
12 de Julho de 2009
Quinquagésimo quinto

9 de Julho de 2009
São Paulo debaixo do lixo
Construir é bem mais complexo e demorado, requer inteligência. Destruir é rápido, instantâneo e burro. As meninas que trabalham na área de saúde do meu bairro, passaram uma manhã inteirinha para limpar o lixo da pracinha, 16 pessoas num trabalho voluntário e digno. Cuidar da saúde implica em saneamento. Mas em 5 minutos, vem o primeiro vizinho e joga seus sacos de lixo, não se importando se é sábado, domingo, ou se o caminhão do lixo acabou de passar. Foram encontradas até seringas usadas pela farmácia da rua! Ou seja, existe a taxa do lixo especial, mas não existe quem venha buscar o lixo? Ou então, a farmacia não paga a taxa do lixo e fica por isso mesmo? Os cães abandonados - são muitos - pelo menos têm onde comer resto de comida suja com papel higiênico. Absurdos inaceitáveis na cidade mais desenvolvida do Brasil. É bem difícil exercer a cidadania, denunciar, reclamar, reivindicar. Não existem mecanismos para este exercício. Não temos voz. Há muita impunidade, de cima a baixo. Tenho vergonha de morar num bairro assim. Tenho vergonha do Prefeito, que não cuida dos bairros, da cidade e de seu povo. Precisamos preencher, cada vez mais, todas as vagas existentes nos cargos públicos - não algumas poucas apenas - com cidadãos comprometidos com o progresso, com a prosperidade de todos... e isso requer organização popular!
3 de Julho de 2009
Lua, nua e linda

Não! Não é queijo suiço! Mas nem precisaria tomar uma garrafa de vinho para imaginar-me viajando em volta desta paisagem, fantástica, instigante, misteriosa, a Lua... Essa é a última foto dela, tirada dia 23 de junho passado, pela sonda Reconnaissance Orbiter, numa região no pólo sul lunar chamada de Mar de Nuvens. As primeiras imagens foram tiradas no limite da Lua que é dividido entre a luz e a escuridão. A região possui uma surperfície íngreme e inóspita. Os objetivos principais desta visita da sonda lunar são ajudar a encontrar locais de aterrissagem seguros para os astronautas - que devem ser enviados à Lua até 2020 - e planejar como construir uma base no satélite. Bom, em 2020 pretendo estar com 66 anos e poder ter saúde para tomar um vinho, neste dia, e ver os astronautas pousarem flutuantes mais emocionados que eu, que pretendo estar sonhando com a Lua, como hoje, já que um dos meus pés sempre dão um pulo até lá! Mas usando a razão, fico pensando: vão construir uma base na Lua? Os americanos... em breve poderão jogar bombas, direto de sua base, na Terra toda!?
2 de Julho de 2009
Gata Frajola
Essa "coisa" completa hoje 9 semanas. A chuca e o leite materno em pó, deram conta do recado. Não só isso, é claro, tiro o chapéu para Elaine e Dona Rosa, que resgataram-na e pacientemente alimentaram-na desde seus 7 dias de vida. Hoje ela foi para São José dos Campos, com seu adotante. Deixou atras de sí, um monte de coraçõezinhos suspirando... que ela siga feliz e vitoriosa sua jornada felina.
