“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

01/11/2010

Gatinho de Ferreira Gullart, presente em seu novo livro


Aqui vão dois dos poemas de "Em Alguma Parte Alguma", livro que chegou quebrando um silêncio de 11 anos do poeta maranhense Ferreira Gullart, que são para seu gato. Gullar fez 80 anos dia 10 de setembro de 2010 e seu gato, chamado "Gatinho" está sempre presente. Aliás ele escreveu um livro "Um gato chamado Gatinho" que é de uma cumplicidade enorme com seu gato, delicadeza de poeta.


Anoitecer em outubro


A noite cai, chove manso lá fora
meu gato dorme
enrodilhado
na cadeira
Num dia qualquer
não existirá mais
nenhum de nós dois
para ouvir
nesta sala
a chuva que eventualmente caia
sobre as calçadas da rua Duvivier

Flagrante
o meu gato
na cadeira
se coça
corto papéis coloridos na sala
e os colo num caderno
a manhã clara canta na janela
estou eterno

(José Olympio, 144 páginas)

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