. À frente, um céu claro e reflexos do ainda calor. Me senti ameaçada pela onda fria que vinha do sul, atrás de mim. Um antepassado longínquo aflorou, ele conhecia bem as intempéries pois com elas teve que lutar para sobreviver todos esses milênios de evolução. Esse antepassado, de geração em geração, foi repassando o aprendizado e agora essa memória bole no meu estômago... Um arrepio roçou a espinha. A eletricidade trincava o céu atrás de mim, e choviam folhas de outono, desesperadas pelo asfalto, concorrendo comigo o espaço adiante... e adiante fui seguindo com elas, sobre elas, além delas, e mais apressadamente, com a sensação de que precisava fugir do mau presságio que as tempestades sugerem. A sensação nítida de correr do inimigo era a claridão à frente e a escuridão atrás. Estava perdendo terreno. As árvores do caminho, já açoitadas pela ventania, avisavam que o vento avançava à minha frente. Incapazes de segurar suas folhas, já mortas pela estação, elas sucumbiam ao breve aguaceiro. Em breve, também a escuridão me alcançaria. Me cobriria de noite fria. Não é medo, ou é medo. É uma precaução. É um cuidado. São lembranças de que morrem gentes, soterram-se em lama, afogam-se em rios, assolam-se casas... Quase perdi minha filha no terceiro mes de gravidez, porque descalça e molhada, tomei um forte choque dum raio que esturricou uma copada árvore "chapéu de sol", na praia, bem à minha frente. Mas hoje, cheguei sã e salva, com alguns pingos pingados me molhando as costas e tiritando de um baita frio pairado pela cidade. Saberei depois, quando sair da toca, se minha saga se justificou ou se foi tempestade em copo d´água.

21 de Abril de 2009

Arquitetura que resiste


Casarão na Rua Caio Prado sentido Av. Consolação, São Paulo. Em 26 de março de 2009.

20 de Abril de 2009

Vinícius de Moraes: De pombos e Gatos

Um dos meus grandes encantos em Florença, onde, em 1952, passei cerca de um mês, era ver da janela do meu quinto andar, no Hotel Nazionale, a madrugada toscana romper sobre a piazza Santa Maria Novella. Habituei-me de tal modo a isso que, nos meus hábitos de noctâmbulo, esticava a noite até o amanhecer, só pelo prazer de ver a luz rósea do sol florentino descobrir e incendiar os mármores da fachada da igreja de Santa Maria Novella, bem como o claustro verde que fica à sua esquerda e as elegantes arcadas do fundo, onde existem as terracotas de Andrea e Giovanni della Robbia. Mas o prazer desse minuto de luz acabaria por resultar monótono, não se lhe seguisse um dos mais extraordinários divertissements a que já me foi dado assistir, misto de balé, cinema e circo romano, sem falar que cheio de ensinamentos sobre a vida e arte de viver perigosamente. O caso é que, aos primeiros vestígios de luz, começava-se a ouvir por ali em torno um brando ruflar de asas que, com o despontar do sol, crescia num espesso burburinho ao qual vinham se unir doces arrulhos. E o ambiente, em suas cores rosa, verde, laranja e terracota, adquiria uma maciez de plumas; e logo asas brancas e trigueiras começavam a tatalar em largos vôos e algumas desciam em vôos rasantes; e toda uma população de pombos, habitantes daqueles mil escaninhos, como só pode proporcionar a arquitetura antiga, vinha pousar na praça. A coisa ficava assim por uns poucos minutos; e em breve apareciam, infalivelmente, no belo logradouro, três padres e cinco gatos. Cabe dizer, em nome da verdade, que os padres chegavam bem menos sorrateiramente que os gatos e, estou certo, com intenções muito menos maléficas; pois se vinham os padres para se aquecer um pouco ao sol e ler seus breviários, os gatos surgiam, esgueirando-se das ruas laterais, para cumprir uma fatalidade do seu destino, que é de comer pombos. E com a malícia que lhes é peculiar, colocavam-se pacientemente em posições estratégicas, sob automóveis encostados ao meio-fio, à espera do momento azado para o bote. Deus sabe que, entre gatos e pombos, eu sou francamente pela primeira espécie. Acho os pombos um povo horrivelmente burguês, com o seu ar bem-disposto e contente da vida, sem falar na baixeza de certas características de sua condição, qual seja a de, eventualmente, se entredevorarem quando engaiolados. Mas no caso especial da piazza de Santa Maria Novella, devo confessar que era torcida incondicional dos pombos; e só passei a torcer pelos gatos no final, quando, defrontado com a realidade de sua terrível humilhação, e provável neurose subseqüente, achei que não faria nenhuma falta à comunidade a desaparição de uma meia dúzia de columbinos, em beneficio do sistema nervoso dos pobres gatos. Pois era quase doloroso ver o fracasso constante de suas desesperadas tentativas de caçar um pombinho que fosse. E garanto que eles empregavam todas as técnicas tradicionais dos gatos, desde a paciente emboscada, até a carreira às cegas, com saltos desordenados para todos os lados. Tudo em vão. Porque, a cada arremetida, os pombos limitavam-se a dar pequenos vôos que criavam verdadeiros túneis para os gatos, que os percorriam em furiosas e inúteis investidas. E o pior é que cada pombo, passado o rojão, pousava como se nada tivesse havido, e continuava na sua estúpida ciscação do chão da praça, na mais total indiferença diante de seu velho inimigo. Coisa que, positivamente, devia deixar os gatos loucos. Haja visto um que um dia eu vi, depois de numerosos ataques frustrados, a morder como um possesso o pneu de um Chevrolet, e por cuja sanidade mental não poria da maneira alguma a mão na Bíblia.