28 de Junho de 2009
Eu escrevo para me livrar de mim
(A caixa de Mate Leão, naquele tempo, era de madeira e um leão rugindo vinha entalhado nela)Não sei como ele apareceu. Acho que foi um brinde pelo dia da criança, ou promoção de um supermercado qualquer. Sei que a história começa na hora de dormir. Ele piava muito, com frio, longe das penas de sua mãe. Era miudinho, amarelo adocicado, macio, apaixonante. Sentiu-se tão quentinho debaixo das cobertas que apenas chilreava baixinho, em agradecimento, como ronron de gato. Fechava os olhinhos pela metade, como se quisesse dominar o sono e o cansaço de uma jornada inexplicável e incompreensível, desde a quebra do ovo.. Buscava aquecer seu bico diminuto, cor de rosa, esfregando-o em mim, como beijinhos. Aquele pripripri era sua história, uma história comprida que não acabava mais. Parecia que todo esse tempo, desde a quebra do ovo, passando pelo incômodo amontoado dentro de uma caixa de papelão e agora, o conforto de minhas mãos, eram uma história interminável. Enfim, ele se cansou de contar contos de me fazer dormir e dormimos sem sonhar. Ao acordar é que tive o pesadelo: o pintinho estava morto. Amassado. Sua imobilidade foi um pedaço da minha própria morte. A morte vem aos pedaços na gente. A cada desilusão, culpa e tragédia, um pedaço da nossa morte nasce e vão se encaixando como num quebra-cabeças, uns nos outros ao longo das nossas vidas, até que ela possa se consumar um dia qualquer. Naquele momento, morremos os dois. E a constatação desta morte aconteceu em câmera lenta. Fotografou sua cena trágica, tanto que posso vê-la no álbum de recordações. E existiu o chorar, existiu a dor, existiu um sal cortando a face, existiu uma flexa sangrando o peito. Entre isso e o enterro há um hiato, não lembro. A caixa de chá mate leão naquele tempo era de madeira e trazia entalhado um leão rugindo e tinha tampa que se abria feito estojo escolar. Exalava perfume de mate e era perfeita para "abrigar" meu pintinho morto, tão infeliz. Preenchi todos os espaços com algodão e lágrimas. Fui a coveira e a florista e a rezadeira e a carpideira, e entre todas estas personagens, existia uma culpa imensurável. Ficaram tantos porquês aos berros em meus pensamentos que quis mudar de assunto. Há porquês demais sem respostas. Mas hoje precisei escrever sobre isso para me livrar de mim. Feito a Clarice Lispector que dizia, "Eu escrevo para me livrar de mim.” ...
Tem que cair a ficha e gritar: ALÔ
No site tem mais informações:
Leia em
http://www.quintaldesaofrancisco.org.br/abrigo_fechamento.html
Em março de 2010, a ONG Quintal de São Francisco encerrará as atividades do abrigo de cães e gatos que mantém na região de Parelheiros, há 50 anos. Assim, precisamos da fundamental AJUDA de cada um de vocês para que nossos animais sejam adotados por famílias responsáveis que possam oferecer-lhes um lar. Com certeza cães, gatos e humanos ganharão muito nessa troca. FONE: 2062-8263
Visite
www.quintaldesaofrancisco.org.br
quintalsaofrancisco.multiply.com/
26 de Junho de 2009
Michael Jackson fez uma canção para a Terra
Se pudesse fazer voltar o tempo, como sonhou Michael neste vídeo, faria também revive-lo. Fazia-o voltar ao seu tempo de criança, cheio de sonhos ingênuos, longe da destruição, e mudava o rumo que caminha a nossa vida, a nossa morte. Não teve jeito, assistir a este vídeo "Earth Song" me fez chorar sentida, por tudo. Fez também minh´alma gritar a mesma cançao.
12 de Junho de 2009
Testando postagem pelo windows live writer
Meu computador abriu o bico dizendo que sua memória virtual mínima anda muito baixa. Deu uns piripaques e sumiu com arquivos e até com programas. Cá estou tentando convencê-lo a trabalhar mais um pouquinho, antes de se aposentar. Atualizando alguns programas caquéticos, descobri esse aqui no qual estou escrevendo minha postagem. É o windows live writer. Uma janelinha que me traz ferramentas, eticétera e tal, que vou testar se funcionam.
