“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

04/10/2011

Gateiros e Cachorreiros: Eita raça!


Tinha que reproduzir esse artigo aqui no blog! O melhor texto que já li sobre nós, "protetores de animais", na mídia tradicional, como é O Estado de SP.


Gateiros e Cachorreiros. Eita raça!

Normalmente não comento sobre as manifestações dos leitores. As razões são várias. Vão desde a impossibilidade de responder pessoalmente a todas as mensagens – que são muitas – até a precaução no sentido de manter um espaço absolutamente democrático para que cada um se manifeste livremente, sem correr o risco de ter sua opinião censurada ou questionada.

Porém, dessa vez decidi tecer mais alguns comentários a respeito da nota sobre a Consulta Pública da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, que irá publicar uma Lista Oficial de Espécies Invasoras.

O que me motiva a escrever agora foi a enorme repercussão que a nota alcançou. Foram quase 6 mil recomendações no Facebook, mais de 150 comentários de leitores e quase 200 réplicas no Twitter.

Poucas vezes vi na internet um número tão grande de pessoas se manifestando a respeito de uma notícia. No caso da nota sobre as espécies invasoras, tamanho alcance deve-se principalmente ao enorme poder de mobilização que os protetores de animais domésticos possuem. Eles são conhecidos popularmente como gateiros e cachorreiros. São pessoas que dedicam grande parte do seu tempo a causa da proteção dos animais domésticos.


Protetores de animais: amor de bicho não tem preço.

Essas pessoas são capazes de sacrifícios imensos para defender aquilo que elas acreditam. Não existe no mundo – e digo sem medo de errar – nenhum outro movimento em que seus membros se envolvam tanto com a causa que abraçam. Nenhum grupo político ou religioso possui integrantes dispostos a tanto sacrifício pessoal como é o caso dos gateiros e cachorreiros. Nenhum grupo social tem uma capacidade de mobilização tão forte quanto eles. É impressionante.

A sorte de quem maltrata animais é que esse imenso grupo de protetores ainda desconhece o poder que tem. Pois no dia que eles se organizarem e passarem a ter estratégias claras de atuação, o mundo político irá tremer.

Os protetores de animais podem arruinar uma carreira política. Podem condenar um produto ao fracasso e, até, causar enormes prejuízos à empresas que insistem em ignorá-los. Uma grande parte desse grupo de ativistas é formada por donas de casa. São mulheres que decidem o que comprar em seu lar e que, com o poder de mães, esposas e filhas, conseguem mudar a opinião – e o voto – da família.

Para a felicidade daqueles que ignoram os apelos desse grupo, o movimento ainda não é organizado. Não existem lideranças nacionais com capacidade de mobilizar e de conduzir uma ação uniforme em território nacional. No dia que isso acontecer, senadores da República e até candidatos a presidente do país terão que estender tapetes vermelhos para eles.

O mais impressionante nesse grupo, além do grande poder de mobilização, é outra característica muito singular: grana. Ou melhor, a falta dela. Em 25 anos de lida diária na causa ambiental, nunca vi um “movimento social” trabalhar sem ganhar. Pelo contrário. Penso que os protetores de animais é o único grupo que tira do próprio bolso o financiamento para as suas causas. Eles não são empregados em ONGs, não recebem bons salários, como a grande parte dos ambientalistas profissionais, não dispõe de financiamento público e muito menos recebem emendas de parlamentares. O dinheiro deles vem das “vaquinhas”, das “rifas” e dos trocados que conseguem juntar impondo-se algum sacrifício pessoal.

Não existem estatísticas que mostram quantos eles são. E muito menos existem dados oficiais sobre quem eles são.

