“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

29 de dez. de 2020

Receita de Mantecal da Vó Gusta

 

Mantecal à moda espanhola

Rendimento: 70 biscoitinhos




Cantiga para não morrer



Cantiga para não morrer

(Ferreira Gullar)

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa

por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

13 de jul. de 2020

Uma crônica sobre ciscos nos olhos

"Quer dizer que o melhor olho é aquele que mais sofre. É a um só tempo mais poderoso e mais frágil, atrai problemas que, longe de serem imaginários, não poderiam ser mais reais que a dor insuportável de um cisco ferindo e arranhando uma das partes mais delicadas do corpo.
Fiquei pensativa.
Será que é só com os olhos que isso acontece? Será que a pessoa que mais vê, portanto a mais potente, é a que mais sente e sofre. E a que mais se estraçalha com dores tão reais quanto um cisco no olho.
Fiquei pensativa.
SIM
Eu disse a uma amiga:
– A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
– Mas lembre-se de que você também superexige da vida."

Cronicas de Clarice Lispector 
#leituras #claricelispector

29 de jun. de 2020

Declaro que sou feliz

Pobres dos que não podem ter uma janela, 
um par de olhos que vêem, 
um coração bom que enxerga.  
Sou olhos vendo além do muro
Nessa cara envelhecida,
Um sonho aguardando ser sonhado
Uma esperança por vir

Sou a própria janela. 
Os gatos e pássaros moram dentro de mim. 
E as flores se abrem misturadas aos meus cabelos,
Tão brancos... 
trazem também ocultas todas as cores perdidas no tempo.
No meu tempo.

E assim, declaro que sou feliz.

Ada

13 de mai. de 2020

Docinho, mais um amor que partiu

Depois da despedida, bateu 13 horas e foi lamentável voltar para casa com aquele sentimento todo embrulhando tudo...
A vida gritando a morte no meu peito me deixou surda, mudou de cor aquele ar sem cheiros, uma ventania amarelenta fez o sol esmaecer, a poeira turvou meus olhos. Milhares de folhas secas atravessaram a rua vindas da praça. Agitadas passavam por cima da cabeça,  por baixo dos pés, em redemoinhos ritimados e me deixaram tonta... São as folhas mortas do outono dançando sua valsa de despedida.
Um retrato de saudade e solidão ficou pendurado na parede da memória. Mais um amor partiu para bem longe, aqui dentro do meu coração. 💔
Docinho janeiro 2010 🐣 13/5/2020✝️