1º teste: Inserindo um hiperlink para uma ONG muito legal que cuida dos animais e atua há mais de 15 anos, em Cotia-SP, auxiliando o Poder Público e respectivos órgãos ambientais 24 horas por dia, para amparar animais apreendidos de tráfico, circos, vítimas de maus-tratos, etc. A manutenção dos recintos, alimentação, medicação etc e a propagação da educação ambiental são as principais atividades da ONG (vejamos se o link funciona?): Santuário Ecológico Rancho do Gnomos em Cotia
2º teste: Inserindo uma imagem do meu computador que nem preciso falar nada, sei que vou ouvir seu pensamento ou sua voz mesmo, dizendo assim, ó: ahhhhhhh!
3º teste é sobre álbum de fotos…
Grata surpresa, rapidinho selecionei as fotos e ele apresentou desta forma acima…
4º teste: Tabela..
| 12 Ong´s para adotar um bicho | 20 mil a 1,5 milhão abandonados |
| Loucos por bichos | www.loucosporbichos.net |
| CCZ-SP | www.prefeitura.sp.gov.br/zoonoses |
| Adote um Gatinho | www.adoteumgatinho.org.br |
| Quintal de São Francisco | www.quintaldesaofrancisco.org.br |
| Projeto Cel | www.projetocel.org.br |
| UIPA | www.uipasp.org.br |
| Bicho no Parque | www.bichonoparque.com.br |
| Solidariedade a Vida Animal | www.sava.org.br |
| Adote um amiguinho | www.adoteumamiguinho.org.br |
| Anjos dos Bichos | www.anjodosbichos.com |
| União SRD | www.uniaosrd.com.br |
| Vira Lata é Dez | www.viralataedez.com.br |
5º teste: Posso também inserir mapa!!
Ah, isso eu não consegui. Ele abre o Live Search Maps, mostra rapidinho o local solicitado, mostra panoramica, aérea, etc, mas não está inserindo. Dá erro. Que pena!
6º teste: Marcas…(?)
Sei lá o que é marcas… enfim, inseri endereços na internet acima.
7º teste: video. Depois de algumas tentativas, consegui colocar um video no soapbox (espaço para videos do msn). O Caillou corre e brinca quase todos os dias, nesse lugar..
8º teste: Adicionar um plug-in… ah, preciso pesquisar do que se trata. Mas agora cansei, estou com fome, um baita frio de 12 º (cruel para quem não tem casa, e eu fico pensando nos miseráveis e me entristeço…)
Enfim, vou publicar esta postagem para “tchan…tchan…tchan…” ver como é que fica! Se não der certo, veremos em seguida.
Bom fim de semana.
11 de Junho de 2009
Relato de uma protetora de animais
Congestionamento Record em Sampa
5 de Junho de 2009
Efêmero
3 de Junho de 2009
Arcangelo Ianelli
Arcangelo Ianelli, nasce em 18 de julho de 1922 e morre em 26 de maio de 2009, aos 86 anos. Deixa esposa, 2 filhos, 5 netos, um acervo de quadros e esculturas fantástico e saudades...Minha homenagem em "Encontros e Despedidas".
30 de Maio de 2009
Encontros e Despedidas
As lágrimas que tristes me escorreram, refletiram um tempo. Nele, um cheiro de tinta apareceu bem conhecido e cheio de significâncias. Surgiu das minhas lembranças e não é apenas um cheiro de tinta, são ceras, pós e terebentinas, mel e fel, lembranças desse passado que se misturam e criam esse novo cheiro indecifrável e responsável pelas cores e transparências que cobriram anos e anos aquelas telas de pintura e as nossas vidas. Eram a sua vida. Nos labirintos que cercam seu atelier, entre plantas altas e densas, quase floresta, circula um ar úmido e verde, que veicula esses odores de saudade [minhas] e os impregnam nas calçadas bordadas em arabescos, esbarram em fontes e estátuas que surgem, sem mais nem menos, brotando sonhos e histórias plenas de alma. São recantos que abrigaram muita emoção. Tudo naquela casa foi construído palmo a palmo, azulejo a azulejo, tudo escolhido a dedo, pelo seu dedo. Tudo foi nascendo, de tela a quadro, filho a filho, neto a neto, sentimentos, e as portas e janelas foram se tornando vivas, com impressão digital, com braços que nos abraçam. Talvez habite naqueles jardins algum duende de boina marrom e olhos azuis, à semelhança do mestre, com seu caldeirão mágico inspirando-o a bulir com suas cores. O pincel - sua varinha mágica - jorra transparências e vida. Ele está em cada tela que pintou, imortalmente. Existe uma linha tênue entre encontros e despedidas. Vim me despedir, de novo. E de novo, encontro-o em minhas lembranças. Diz a cançao: " E assim, chegar e partir/ São só dois lados/ Da mesma viagem/ O trem que chega/ É o mesmo trem da partida/ A hora do encontro/ É também despedida/ A plataforma dessa estação / É a vida". Adeus Sr. Ianelli, sou sempre grata por seu carinho.
