“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

06/01/2012

Myriam Fraga: A esfinge

A esfinge

(Myriam Fraga)

Revesti-me de mistério 
Por ser frágil,
Pois bem sei que decifrar-me 
É destruir-me.

No fundo, não me importa 
O enigma que proponho.

Por ser mulher e pássaro 
E leoa,
Tendo forjado em aço 
As minhas garras, 
É que se espantam 
E se apavoram.

Não me exalto.
Sei que virá o dia das respostas 
E profetizo-me clara e desarmada.

E por saber que a morte 
E a última chave,
Adivinho-me nas vítimas que estraçalho.

Salvador, 1964

De O Risco na Pele (1979)

***

Nascida em Salvador, em 1937, Myriam Fraga é poeta, biógrafa e administradora cultural. Diretora executiva da Fundação Casa de Jorge Amado, desde sua fundação em 1986, ela tem tomado parte em diferentes organismos, como o Conselho Federal de Cultura e o Conselho Estadual de Cultura da Bahia.

Também merece destaque sua obra de divulgação histórica e cultural. Ela escreveu Leonídia, a Musa Infeliz do Poeta Castro Alves (2002), e uma coleção completa de livros infanto-juvenis com biografias de escritores e artistas como Castro Alves, Jorge Amado, Carybé e Graciliano Ramos.



Nenhum comentário: