“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

09/06/2012

Carta de Jenny Scavinsky: Isso é um romance, não ficção (parte 1)


Jenny Scavinsky

Jenny tem uma fluidez de vida que brota naturalmente intenso dela. Com 84 anos, ela acredita piamente no amor, e o amor faz sua ronda em torno dela. Impressiona sua alegria de viver. Não se deixa abater, mesmo abalada pelas dificuldades que a idade traz. Tem sua saúde delicada ultimamente. Probleminhas no coração, diabetes, trombose, e mais recentemente embolia pulmonar. Está internada há duas semanas e agora vai precisar ter oxigênio sempre à disposição, mesmo em casa, e tudo está sendo feito para que ela tenha alta em breve. Mesmo assim, não reclamou-me  uma vez sequer, não lamuria sua condição, apenas aceita-a. Compreende, aceita e ri. Ela é muito risonha!

No meio desse burburinho todo, surge uma casualidade interessante que me emocionou sobremaneira. E a admiração que eu sentia por ela aumentou e a amizade e o prazer de fazer feliz a amiga, me deu também uma alegria sem par. Pude até traduzir melhor aquela filosofia popular que prega: o bem que se deseja ao outro, sempre volta para você.

Pois bem, por causa das publicações nesse blog das cartas de Jenny, surgiu a oportunidade dela rever um antigo namorado muito especial, o Sr Jair Cassiano, que menciona numa das cartas. (aqui) Nessa carta, que foi escrita há um ano e meio, ela menciona sentir saudades [dentre tantas pessoas e fatos] desse namorado. Há poucos dias surge um comentário no Blog, referindo-se a essa carta e quem comenta é prima do namorado em questão. Além das alvíssaras sobre ele, informa seu telefone. A surpresa causou um misto de expectativa, empolgação, mas também um pouco de desconfiança sobre a veracidade. Afinal, sempre dizemos que o mundo é pequeno e cheio de surpresas mas quando acontece, ficamos estupefatos. Como é que ela encontrou o blog, a carta, e dentro da carta o nome de seu primo?  Fui checar e confirmado: Jair fora encontrado!  Não pensei duas vezes e me virei em cupido. 

Pois o telefonema acontece entre Jenny e Jair e entre curiosos e saudosos, falaram-se por hora, e recordaram-se, e amaram-se novamente [porque qualquer maneira de amor vale a pena] e a grande notícia é que na segunda-feira ele virá visitá-la no hospital. Jenny pediu batom e perfume. Quer arrumar o cabelo, quer um espelho. E alertou-o [entristecida] de que envelheceu e ele não espere aquela boniteza de moça que ele namorou, como se ele não estivesse envelhecido e o tempo tivesse parado. A felicidade que senti na voz e o brilho nos olhos de Jenny [que não pude ver ainda] me confirma que isso é um romance e não uma ficção! E que a vida prega dessas peças surpreendentes! E que mesmo no hospital, convalescendo-se, ela desperta para o amor e brota tanta esperança que fico até comovida em fazer parte desse episódio.

Preciso fazer vários brindes, ao amor, à vida, aos reencontros, às casualidades felizes, à amizade, à alegria, à saúde de Jenny. Viva Jenny! Viva Jair! Preciso brindar também o dia dos namorados, que coincidentemente será no dia seguinte ao grande encontro de Jota*Jota! 

PS.: "Eu te amo" em Lituanio, terra de Jenny, é  "Tave myliu"
 (veja como se diz eu te amo, em todas as línguas aqui

(Ada 9/6/2012)

(pretendo continuar...)

Todas as cartas de Jenny, daqui


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