Mande notícias do mundo de lá
19 de Maio de 2009
17 de Maio de 2009
Minha Flor de Maio no auge da florada
Agora, as flores abertas permanecem mais alguns dias, enquanto outras surgem temporão, e em breve termina o show do ano.
15 de Maio de 2009
14 de Maio de 2009
Abissal
Minha alma está prostrada sobre um mar de ceticismo
Que produz imensas ondas de caos
Elas são gigantes... e fortíssimas!
A espuma com aspecto absurdo
Explode na arrebentação da minha lucidez
(minha trágica e odiosa lucidez)
Quisera eu ignorar as coisas todas do mundo
Como os peixes que habitam a profundidade abissal
Desconhecem o mundo e, ao mesmo tempo, o conhecem por inteiro
Pois que o mundo não lhes passa de uma profunda escuridão
Sem mistérios, ciências e hipócrita preocupação com o meio-ambiente
Apenas a pastosa escuridão
Densa, segura
E garantidora de sua sábia ignorância
Eu invejo as criaturas abissais
Sempre sonhei me alienar do mundo e sua decadência
Sempre quis me alienar de mim (da minha insignificância)
Anseio, sobretudo, me alienar desta coisa soberba e mesquinha
a que chamamos humanidade
Luana Bonone
9 de Maio de 2009
A escolha de Sofia
Lendo esta notícia, me lembrei do filme "A escolha de Sofia" em que situação semelhante ocorreu com uma mãe judia, pressionada pelo soldado nazista a escolher somente um dos filhos. Nesse caso, Wendy, professora universitária de Ribeirão Preto, cidade do interior de São Paulo, terá de escolher apenas 4 entre os seus 26 cães e gatos. Foi o Tribunal de Justiça de São Paulo quem determinou esse resultado na ação movida por ex-vizinha, que se dizia incomodada com barulhos. Além de processar a Wendy e deixá-la com essa terrível decisão, ela também se mudou. Caso Wendy não cumpra a determinação, terá de pagar multa diária de R$ 100. De acordo com informações, outros cinco vizinhos disseram que os animais são bem tratados e que nunca incomodaram. A professora afirmou à Justiça que fez melhorias na casa para reduzir o odor e barulho provocados pelos animais, castrou os bichos, construiu um gatil e manteve o local limpo. Mas não teve jeito, de acordo com o tribunal de justiça, a mulher fez uso anormal da propriedade e interferiu na vida dos vizinhos. Se fosse eu, estaria em pânico. A ex-vizinha e o senhor juiz deveriam, um dia, passar por essa triste situação. Foi justo?A aura da Lua cheia
(foto de Ada dia 8 de maio de 2009)É a camada mais próxima ao solo e atinge aproximadamente 12 km de altitude. É onde ocorre uma intensa movimentação dos elementos componentes do ar, como ventos, tempestades, chuvas, geadas e neve. É na troposfera que os seres e as plantas vivem e retiram o oxigênio e o gás carbônico para a sua sobrevivência.