17 de Abril de 2009

Alcaçuz

Esse sabor, perdido no tempo, ficou adormecido no cérebro. Passaram-se 45 anos - tanto tempo - para que o licor doce-amargo, peculiar sabor de aniz e extremamente estimulante, viesse á tona. Diz a ciência que quando alguma coisa é gravada em nossa memória, permanece para sempre. Nós algumas vezes "esquecemos" alguma coisa, mas o que acontece realmente é que não sabemos como achá-la no enorme sistema de armazenagem do cérebro. Provavelmente o caminho usual não é o mais efetivo, porque não tem sido usado o suficiente. A informação que procuramos permanece arquivada até que possamos alcançá-la por outro caminho através do cérebro. E não sei o caminho percorrido que provocou essa memória armazenada, mas minha língua estalou, o maxilar contraiu, a saliva abundou e aposto que um brilho úmido faiscou meu olhar. Toscamente, a cena principal do momento exato em que lambia um pirulito de alcaçuz, surgiu como um lampejo do tempo. Campielo del Forno é um páteo, (entre os vários) formado por casas à sua volta, na ilha de Giudecca, em Veneza, na Itália. Me lembro d´uma fonte que jorrava água fresca e que me parecia muito linda, ficava no centro dos páteos. Passei alguns meses alí com meus pais, aos nove anos de idade. Foi a época mais estimulada e rica em aprendizado de minha vida. Aprendi a andar de bicicleta, de patins, a nadar, a falar italiano e admirar as lindas paisagens dos canais, cheios de gôndolas e gondoleiros com suas camisetas listradas de vermelho. Fora a viagem de vários dias no navio "Frederico C" que é um episódio à parte. Conheci meu nono. Ele comia pão molhado no vinho tinto, no café da manhã, e minha nona Emma, tão pequenininha e delicada, os primos e tios, para meu espanto, beijavam na boca ao cumprimentar, inclusive a mim. Todos os dias, em minutos, caminhando à pé, alcançávamos o cais onde o "vaporetto" nos levaria do outro lado do canal, para as piscinas (um cercado no pedaço do mar) em que aprenderia a nadar. Antes de embarcar no vaporeto era sagrado parar na doceria e comprar uma barra de alcaçuz. Essa barra preta, doce, borrachuda, mastigável, inconfundível, durava o tempo da viagem e também durou todos esses anos em algum lugar do meu "coração", que é o lugar de quem sente saudade. A delícia de andar sobre o canal de Veneza ficou intrinseca à delícia do alcaçuz. Acho que o alcaçuz era desde os primórdios e desde então, uma essência inerente à minha alma, só não me dei conta. Corria nas minhas veias, misturada ao sangue, despertando meus sentidos todos, minha alegria, minha calmante euforia de viver. O aroma é inconfundível, seria capaz de flutuar no seu rastro invisível. A palavra enche meus ouvidos simpaticamente e gostosamente pronuciável sugerindo um suspiro. O sabor permanece na garganta por muito tempo depois de engolido, feito um perfume que fica impregnado na pele. Esse prazer tão especial aflorou e me fez sair em busca da repetição. Por ser importado, encontrei o alcaçuz em formato de balinhas, no mercado Sta Luzia, da Alameda Lorena. Vêm em latinhas mimosas e coloridas escritas em italiano "Liquirizia" e na versão de gomas açucaradas, vindas da Alemanha. A barrinha ou as tiras enroladas ainda não as encontrei, apesar da busca incessante. O alcaçuz é extraído da raíz adocicada da planta, família das leguminosas, ricas em glicirrizina e das quais se extrai um xarope adocicado e perfumado. Mas tem coisa que não adianta explicar, tem que viver e sentir. Nesse caso, poder reviver o sabor do alcaçuz foi a possibilidade de nunca mais ter que esquecer esse prazer indescritível, adomecido por tanto, esse tempo vivido intensamente onde a felicidade existiu, saborosa e perfumada.

