“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

09/10/2010

Carta de Jenny Scavinsky: à la Plinio Marcos

Gente onde estamos? No inferno, ou purgatório? Essas almas infelizes querem ir para onde? Sinto que as pessoas do bem estão encurraladas e essas ditas do mal [a mídia] um dia vão pagar. Quando ao deitar para dormir suas mentes irão atordoá-los no infinito...


Lembro-me de um caso de assassinato em Ribeirão Preto. O criminoso que era da polícia ficou sabendo que a sua transferência fora pedida pela sua esposa porque ela havia descoberto que ele tinha um amante. Eles moravam noutra cidade, então o sujeito pegou sua arma, municiou-a e ficou esperando os filhos que vinham do colégio.


Nesse ínterim ele já havia matado a esposa, e quando os filhos chegaram e correram para a cozinha para almoçar abrindo as tampas das panelas para ver o que sua mãe tinha feito, o fulano começou a atirar em seus filhos. Eram três e os tiros passaram pela palma das mãos, ficando feridas como a mão de Jesus, e as balas foram direto para suas cabeças.


Depois de feito esta mortandade, ele foi para um bar beber. E lá, os fulanos vendo seus chinelos com sangue, perguntaram o que aconteceu. Ele respondeu: “foi uma porca e seus porquinhos que eu matei”. Os caras do bar acharam melhor avisar a policia. Ninguém tinha ouvido tiros e quando a policia chegou, ele estava bebendo como se nada houvera.


Ele foi preso, e na cadeia o delegado mandou que trouxessem as fotos dos mortos do jeito que foram encontrados. As fotos bem grandes foram colocadas numa altura em que ele não conseguia tirar e então, passados dias e semanas, o dito começou a gritar "pelo amor de Deus tire as fotos daqui!”


E assim, o assassino acabou enlouquecendo. Foi enviado depois para o Manicômio Juquery e ele se acabou finando, morto e esquecido. Mas eu nunca esqueci, foi uma grande lição para mim de que não se deve fazer o mal.


Então, essa turma [da mídia] um dia vai cair em si. Verão que não é assim, passando pelos outros como um trator da maldade. O Jornal O Estado de S.Paulo simplesmente é a mídia mais horrenda que eu conheço. Com ele, também a Folha e a revista Veja todas um mau exemplo.


Abraços de Jenny


[Notas minhas]


Sobre Plínio Marcos


De repente, todas as suas peças foram proibidas. Por quê? Ninguém dizia coisa com coisa. Um censor, num dia em que Plínio perguntou ”por que todas as minhas peças estavam proibidas”, ficou nervoso: "Porque suas peças são pornográficas e subversivas". "Mas por que são pornográficas e subversivas?". "São pornográficas porque têm palavrão. E são subversivas porque você sabe que não pode escrever com palavrão e escreve".
Faleceu em São Paulo, em 19 de Novembro de 1999.

Nenhum comentário: