“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

28/02/2010

Acas: Soneto do Tempo Novo

Soneto do Tempo Novo
(Antonio Carlos Affonso dos Santos - ACAS)


Chegou a chuva, nem é Março,
As folhinhas/calendários estão molhadas,
Os dias escorrem por sobre a vidraça,
Pouco além do armário de portas quebradas.

Fez-se lodo sob o tanque, as avencas
Descem pelos portais, samambaias
Infiltram-se em tudo, musgos em pencas
Cobrindo as lajes, tal e qual saias.

A vida umedeceu nas prateleiras,
Entre novelas de tevê e noites frias,
Que gelaram todos os ossos e mentes.

Brotaram dos sapatos cogumelos:
Mas assim que surgir um tempo novo,
Semearei minhas guardadas sementes.

(28/02/10)

Um comentário:

Ada disse...

LINDO SONETO!

Há tanta semente perdida nas frinchas da vida! Quando menos se espera, umazinha [e depois às dezenas] surgem tenras e verdinhas auspiciando um sorriso e uma esperança!

Estou me despedindo do Vermelho mas me encontras por aqui!

Beijos e não abandone o prosa@poesia, please!! Vou te ler sempre!