8 de Abril de 2009

Filosofia de Dona Estamira

Hoje, caminhando com meu cachorro Caillou, como faço quase todos os dias, me deparei com a filosofia no muro. Fui por vários quarteirões com a frase na cabeça, tentando interpretá-la. As palavras ficaram em circuito no cérebro, feito faísca, provocando choquinhos, daqueles que se toma na torneira do chuveiro. Fiquei pensando em quem e porque a pixou no muro... Muito dialética a frase. Tem sabedoria que se percebe popular, sem toque teórico. É correto dizer que imaginando alguma coisa, que talvez nem exista no meu universo de conhecimento, que o movimento de imaginar ou que a existência da imaginação que me faz criar algo, a torna matéria. Ela passa a existir. Portanto, "tudo que é imaginário, existe, é e tem"... fantástica essa Dona Estamira! Daí pensei em quem era Dona Estamira. O que eu não sabia é que essa tal dona existe de fato e não é imaginação de quem escreveu a frase no muro. O filme dirigido por Marcos Prado, diz que Estamira é uma mulher de 63 anos que sofre distúrbios mentais e que durante 20 anos viveu e trabalhou no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho no Rio de Janeiro. Carismática e maternal, Dona Estamira convive com um pequeno grupo de catadores idosos num local renegado pela sociedade, que recebe diariamente mais de oito mil toneladas de lixo produzido no Rio de Janeiro. Vencedor de 33 prêmios nacionais e internacionais nos principais festivais de cinema, sucesso absoluto de crítica e documentário de maior público nos cinemas brasileiros em 2006, Estamira levanta questões de interesse global, como o destino do lixo produzido pelos habitantes de um metrópole e os subterfúgios que a mente humana encontra para superar uma realidade insuportável de ser vivida. Dona Estamira vive em função de sua missão: "revelar e cobrar a verdade dos homens". Do lixo da civilização, ela supera sua condição miserável e coloca em questão valores fundamentais, muitas vezes esquecidos pela sociedade. Ufa! E assim caminhamos, a humanidade! Uma frase pixada num muro, ao lado de minha casa, na periferia de São Paulo, que seria apenas um registro curiososo para o blog, me tirou da ignorância a respeito da senhorinha e de sua fantástica filosofia de vida. Já encomendei o filme e estou louca para assistir!