Esta camada inicia onde termina a troposfera e atinge 50 km de altitude. Nesta camada quase não existe oxigênio: o ar é muito rarefeito e as temperaturas são muito baixas, atingindo - 50°C. Na estratosfera, está localizada a camada de ozônio e o elemento gasoso predominante é o nitrogênio.
A partir do final da estratosfera, encontra-se a mesosfera que se estende até 80 km de altitude. Nesta camada, a temperatura é muito baixa, atingindo - 120°C. É nesta camada que se realizam as pesquisas meteorológicas.
Esta camada atinge aproximadamente 640 km acima da superfície do solo e se caracteriza pela alta temperatura, a qual aumenta com o aumento da altitude, podendo chegar a mais de 1000°C nas camadas superiores. Na termosfera, as radiações ultravioletas da luz solar são muito intensas, decompondo as moléculas em átomos e íons. Por isso, é também conhecida como ionosfera. Essa camada é da maior utilidade pelo fato de refletir as ondas de rádio, permitindo a comunicação fácil entre regiões afastadas.
A exosfera é a última camada da atmosfera terrestre. Nesta camada o ar é extremamente rarefeito, constituindo o limite entre a atmosfera e o espaço cósmico. Na exosfera, a temperatura apresenta grandes variações, podendo atingir 2000°C durante o dia e caindo para -270°C durante a noite. O estudo das atmosferas da Terra e dos outros planetas só começou a ser desvendado com grande precisão graças às sondas lançadas nos últimos anos. De todos os planetas do sistema solar, apenas Marte parece ter uma atmosfera algo semelhante à nossa, contendo baixo teor de vapor d’ água e, possivelmente,
traços de oxigênio.
3 de Maio de 2009
O botões da minha Flor de Maio
Ela está preparando o meu presente do dia das mães. Faz isso há 30 anos, no mes de maio. Só que agora, com todo o esmero acumulado, consegue bordar mil flores.
2 de Maio de 2009
Cheiro de árvore
Essazinha, a tristeza
(foto Matilde Vieira)Postado em 21/08/08 por Ada às 6:27 PM
Uma caneca de medir tudo
A caneca amarela que usei hoje pela manhã para regar as plantas da janela da cozinha, por incrível que possa parecer convive comigo há 32 anos. Constatei isso num relance, ao perceber que ela está começando a se rachar e o medidor de litro está quase desaparecendo de tão gasto. Naquele momento pensei em comprar outra e, em seguida, no quanto ela me foi útil e necessária nesses anos todos. Foi mais que isso, ela me acompanhou pela vida! É fantástico como os pensamentos viajam pelo tempo em pequenas frações de segundos. Uma simples caneca de plástico amarelo me remeteu de volta ao ano de 1977. Ela foi comprada pelo meu marido, e pelo Zé Luiz, nosso amigo, para medir líquido de revelação fotográfica, no tempo em que eles faziam fotos de tudo. Ainda tenho algumas fotos em preto e branco feitas por eles naqueles dias jovens e rebeldes. Minha filha estava em gestação na minha barriga e ao lembrar, agora olhando essa caneca, assim como se olha um filme, seria capaz de sentir os enjôos que tive e que as grávidas sentem. Um dia, lá naqueles tempos, usei a tal canequinha para medir o leite em pó que tomaríamos no café da manhã e o Zé Luiz profetizou que o bebê - ainda não podia saber que seria a Mayra - nasceria com cara de qualquer coisa que nao me lembro, mas que era engraçado... Qualquer dia preciso reencontrá-lo só para saber se ele lembra dessa história. De lá para cá, essa caneca me acompanhou em várias jornadas de trabalho, na cozinha medindo farinha, enxaguando janelas e azulejos, no jardim regando plantas, no banho dos gatos, mediu tanto açúcar, para tantos bolos, feitos nesses anos todos. Isso tudo, depois