“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

30/10/14

Desigualdade


O fator mais íntimo do "neoliberalismo" é a concentração de renda e a desigualdade social galopante. Sete em cada dez pessoas no mundo vivem em países onde o abismo entre ricos e pobres cresceu assustadoramente nos últimos 30 anos. É chocante a desigualdade entre os 10% mais ricos e os 90% mais pobres. Ela está fora de controle no mundo todo. O capitalismo jamais dará soluções a essas desigualdades. Triste! 

15/10/14

Resiliência

Brotam no cimento,
Crescem onde não deveriam crescer.
Resilientes.
Com paciência e vontade exemplar,
Erguem-se com dignidade,
Sem estirpe, selvagens,
Inclassificáveis para a botânica.
Uma estranha beleza,
Cambaleante, absurda.
Enfeitam os cantos mais cinzentos.
Desafiam as impossibilidades.
Elas não têm nada
E nada as detém.
Uma metáfora de vida irrefreável
Que paradoxalmente
Faz-me ver a minha fraqueza.

(inspirada pelo filme "Medianeira")





30/09/14

Há folhas no meu coração, é o tempo...


Resposta ao tempo

Batidas na porta da frente é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento
Mas fico sem jeito, calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar e eu não sei

Um dia azul de verão, sinto o vento
Há folhas no meu coração é o tempo
Recordo um amor que perdi, ele ri
Diz que somos iguais, se eu notei
Pois não sabe ficar e eu também não sei

E gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro sozinhos

Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor pra tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer
No fundo é uma eterna criança
que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer.



(Compositor: Aldir Blanc/Cristovão Bastos)



16/09/14

Alejandra Pizarnik: O desejo da palavra

O desejo da palavra

Oxalá eu pudesse viver 
somente em êxtase, 
fazendo o corpo do poema com meu corpo, 
resgatando cada frase com meus dias
e com minhas semanas,
infundindo meu sopro no poema,
à medida que cada letra
de cada palavra
fosse sacrificada nas cerimônias do viver.

Alejandra Pizarnik
 

"El Deseo de la Palavra", está em seu último livro, El Infierno Musical, de 1971


***

"Por que não extraio minhas veias
e faço com elas uma escada
para fugir ao outro lado da noite?"

Devido a suas contínuas depressões e tentativas de suicídio (em 1970 e 1972), ficou meio reclusa nesse período. Em 1972, permaneceu cinco meses internada numa clínica psiquiátrica. Em 25 setembro, ela saiu da clínica para passar o fim de semana em casa e tomou uma superdose do sedativo seconal sódico. Tinha 36 anos.