Um gato entre molduras



Nenê tem 9 anos. Um frajola manso e falante. Foi criado alí, no meio das molduras e quadros e pinturas. Sociável, pois além de molduras, há muita gente que entra na loja e deseja-lhe um bom dia com direito a cafuné. Mas ele não foge? Se a gente não cuidar dele, é demissão no ato! Ele sobe no balcão quando quer comer e o funcionário escolhido é quem lhe serve a ração. Assim avisa que tem fome e ganha seu carinho. É um belo de um dorminhoco, pois não é toda hora que a gente o vê deitado na entrada da loja, embrulhadinho feito um buda, ou esticado sobre o capacho, observando os transeuntes. Vira e mexe ele está se olhando no espelho que, se vendido, é imediatamente substituido, garantindo seu narcisismo. Se tiver sorte, pare no número 2002 da Rua Marques de Itu e confira. Eu já conquistei a intimidade de entrar na loja e procurá-lo nos esconderijos aos montes que ele arranjou para dormir em paz. Afinal gatos dormem 18 horas por dia. Longe de casa e dos meus bichanos, às vezes bate a vontade que tenho de gato, então entro na loja e falo com ele. Mesmo dormindo numa pilha de molduras ele sempre me responde com um miau de boa vontade e uma fantástica espichada no esqueleto. Fico toda-toda pois ouvi dizer que quando um gato se espreguiça à sua frente, ele está reverenciando-a. Bobagem! Humanos acham que são a espécie mais importante do universo e que todas as outras lhe devem favores... na verdade ele é sabio, isso sim, pois espreguiçar-se alonga seu corpo preparando-o para o que sabe de melhor fazer, saltar atrás de sua caça. Numa loja destas, ele deve cumprir bem seu papel de caçador de ratos e insetos invasores! Nenê é minha atração preferida no centro da cidade. A oportunidade é quando saio para tomar um suco natural lá na Praça da República, no meio da tarde, e passo na loja de molduras. Imperdível dar-lhe um afago. Principalmente no meio do expediente!

6 de Abril de 2009

Angústia

Tenho um pássaro agitado revoando dentro do peito que se debate desesperadamente tentando sair.

5 de Abril de 2009

Desenhando o Mundo

Gostava de desenhar, acho que como toda criança gosta. Me lembro de uma certa paisagem que me esmerava em aprimorar sempre mais. Essas paisagens iam para o mural da escola entre os melhores desenhos da semana. Iam todas as semanas. Iam sempre. Orgulhosa, caprichava nas perspectivas, nas sombras das montanhas que sempre escondiam um sol que era sempre amarelo, mesmo sem a noção se ele nascia ou morria alí, com seus raios em riste, às vezes ondulados, que imensamente cortavam o céu sempre azul, furando algumas nuvens gordas esbranquiçadas. Sempre plantava uma árvore ao pé da serra. Às vezes eram bananeiras, outras, coqueiros. Pesquisava antes, o formato das folhas, para não fazer feio. Macieiras tinham de ser carregadas de frutos. Não sei dizer se eram urubus ou gaivotas, mas bandos desses pássaros desenhados em V, cortavam o céu, os da frente bem pequenos e os detrás maiores, davam a perpectiva de que iam ou vinham fugidios do inverno... às vezes adicionava novos elementos, um lago ou um rio que vinha das montanhas, alguns patinhos... e eu sempre andava por alí, como se diminuísse de tamanho até caber na cena. Vivia literalmente na paisagem enquanto a desenhava. Não sei se vi de fato essa paisagem, talvez num livro, numa revista, ou sabe-se lá se de verdade, já que nasci telúrica, mas ela foi reinventada por mim naqueles tempos de primário, acho que no segundo ano, no colégio de freiras do qual não gostava nem um pouco. Uma coleguinha almejava esse feito. Quem sabe, ainda hoje, aquela que foi minha coleguinha, não saiba desenhar... onde estará? Mas então, em solidariedade e no afã de que ela pudesse ter o seu dia de mural, assinei seu nome num desenho meu e o presenteei. Ele foi para o mural, como supúnhamos. Ficamos as duas muito orgulhosas, ela com o sucesso e eu com a sensação de ter feito um bem. Nem sequer pensamos que alguém notaria a fraude e, claro, não pudemos esconder a verdade por muito tempo - creio que por nenhum - visto que o desenho era muito peculiar e nós, muito inocentes. Uma noviça, quem sabe encarregada de apregoar as bondades de deus pelo colégio, me abordou no recreio, no dia seguinte. Me falou sobre as divindades, trindades, bondades, os dez mandamentos de Jesus mas, até hoje não sei dizer se me criticava por ter mentido ou se me elogiava por ter feito uma colega feliz. Uma perfeita incógnita, mas sei que era um recado e que não me convenceu. Acho que foi daí que soube que a religião não explica nada sobre as coisas do mundo.