de medir os tais químicos de revelação, que assim foi se revelando uma caneca versátil. É impossível calcular quanta coisa ela mediu. Mudou de casa e de armário, me acompanhou sem que eu me desse conta, a não ser hoje pela manhã, em que foi capaz de me surpreender de como foi fiel todos esses anos de minha vida. Não creio que um outro objeto tenha sobrevivido comigo, tanto assim. Ela está se quebrando, gasta, desbotada, cansada, um prenúncio de que em breve chegará ao seu fim. Não mais terá essa função de medir tudo para mim. Ou terá? Quem sabe chegou a hora de poupá-la das suas tarefas costumeiras e preservá-la como uma estimada caneca de medir, daqui para frente, somente as boas recordações.25/10/08
26/10/08
1 de Maio de 2009
A Telefonica não me entende
Viagens ao teto

21/7/08
21/7/08
22/7/08
26/7/08
27/7/08
27 de Abril de 2009
25 de Abril de 2009
23 de Abril de 2009
Fuga
21 de Abril de 2009
20 de Abril de 2009
Vinícius de Moraes: De pombos e Gatos
17 de Abril de 2009
Alcaçuz
Esse sabor, perdido no tempo, ficou adormecido no cérebro. Passaram-se 45 anos - tanto tempo - para que o licor doce-amargo, peculiar sabor de aniz e extremamente estimulante, viesse á tona. Diz a ciência que quando alguma coisa é gravada em nossa memória, permanece para sempre. Nós algumas vezes "esquecemos" alguma coisa, mas o que acontece realmente é que não sabemos como achá-la no enorme sistema de armazenagem do cérebro. Provavelmente o caminho usual não é o mais efetivo, porque não tem sido usado o suficiente. A informação que procuramos permanece arquivada até que possamos alcançá-la por outro caminho através do cérebro. E não sei o caminho percorrido que provocou essa memória armazenada, mas minha língua estalou, o maxilar contraiu, a saliva abundou e aposto que um brilho úmido faiscou meu olhar. Toscamente, a cena principal do momento exato em que lambia um pirulito de alcaçuz, surgiu como um lampejo do tempo. Campielo del Forno é um páteo, (entre os vários) formado por casas à sua volta, na ilha de Giudecca, em Veneza, na Itália. Me lembro d´uma fonte que jorrava água fresca e que me parecia muito linda, ficava no centro dos páteos. Passei alguns meses alí com meus pais, aos nove anos de idade. Foi a época mais estimulada e rica em aprendizado de minha vida. Aprendi a andar de bicicleta, de patins, a nadar, a falar italiano e admirar as lindas paisagens dos canais, cheios de gôndolas e gondoleiros com suas camisetas listradas de vermelho. Fora a viagem de vários dias no navio "Frederico C" que é um episódio à parte. Conheci meu nono. Ele comia pão molhado no vinho tinto, no café da manhã, e minha nona Emma, tão pequenininha e delicada, os primos e tios, para meu espanto, beijavam na boca ao cumprimentar, inclusive a mim. Todos os dias, em minutos, caminhando à pé, alcançávamos o cais onde o "vaporetto" nos levaria do outro lado do canal, para as piscinas (um cercado no pedaço do mar) em que aprenderia a nadar. Antes de embarcar no vaporeto era sagrado parar na doceria e comprar uma barra de alcaçuz. Essa barra preta, doce, borrachuda, mastigável, inconfundível, durava o tempo da viagem e também durou todos esses anos em algum lugar do meu "coração", que é o lugar de quem sente saudade. A delícia de andar sobre o canal de Veneza ficou intrinseca à delícia do alcaçuz. Acho que o alcaçuz era desde os primórdios e desde então, uma essência inerente à minha alma, só não me dei conta. Corria nas minhas veias, misturada ao sangue, despertando meus sentidos todos, minha alegria, minha calmante euforia de viver. O aroma é inconfundível, seria capaz de flutuar