“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

04/09/2018

O Museu da Destruição Nacional

O MUSEU DA DESTRUIÇÃO NACIONAL (Carta ao IPHAN)
por Beatrice Papillon

Corram e avisem os bombeiros para não moverem nenhuma tábua ou telha despencada! Não mexam nos destroços, nem sequer passem vassouras sobre as cinzas. Peçam à perícia que analise as causas do incêndio sem alterar a cena. Deixem tudo como está! É preciso preservar cada pedaço queimado desta história para a inauguração do primeiro "Museu da Destruição Nacional".

Muitos povos fizeram memoriais das cinzas para contar suas tragédias. Assim os alemães construiram o memorial do holocausto. Em Nova York há um marco em memória das vítimas do World Trade Center. No mundo todo há museus que contam guerras, invasões bárbaras, escravidão, além de acervos arqueológicos que remontam os últimos dias de civilizações extintas, antes florescentes.
Assim também ali, na Quinta da Boa Vista, onde até ontem estava exposto o mais importante acervo museológico do Brasil, se contará das cinzas o que está acontecendo no país hoje. Os visitantes passearão por cima de escombros conhecendo de que modo destruiu-se muitos dos nossos melhores projetos. Futuras civilizações saberão pelos cacos que sobrarem dos nossos dias, o que fizemos de nós, do Brasil.

Cada salão será rebatizado com placas afixadas sobre os montes de madeiras e peças queimadas sinalizando os acontecimentos históricos que levaram a destruição do nosso sonhado desenvolvimento.
Haverá logo na entrada o Hall do Retrocesso, em que se verá, dispostos sobre os destroços os documentos oficiais e fotos dos momentos em que a democracia brasileira foi golpeada desde a proclamação da República. Pode-se usar também sobre as paredes queimadas projeções de vídeos com os votos de cada deputado no impeachment de Dilma Rousseff. Fiquem ali expostos os interesses e projetos que conspiram para a destruição do país.

Em seguida, o visitante deste novo museu, passará ao salão do Desmonte Científico. Os documentos das resoluções de cortes orçamentários nas áreas de educação, ciência e tecnologia estarão expostos junto aos dados sobre os impactos sociais e o retrocesso que causaram.
Todas as reproduções de textos devem ser feitas em material impermeável, porque o telhado, como todo o resto, não será reconstruído. Tal qual a educação e a pesquisa brasileiras hoje, esta história ficará ao relento.

Onde antes havia documentos e peças que atestavam avanços sociológicos, crie-se a Galeria do Ódio e da Burrice. Estarão afixadas reproduções impressas de tweets e postagens sobre o projeto "Escola Sem Partido", "ideologia de gênero", discursos de ódio e declarações fascistas da extrema direita. Neste passeio fascinante os futuros visitantes perceberão como uma sociedade se empenhou arduamente para sua própria ruína.

No lugar do Trono de Daomé, doado pelo rei africano Adandozan em 1811, crie-se o Salão da Intolerância Religiosa. Aproveite-se a atmosfera criada pelo incêndio e reproduza-se ali o cenário de depredação de templos de religiões de matriz africana, como também a perseguição a seus sacerdotes e adeptos. Este setor pode contar com ambientação sonora em que se ouça canções gospel e discursos de pastores fundamentalistas evangélicos.

No Salão do Genocídio Indígena, para substituir as peças perdidas de acervo ameríndio, o visitante verá uma lista das tribos perseguidas e/ou dizimadas desde a chegada dos europeus até nossos dias. Mapas devem mostrar as demarcações de terras e a invasão de grileiros do agronegócio latifundiário.

No lugar dos fósseis de dinossauros, a Ala dos Novos Meteoros informará ao público sobre nossos projetos de devastação ambiental, desmatamentos e poluição das águas. Em projeções de vídeos, voarão pelas paredes as muitas aves já extintas da nossa fauna. Esta área deve conter especial menção ao desastre de Mariana.

No salão onde se assinou a Independência do Brasil, exponha-se os contratos de privatização das nossas empresas e da exploração dos nossos recursos naturais por estrangeiros. É o Hall do Entreguismo. Emoldure-se artigos de jornal que desqualificaram a Petrobrás, a Eletrobrás, os Correios, a Vale do Rio Doce, as telefônicas, em campanhas de sabotagem e difamação da importância de fortalecimento do Estado.

Por fim, onde antes estava Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas, a mulher que era nosso mais remoto vestígio de humanidade, exponha-se o descaso e a exclusão a que hoje está submetido o povo brasileiro. Mostremos sem dó aos visitantes o que estamos fazendo com a nossa gente. A mortalidade infantil, a violência contra as mulheres, o extermínio da população negra, o massacre contra LGBTs, a volta da fome nos sertões e periferias. Sugere-se ainda que se deposite em salão amplo os cadáveres de civis e militares mortos na guerra do Estado versus crime organizado, para que suas ossadas empilhadas dêem dimensão do saldo de morte obtido com políticas antidrogas e de criminalização dos pobres.

Que o "Museu da Destruição Nacional" cumpra sua função de catalogação histórica a partir destes restos do incêndio para informar às próximas civilizações sobre como um povo, com vocação inegável para o desenvolvimento e a felicidade, pode sucumbir sob golpes perpetrados por inimigos de seu próprio meio.

