“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

28/06/2012

Adormecidinha


É isso. Às vezes fico adormecidinha com os devaneios, porque a realidade embota. Dormir pouco, comer depressa, andar rápido, trabalhar muito, a violência de viver submete a arte e o amor ao segundo plano. Mas a Clarice, aprendendo a viver, também me ensina e a admiro em suas formulações que me arrebatam. Nessa manhã cheia de neblina e frio, com nariz entupido, decepcionada com a miséria que desfila por onde passo, me ponho a repeti-la, para me alentar a escrever. 

“O que eu fiz, apenas, foi ir me obedecendo. Ir me obedecendo – é na verdade o que faço quando escrevo, e agora mesmo está sendo assim. Vou me seguindo, mesmo sem saber ao que me levará. Às vezes ir me seguindo é tão difícil – por estar seguindo em mim o que ainda não passa de uma nebulosa – que termino desistindo.”

“Embora representando grande risco, só é bom escrever quando ainda não se sabe o que acontecerá.”

“Não, positivamente não me entendo. Bem, mas o fato é que mesmo não me entendendo, vou lentamente me encaminhando – e também para o quê, não sei. De um modo geral, para mais amor por tudo. É vago “mais amor por tudo”? Inclusive mais amor por tudo inclui uma alerteza maior para achar bonito o que nem mesmo bonito é. “

É assim. (Ada 28/6/2012)


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