“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

28/07/2011

A luta pela paz é uma decisiva e urgente tarefa

Entre 1952 e 1956, Candido Portinari realizou seus dois últimos e maiores murais: Guerra e Paz com 14m de altura por 10m de largura, aproximadamente, encomendados pelo governo brasileiro para presentear a sede da ONU, em Nova York.

Localizados em local nobre, de acesso restrito aos delegados das Nações, no hall de entrada da Assembleia Geral, os monumentais painéis não podem ser vistos pelo público por razões de segurança, nem mesmo durante as visitas guiadas da ONU.

Por esse motivo, o Projeto Portinari sempre sonhou em expor Guerra e Paz ao grande público.

O planejamento de uma grande reforma no edifício sede da ONU entre 2010 e 2013 proporcionou a oportunidade inédita de expor os painéis Guerra e Paz no Brasil e no exterior.

A pedido do Governo Brasileiro, a ONU entregou a guarda de Guerra e Paz ao Projeto Portinari até agosto de 2013.

Veja a Agenda

"Guerra e Paz representam sem dúvida o melhor trabalho que já fiz. Dedico-os à humanidade".


Guerra (1952-1956)

Um pequeno close do Mural Guerra

Um pequeno close do Mural Guerra

Um pequeno close do Mural Guerra


O Painel completo foi pintado a óleo em madeira compensada, 1400 x 953 cm.

Na representação da Guerra, como tivesse relativa liberdade de criação, Portinari optou pelo tema intemporal dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Pareceu-lhe uma solução melhor do que pintar a guerra com um caráter realista, figurando os combates do século XX com o arsenal das armas contemporâneas. Tudo foi posto de lado, em favor de uma visão simbólica, diferente do que se vê nos murais dos pintores mexicanos, ou mesmo no Massacre da Coréia, de Picasso. A guerra seria representada através do sofrimento do povo e não de soldados em combate. Os próprios cavalos não têm as cores do texto bíblico, no qual o primeiro é branco, o segundo vermelho (cor de fogo), o terceiro preto e o quarto amarelo ou baio. Esta diferença foi imposta pelas necessidades tonais da pintura, na qual os azuis dominam e até parecem cantar, sustentados pelos tons quentes dos laranjas.

Paz (1952-1956)

pequeno close do Mural Paz

Pequeno close do Mural Paz

Pequeno close do Mural Paz
O Painel completo foi pintado a óleo sobre madeira compensada, 1400 x 953 cm.

Todos os figurantes da Paz são os meninos de Brodósqui, sua terra natal, cinco vezes nas gangorras, como aparecem em várias de suas telas, outras vezes em cambalhotas e piruetas, pulando carniça, ou armando arapuca, moças que dançam e cantam, um coral de meninos de todas as raças, assim como nós, brasileiros, noiva da roça na garupa do cavalo branco, o palhaço, a mulher carregando o cordeiro, os dois cabritos que dançam bem no centro do painel, como se fossem o núcleo da Paz, a égua e o potro, e na faixa de cima, bem lá de cima, camponeses plantando, camponeses colhendo, o espantalho, os batedores de arroz, homens, mulheres e meninos que cantam. Não há dúvida. Só pode ser Eumênides, que as Fúrias já se transfiguraram. Não há dúvida. Só podem ser as Eumênides, entre as moças e os meninos de Brodósqui.

Contrariando as recomendações médicas, proibido de pintar por sintomas de intoxicação pelas tintas, motivo pelo qual veio a falecer em 62, Portinari aceitou o convite. No auditório dos estúdios da TV Tupi, durante 4 anos, trabalhou com afinco na confecção de 180 estudos, esboços e maquetes para os murais.

Encomenda entregue. Mas ninguém havia visto ainda os painéis em sua plenitude, nem mesmo o próprio artista. Foi então que começou um movimento de opinião pública, e um grupo de artistas e intelectuais apelou ao Itamaraty para que os painéis fossem expostos no Brasil antes do embarque para os EUA, para que fosse dada uma chance ao público brasileiro de vê-los, pela primeira e derradeira vez.

Assim, Guerra e Paz foram montados lado a lado ao fundo do palco do Theatro Municipal. Muito bem iluminados, e com o teatro praticamente às escuras, ficaram impressionantes. Em fevereiro de 1956, os painéis foram solenemente inaugurados pelo Presidente da República Juscelino Kubitschek.

Devido ao envolvimento de Portinari com o Partido Comunista, Portinari não foi convidado a comparecer à cerimônia. E lá foi dito em 56: ".. o Brasil está oferecendo hoje às Nações Unidas o que acredita ser o melhor que tem para dar".


Tantos anos se passaram desta iniciativa e de lá para cá, a Guerra ainda é meio de dominação de nações ricas e poderosas que se distanciam da ONU. Até quando? A luta pela paz é atual e permanece para todos os povos que defendem sua soberania.




Fonte:
http://www.portinari.org.br/
http://www.guerraepaz.org.br/#/home

Sugestão de leitura:
Mocidade Independente de Padre Miguel terá o enredo para o Carnaval 2012, as obras de Portinari.
Acompanhe o Projeto no twitter: http://twitter.com/#!/projportinari
Biografia de Portinari
Artigo relacionado aos murais:
Video no youtube
Carta de Princípios do Cebrapaz

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