“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

21/06/15

A minha companheirinha Grampola se foi

Grampola * 19/4/97 * 20/6/15 *

A minha companheirinha se foi. Acabou de partir embrulhada em meus braços. Relutou, relutou; relutei, relutei; não queria ir de jeito nenhum, e não queria que ela fosse. Lançou mão de sua sétima vida, não por mim, não por ela, mas porque a vida é assim, tem vontade própria. Impõe um limite. Preciso aprender a aceitar as perdas.

Minha vida permeada de perdas e partidas sempre me colocam na mais frágil das situações. Faz-me refletir sobre as perdas de diversas formas, não só dos que se foram desta vida, também dos que se foram de minha vida e deixaram saudades, dores, mágoas, lembranças boas. E assim vou acumulando todas elas, todas incapazes de me ensinar a endurecer...

Grampola, você é mais que uma estrelinha agora no céu. Você foi, desde sempre, uma constelação. Dois olhos brilhantes e azuis que cintilavam intensamente quando nos meus miravam. Você me falava com os olhos... Até o fim, nos seus suspiros de morte, você me fitava como se quisesse me dizer algo. E sempre me questiono, será que te compreendi?

Afinal, 18 anos são uma vida longa para você, cheia de sabedorias, geniosa, alpha, miúda e guerreira. Batia no cachorro e nos gatos e todos a respeitavam. Lambia carinhosamente também, maternal. Meu colo era seu, só seu, porque decidiu isso e ninguém questionava ponto final. O vazio que ficou desse momento quase sagrado entre nós, um ritual diário, estipulado por você é justamente a lembrança viva de sua presença.

Ai, meu amor, como dói a sua ausência. O que mais desejei foi evitar seu sofrimento, no entanto quem mais está sofrendo sou eu. Descansa meu benzinho. Te amarei prá sempre.

(Grampola * 19/4/97 * 20/6/15 *)

10/06/15

Os becos da casa

corredor que deslizo sonada a lã das minha meias...

Janelas fechadas desenham penumbras e lembranças. Nas sombras da madrugada, descubro becos pela casa. Escondem risos, choros, coisa que passou, cheiram a fruta madura. As paredes mudaram de cor e a umidade do inverno continua embolorando uma saudade qualquer. Sei de cor as fotografias da parede, um gato dorme no sofá e o teto range a cadeira do vizinho. O antúrio carregado de vermelho pede água. Tudo tem tanta alma, tanta poesia e labor. A idade das coisas permanece impressa em seus significados e cada coisa em seu lugar tem uma impressão digital. Nada aqui tem apenas eu e tudo aqui tem apenas eu. Sonambúlica percorro o corredor, esfregando a lã das meias no assoalho, tateando portas, num bocejo triste. Os pensamentos languidamente vagueiam por estes becos da casa, impregnados de mim. (Ada, 30/5/2010)

08/06/15

Capelinha de Melão


"Capelinha de melão 
é de São João, 
é de cravo, é de rosa, 
é de manjericão, 
São João está dormindo, 
não me ouve não,
acordai, acordai, 
acordai João"

É um costume antigo homenagear São João no dia 24 de junho com uma capelinha feita de melão, cravo, rosa e manjericão. Exatamente como na música!

Mas sempre me intrigo com a origem das coisas populares, que vão se modificando ao longo do tempo e a gente nem sabe mais porque... e encontrei essa história no Blog Colhendo Historias..




07/06/15

Pagú, gatinha resgatada

Pagú, resgate em 26/3/15 com 45 dias. Adotada em 25/5/15 Ninhada com 5 gatinhos

Um pateozinho em flor

"Pateozinho acordou em festa! Flor de Maio acompanhada de dois botões a prometer flores e uma outra escondidinha flor, descoberta por coração alerta e atentos olhos, após a chuvarada num sábado de sol e reflexões...

O pateozinho nos faz recolher palavras, despejar sentimentos e pensamentos. É recompensa dos deuses, consolo no prazer de escrever. Ele se comunica com o Universo,  e as luas todas fazem dele sua morada, das madrugadas ao amanhecer dos dias. Conforto cotidiano, em silêncios, sorrisos e segredos..."

(Jussara Cony  e Zaira Catarelli sobre seu pateozinho em flor)

O pateozinho de Jussara está em conexão com meu quintalzinho pleno de flores avulsas e solitárias que trazem o mundo todo em cada pétala...

São Antúrios, Manacás, Azaleias, Gerânios, Margaridas, Camélias cheirosas, Ibiscus, Flor de Maio, Cravos, Rosas amarelas...


Ada, 6/6/15