“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

18/11/2009

Muvuca do centro de Sampa

A melhor descrição sobre a muvuca que é o centrão de Sampa, li hoje no livro de Jeosafá Fernandes Gonçalves, em "Era uma vez no meu bairro". "Homens sanduiches, batedores de carteira, bancários, trombadinhas, trombadões, office-boys de montão, michês, triciclos, churrasco grego, José Lewgoy na porta do Orhon Palace, vendedores de carnês do Baú, cabeludos andando e fumando maconha na cara dura, bolivianos tocando flautas de bambu, homem da cobra vendendo óleo do peixe elétrico, velhos com plaquinhas de compra-se e vende-se ouro e prata, vagabundos largados dormindo por todo o canto, bebuns para todo lado antes da hora do almoço, camelôs às pencas vendendo relógio de pulso da Casio do Paraguai com joguinho eletrônico, fedor de mijo atrás das bancas de jornais, amputados, aleijados e chaguentos esmolando a torto e a direito, pregadores evangélicos garantindo a cura do câncar, do espírito criminoso e do homossexualismo."

Eu acrescentaria, de próprio punho, que é um canteiro de obras sem fim, cheio de tapumes pixados com hieróglifos das gangues, lixo por todas as esquinas e calçadas, fuçados e refuçados por catadores que empatam a passagem, com seus carrinhos, a muvuca de gente num indo e vindo sem fim, palhaços gritando na porta da loja chamando para as ofertas, estátuas humanas em cada esquina, numa performance grega ou romana, ganhando seus trocados, e ainda há mais mistérios entre o céu e Sampa do que sonha nossa vã filosofia.

Rua Direita, 1954 São Paulo
gelatina / prata tonalizada
23,5 x 23,5 cm (40,0 x 29,5 cm)
Foto de © Alice Brill.

Rua Direita, 2005 São Paulo
480 x 640 - 104k
Fonte: sempla.prefeitura.sp.gov.br

3 comentários:

Anônimo disse...

tentando me certificar de que é dificil comentar no blogspot...

Simples assim... disse...

E mesmo convivendo com isso todos os dias não me acostumo... fico triste qdo viajo pra fora do Brasil e descubro q os centros das cidades são iguais ao centro de SP, arquitetura e tudo mais... com uma diferença, a sujeira e a miseria estampada existem só aqui...

Anônimo disse...

Eu quando fuia sampa gosteii da muvuca..o fervo eh isso q faz uma cidade alegre.. se fosse td parado talvez nao iria ter graça ;~ . fiquei encantado com essa city assim q cheguei na av. paulista parecia uma cidade de NY =)