no seu rastro invisível. A palavra enche meus ouvidos simpaticamente e gostosamente pronuciável sugerindo um suspiro. O sabor permanece na garganta por muito tempo depois de engolido, feito um perfume que fica impregnado na pele. Esse prazer tão especial aflorou e me fez sair em busca da repetição. Por ser importado, encontrei o alcaçuz em formato de balinhas, no mercado Sta Luzia, da Alameda Lorena. Vêm em latinhas mimosas e coloridas escritas em italiano "Liquirizia" e na versão de gomas açucaradas, vindas da Alemanha. A barrinha ou as tiras enroladas ainda não as encontrei, apesar da busca incessante. O alcaçuz é extraído da raíz adocicada da planta, família das leguminosas, ricas em glicirrizina e das quais se extrai um xarope adocicado e perfumado. Mas tem coisa que não adianta explicar, tem que viver e sentir. Nesse caso, poder reviver o sabor do alcaçuz foi a possibilidade de nunca mais ter que esquecer esse prazer indescritível, adomecido por tanto, esse tempo vivido intensamente onde a felicidade existiu, saborosa e perfumada.8 de Abril de 2009
Filosofia de Dona Estamira
Hoje, caminhando com meu cachorro Caillou, como faço quase todos os dias, me deparei com a filosofia no muro. Fui por vários quarteirões com a frase na cabeça, tentando interpretá-la. As palavras ficaram em circuito no cérebro, feito faísca, provocando choquinhos, daqueles que se toma na torneira do chuveiro. Fiquei pensando em quem e porque a pixou no muro... Muito dialética a frase. Tem sabedoria que se percebe popular, sem toque teórico. É correto dizer que imaginando alguma coisa, que talvez nem exista no meu universo de conhecimento, que o movimento de imaginar ou que a existência da imaginação que me faz criar algo, a torna matéria. Ela passa a existir. Portanto, "tudo que é imaginário, existe, é e tem"... fantástica essa Dona Estamira! Daí pensei em quem era Dona Estamira. O que eu não sabia é que essa tal dona existe de fato e não é imaginação de quem escreveu a frase no muro. O filme dirigido por Marcos Prado, diz que Estamira é uma mulher de 63 anos que sofre distúrbios mentais e que durante 20 anos viveu e trabalhou no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho no Rio de Janeiro. Carismática e maternal, Dona Estamira convive com um pequeno grupo de catadores idosos num local renegado pela sociedade, que recebe diariamente mais de oito mil toneladas de lixo produzido no Rio de Janeiro. Vencedor de 33 prêmios nacionais e internacionais nos principais festivais de cinema, sucesso absoluto de crítica e documentário de maior público nos cinemas brasileiros em 2006, Estamira levanta questões de interesse global, como o destino do lixo produzido pelos habitantes de um metrópole e os subterfúgios que a mente humana encontra para superar uma realidade insuportável de ser vivida. Dona Estamira vive em função de sua missão: "revelar e cobrar a verdade dos homens". Do lixo da civilização, ela supera sua condição miserável e coloca em questão valores fundamentais, muitas vezes esquecidos pela sociedade. Ufa! E assim caminhamos, a humanidade! Uma frase pixada num muro, ao lado de minha casa, na periferia de São Paulo, que seria apenas um registro curiososo para o blog, me tirou da ignorância a respeito da senhorinha e de sua fantástica filosofia de vida. Já encomendei o filme e estou louca para assistir!Um gato entre molduras