Mas uma boa dica para identificar um potencial protetor é reparar em alguns dos seus hábitos mais comuns: possuem animais domésticos, provavelmente mais de um. Nas redes sociais, seus álbuns de fotos sempre possuem a foto de um gatinho, de um cachorrinho, ao lado das imagens de suas famílias. Nas ruas, seu animal de estimação está quase sempre no colo, ou, se for grande, sempre ostentará um pelo brilhoso ou uma coleira da moda. Para esse grupo, não existe diferença social entre os animais. Os de “raça” e os “vira-latas” são iguais, nem mais, nem menos.

A eles, os protetores e protetoras do Brasil, dedico minha inteira admiração e agradeço imensamente as lições de amor e respeito à vida, que muitas vezes nos faltam quando somos absorvidos pelos debates “técnicos” em nossa luta ambiental.

Obrigado.

Fonte: Blog de Dener Giovanini no O Estado de São Paulo em 02/10/2011 

Um comentário:

José Franson disse...

Muito, muito bom o artigo e é exatamente o que todos sabemos que somos, mas não tínhamos certeza. Agora temos, o artigo do Dener é de uma clareza impar, ficará nos anais proteção animal do Brasil. Peço licença para também publicar no Blog dos amigos dos animais de Tatuí.

Aproveito para lançar uma ideia para revolucionar a proteção animal, baseado no que o Dener nos iluminou. - O sonho de todo gateiro e cachorreiro é ver o fim do sofrimento cruel dos animais abandonados, certo?. Ok.

Temos um projeto que é a solução definitiva para o sofrimento dos animais abandonados,Projeto postos veterinários de proteção aos animais,

http://amigosdosanimaisdetatui.blogspot.com/2011/02/solucao-definitiva-para-o-sofrimento.html

elaborado por protetores simples, cansados de literalmente chorar por encontrar animais em sofrimento e não ter mais espaço nem dinheiro em casa para fazer o resgate. Cansados também de pedir atendimento veterinário caridoso para os resgatados, cansados da total negligência dos prefeitos com os animais, cansados da total falta de políticas públicas para os animais.

O projeto é uma nova maneira de gerir o abandono, deixando de lado toda estrutura usada a milênios de aprisionar os animais abandonados em canis municipais CCZ. È absolutamente viável, fácil de implantar, mais barato para a prefeitura do que aprisionar e matar nossos amigos, não precisa de leis, etc. apenas temos que "convencer" o prefeito a executa-lo. Como?

No artigo, o Dener ensina o caminho - Vamos nos organizar em grupos políticos não partidários, reunindo todos os protetores e milhares de simpatizantes que não sabem , como nós o que fazer, mas todos temos o melhor argumento do mundo para convencer os prefeitos a executar o projeto - O VOTO - È o argumento que eles mais gostam de ouvir... tenha certeza disto...

Como se organizar, sem dinheiro? Agora temos a ferramenta, a internet. Sem gastar quase nada estamos organizando em tatuí um grupo a "Família amigos dos animais de Tatuí" já temos mais de dois mil eleitores só de tatuí recebendo semanalmente notícias da luta par convencer o prefeito, através de emails. Estamos nos organizando usando a internet e eventos públicos, exclusivamente para "convencer" o prefeito a executar integralmente o "Projeto postos veterinários de proteção aos animais" - Solução definitiva para o sofrimento dos animais abandonados.
Organize você também uma 'família' em seu bairro, sua cidade, não gasta dinheiro e poderá salvar milhares de animais do sofrimento e morte.
Escreva para fransonvegan@gmail.com - Você faz a diferença, você pode!!! Quem sabe faz a hora não espera acontecer.
Obrigado amigo Dener pelo artigo. Veja os olhos de cada animal abandonado a gratidão por nos abrir este caminho que irá salvar milhões de nossos amigos do sofrimento e morte. Amém...

Os animais humanos, enquanto coletivo não devem ser estimulados ou ter facilidades para manter em sua companhia outros animais. Não evoluiu o suficiente para entender que ele não é o senhor dos viventes. Vamos fazer de tudo para diminuir a natalidade de cães e gatos, para que não estejam facilmente disponíveis.