“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

20/08/2011

Emoção e risos em “As confissões de Schmidt”



O desenho de Ndugo, menino com 6 anos de idade que mora na Tanzânia, enviado ao Schmidt, é o principal recado: alguém se importava com ele.

Impossível não chorar com esse drama de Alexander Payne: “As confissões de Schmidt”.

Acabei de assistir e vim correndo aqui escrever as emoções que o filme me passou. A solidão dos seres humanos, pessoas comuns, que lutam a vida toda para sobreviver e construir sua família, e que passam despercebidos no redemoinho da sociedade, como se nada interferissem no correr da vida, nada deixassem de realmente importante e nada significassem para alguém, quando o fim da vida se aproxima. E de que, quando morrerem, serão esquecidos. Somos todos essas pessoas comuns, perdemos nossos entes queridos, nossos filhos se vão para construir suas vidas, e ficamos sós, pensando no que foi feito de nós. Fracassamos.

A lição é que a perspectiva de ser, construir, amar e ser amado, nunca pode se perder. Que essa busca, que parece tão distante, pode estar na atitude mais simples da vida e cada um pode encontrar. 

Refleti, cá com meus botões, e vi que as decepções que os humanos me causaram ao longo de minha vida e que me entristeceram, foram um incentivo para me apegar aos animais. Gostar deles e ter vontade de ajudar os abandonados tornou-se um motivo de poder fazer a diferença de imediato, principalmente para mim mesma, protegendo-os, cuidando, defendendo, amando-os e sendo amada por eles, que são sempre gratos. É uma boa causa para lutar e sempre carinho para receber. Para distribuir generosidade e comoção.

Bem, reflexões pessoais à parte, recomendo o filme pelo recado emocionante e singelo. A trilha sonora é excelente e tem um preferido meu: Erik Satie. E também, porque tem Jack Nicholson, que consegue ser engraçado e dramático ao mesmo tempo, nos faz rir e chorar. Consegue ser sutil e forte. O personagem Schmidt acredita que o fim de sua vida será igual ao seu passado: um grande fracasso. Até que decide dividir sua jornada com um inesperado amigo: um menininho da Tanzânia o qual ele patrocina pagando 73 centavos por dia. Em suas longas cartas ao garoto ele desabafa e expõe sua história e passa a ver com outros olhos sua própria vida.

O vídeo que escolhi para mostrar, são cenas de Jack Nicholson no filme. Fantástico!



Título original: (About Schmidt)
Lançamento: 2002 (EUA)
Direção: Alexander Payne
Atores: Jack Nicholson, Kathy Bates, Hope Davis, Dermot Mulroney, June Squibb.

Curiosidade: Jack Nicholson lembra muito meu pai: as sombrancelhas e os olhos. Incrível!

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