Meu cão é uma obra de arte

Uma mão habilidosa pegou num pincel
e torceu em contornos um rabinho
que de porquinho só parece
mas ao caracol engana direitinho
*

Esticou orelhinhas atentas
e de marrom tingiu
Mas deixou escorrer uma aguada
e à face esquerda deu um perfil

*

De tão alegrinho que ficou
de pirata se fantasiou
para brincar o carnaval
foi a natureza que o inspirou

*

Tão alvinho que dói nos olhos do sol
foi o artista quem decidiu
ao juntar todas as cores
tão branco o definiu

*

Empinado e altivo
parece também um cavalinho
trota as patas com agilidade
sobre pretas almofadinhas

*

Com um sorriso nos lábios
exibindo boa dentição
nunca ninguém viu
tão simpático cão

*

Recebeu de nome, Caillou
nas diminutivas Cuqui e Caiuzinho
na pressa, Cacá
mas em todas elas, um amorzinho

*

De versos e rimas pouco entendo
mas ao artista precisava homenagear
por tão bela obra de arte
por tanta alegria de amar!
***
6 disseram alguma coisa:
Rosângela Carvalho disse...
OLá Gostei muito do que diz seu perfil...é aquele negócio de parecer com a gente...então vim lhe visitar...gostei...gosto de blogs...tenho 3...mas o q mais gosto é esse, visite-o se der vontade...http://ps.alcantara.zip.net/parabéns pelo teu espaçorose
10/1/09
Arqstein disse...
Que fofo ! Imagino que belo cão deve ser e que alegrias dá para proporcionar uma inspiracão poética !Obrigada pela sugestão de pauta para o meu fotolog. Já escrevi algo a respeito do que me mandaste.BeijosElenara
10/1/09
Maria Elisa disse...
Amada Ada,O Caillou esta lindissímo,efeito do imenso amor dedicado por você.Achei muito inspirador o poema feito a ele.Tem sido um aprendizado suas palavras.AbraçosElisa 10/01/09
11/1/09
Marcia disse...
Nossa Ada, não conhecia esse teu lado, amei, muito meiguinho e é a cara dele tudo o q vc fez.parabéns.bjs para a artista e para o filhinho.
11/1/09
Loja Germinar disse...
Muito lindinha a poesia. E achava que vc só gostava de gatos. Todos são adoráveis.A natureza caprichou em todos eles. Pena que boa parte da humanidade não sabe amá-los e respeitá-los.
12/1/09
Vivi disse...
Oi, Ada!!Que poesia linda, minha amiga! Vê-se que saiu direto do seu coração...Dá prá sentir a sua felicidade e seu amor por ele em cada linha.Beijos,Vivi
15/1/09

4 de Abril de 2009

Lua minguante e seu amante

Esses Haicais fiz para a Lua e para um amante dela.
Tanto falou da Lua que quase dormi na rua...
@
Ele liga e diz
Lá está a Lua ela é sua
Mas ela fugiu
@
Ele gosta dela
Lua muito mais que eu
bateu gelosia
@
Ele escreve a Lua
Fala da luz para mim
Eu vi-a sorrir
@
A Lua pisca
Ele a segue olhando
conquistado está
@
Lua minguante
não adianta s´esconder
Ele vai te encontrar
@
A Lua brilhou
Imagino seu sorriso
tudo branqueou

3 de Abril de 2009

Grafite na Rua Itapeva


Rua Itapeva São Paulo, muro do Hospital abandonado.