Fortaleza, 03/09/18

27/08/2018

Bonequinhas da sorte

Em Gravatá, Pernambuco, as bonequinhas deram sorte para as artesãs que as produzem e recebem uma renda por elas... Agora, as bonequinhas distribuem sorte pelo Brasil afora... quiçá pelo mundo? Eu quero algumas! Dá para fazer uma guirlanda muito bonita e cheia de sorte! 

Como fazer a guirlanda? 
http://www.marrispe.com.br/2018/05/moldura-com-bonequinhas-da-sorte.html




















Conheça a cultura



Guirlanda da Karoline, bordada a mão.





20/01/2018

Ela toda maresia

Bordado By Ada #coisasdeada Coisas de Ada

Tinha gosto de mar. 
Ela toda maresia. 
Era daqueles verões de tempo escaldante, 
onde a linha do horizonte se confundia entre começo e fim. 
Como ela que se abria em dores, em rancores, em mal humores.
Nem sempre fora assim. 
Teve um tempo de descobertas. 
Passou. 
Olhou em torno e tudo parecia ter gosto de fermento estragado, 
desses que não vão fazer crescer o pão por mais que se sove. 
Dias ruins estes de sentir o peso do mundo.
O corpo doía, a mente sofria. 
E ela se ria.
Maldito senso de humor! 
Devia ter nascido mais vitoriana. Menos barroca.
Que fosse, enfim. 
Urgia engolir aquelas lágrimas que teimavam em rolar. 
Gosto de sal. 
Menos mal que curtia salgados. 
Imagina se chorasse açúcar...
Pensou em abrir a caixinha nova de pilulas que fazem esquecer mazelas. 
Mas seu lado mais trágico largou o gesto na metade. 
Que fosse até o fim com tudo o que tinha que sair.
Que mergulhasse de vez no oceano que se abria, 
Que afundasse em águas, em sargaços, em conchas e pérolas. 
Que virasse sereia e voltasse ao útero de onde saem todas as mulheres. 
Que partisse. 
Vestiu sua fantasia de luxo. 
Nos olhos pura melancolia. 
Nos lábios um vermelho de corar satanazes. 
Nos pés a areia que machuca. 
Respirou fundo como fazia nos momentos solenes. 
Deixou que o vento percorresse seu corpo como se fosse aquele amor 
que demora e traz saudades. 
Ou como se fosse a vez primeira. 
Ergueu a cabeça e seus passos a guiaram para o mar. 
Ela pura maresia. 
Que houvesse então um tempo de sangria.
Que expurgasse sal, suor e solidão. 
Que irrompesse dela, de dentro dela, cores, cheiros, vontades e desejos. 
Que fosse.
Ela foi.
O mar gelado que era, acordou sua mente. 
Sentiu um raio que vibrava e acordava. 
A areia machucando menos. 
O abismo acolhendo. 
Ela desnascendo. 
O mar. 
Ela. 
O sol. 
A maresia.
Os pés machucados da areia corriam mais firmes. 
As asas cresciam em suas costas como anjos rebeldes 
que despertam de um sono milenar. 
Quanto mais ela afundava, mais alto voava.
Viu o escuro das entranhas. 
Viu o clarão da iluminação. 
Era duas. 
Era múltipla. 
Era toda maresia.

Elenara Stein

13/01/2018

Quero-quero vem me pegar!


Quero-quero como tem!
Por querer o tempo todo
me faz querer também...
Quero sol, quero chuva!

Tanto faz!
O importante é querer.
Cantando, vive querendo fazer a gente feliz
Canta de dia, canta de noite
Canta pro Sol, canta prá Lua
Tanto faz!
O importante é cantar!
Vive no chão, faz ninho, é tão bonitinho
Com seus cambitos corre da gente,
E corre atrás da gente!
Abre as asas e mostra sua força
Não pise no meu ninho!
Comigo é só carinho!
Faço amor mas por ele faço a guerra.
Quero-quero me faça querer bem.
Com o seu sempre querer,
Me faz querer também...

Ada

#coisasdeada

10/01/2018

Quebrei 18 ovos! E agora?

Derrubei uma cartela com 30 ovos e quebraram-se 18. O que fazer com tantos ovos? Mãos à obra fazer, com as gemas, um Creme de ovos à moda portuguesa e com as claras, um baita omelete. Aqui vão as receitas que, por sinal, ficaram muito saborosas! O creme ficou divino, lembrou o recheio do pastel de Belém! E o Omelete nutritivo com sabor de quero mais!

Creme de Ovos


Resultado do Creme de Ovos
Os ingredientes são simples: Para cada gema de ovo vai 1 colher de sopa de açúcar e 1 colher de sopa de água. Modo de fazer aqui:




Omelete à la Coisas de Ada


Ingredientes que usei para o omeletão
  1. As 18 claras foram bem batidas com aquela mola de bater claras, até fazer espuminha;
  2. Abobrinha ralada;
  3. Cebola ralada;
  4. Atum;
  5. Queijos fresco picadinho e parmesão ralado;
  6. Tomate sem sementes;
  7. Cheiro verde picadinho;
  8. Orégano;
  9. Manjericão fresco colhido da minha hortinha, bem picadinho;

Temperei com Sazon em pó sabor vegetais. Misturei tudo bem misturadinho e fritei numa frigideira bem grande bezuntada com azeite virgem. 

Gente! Que delicia!

DICA:
Recomendo não ralar a abobrinha, pois ela soltou muita água durante a fritura e tive que escorrer diversas vezes, então o omelete não ficou no formato de uma panqueca, acabou ficando “mexidinho”. Talvez usá-la em pedacinhos seja mais apropriado.


Lambendo os beiços!