“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

20/11/2009

Um canto de amor e outro de guerra

Nesta manhã calorenta, uma cigarra canta ao longe. Duas, três, chamando as fêmeas para o acasalamento. Concorre com elas o serralheiro da rua abaixo. São gritos estridentes, semelhantes. Elas afinam o gogó pois a competição é acirrada. Um, corta o ferro daqui e a outra, trepida a garganta de lá, caprichando na resposta. Há uma guerra declarada. A cigarra canta livre o amor e o homem responde com ferro e fogo, aprisionando-se nas suas propriedades. (Ada, 20/11/2009)

Um comentário:

Elenara Stein Leitão disse...

Esses sons da cidade grande, mistura de urbano e natureza são fascinantes, mesmo os estridentes como esses. Mas o silêncio também me fascina. Uma cidade deserta aos domingos ou a noite me enche de mistérios o olhar.