Nenê tem 9 anos. Um frajola manso e falante. Foi criado alí, no meio das molduras e quadros e pinturas. Sociável, pois além de molduras, há muita gente que entra na loja e deseja-lhe um bom dia com direito a cafuné. Mas ele não foge? Se a gente não cuidar dele, é demissão no ato! Ele sobe no balcão quando quer comer e o funcionário escolhido é quem lhe serve a ração. Assim avisa que tem fome e ganha seu carinho. É um belo de um dorminhoco, pois não é toda hora que a gente o vê deitado na entrada da loja, embrulhadinho feito um buda, ou esticado sobre o capacho, observando os transeuntes. Vira e mexe ele está se olhando no espelho que, se vendido, é imediatamente substituido, garantindo seu narcisismo. Se tiver sorte, pare no número 2002 da Rua Marques de Itu e confira. Eu já conquistei a intimidade de entrar na loja e procurá-lo nos esconderijos aos montes que ele arranjou para dormir em paz. Afinal gatos dormem 18 horas por dia. Longe de casa e dos meus bichanos, às vezes bate a vontade que tenho de gato, então entro na loja e falo com ele. Mesmo dormindo numa pilha de molduras ele sempre me responde com um miau de boa vontade e uma fantástica espichada no esqueleto. Fico toda-toda pois ouvi dizer que quando um gato se espreguiça à sua frente, ele está reverenciando-a. Bobagem! Humanos acham que são a espécie mais importante do universo e que todas as outras lhe devem favores... na verdade ele é sabio, isso sim, pois espreguiçar-se alonga seu corpo preparando-o para o que sabe de melhor fazer, saltar atrás de sua caça. Numa loja destas, ele deve cumprir bem seu papel de caçador de ratos e insetos invasores! Nenê é minha atração preferida no centro da cidade. A oportunidade é quando saio para tomar um suco natural lá na Praça da República, no meio da tarde, e passo na loja de molduras. Imperdível dar-lhe um afago. Principalmente no meio do expediente!6 de Abril de 2009
Angústia
5 de Abril de 2009
Desenhando o Mundo
Meu cão é uma obra de arte
Esticou orelhinhas atentas
e de marrom tingiu
Mas deixou escorrer uma aguada
e à face esquerda deu um perfil
*
De tão alegrinho que ficou
de pirata se fantasiou
para brincar o carnaval
foi a natureza que o inspirou
*
Tão alvinho que dói nos olhos do sol
foi o artista quem decidiu
ao juntar todas as cores
tão branco o definiu
*
Empinado e altivo
parece também um cavalinho
trota as patas com agilidade
sobre pretas almofadinhas
*
Com um sorriso nos lábios
exibindo boa dentição
nunca ninguém viu
tão simpático cão
*
Recebeu de nome, Caillou
na pressa, Cacá
mas em todas elas, um amorzinho
*
De versos e rimas pouco entendo
mas ao artista precisava homenagear
por tão bela obra de arte
por tanta alegria de amar!
OLá Gostei muito do que diz seu perfil...é aquele negócio de parecer com a gente...então vim lhe visitar...gostei...gosto de blogs...tenho 3...mas o q mais gosto é esse, visite-o se der vontade...http://ps.alcantara.zip.net/parabéns pelo teu espaçorose
10/1/09
Que fofo ! Imagino que belo cão deve ser e que alegrias dá para proporcionar uma inspiracão poética !Obrigada pela sugestão de pauta para o meu fotolog. Já escrevi algo a respeito do que me mandaste.BeijosElenara
10/1/09
Amada Ada,O Caillou esta lindissímo,efeito do imenso amor dedicado por você.Achei muito inspirador o poema feito a ele.Tem sido um aprendizado suas palavras.AbraçosElisa 10/01/09
11/1/09
Nossa Ada, não conhecia esse teu lado, amei, muito meiguinho e é a cara dele tudo o q vc fez.parabéns.bjs para a artista e para o filhinho.
11/1/09
Muito lindinha a poesia. E achava que vc só gostava de gatos. Todos são adoráveis.A natureza caprichou em todos eles. Pena que boa parte da humanidade não sabe amá-los e respeitá-los.
12/1/09
4 de Abril de 2009
Lua minguante e seu amante
Eu vi-a sorrir
Ele a segue olhando
não adianta s´esconder

























