“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

13/06/2012

Cheiro amargo de uma árvore

Descobri no meio desse tanto de asfalto e pixe e prédios desta minha cidade, um convento arborizado que exala um cheiro distinto que quando passo por ele, já bem noite, sei que a tal árvore está lá plantada, daquelas que se proliferam pelo litoral. Seu cheiro amargo, de coisa verde, arde a narina e é inconfundível. Costuma exalar à tardinha e permanece noite adentro e me deixa inebriada. Por mais que pesquise, não sei dizer que árvore é esta. A sensação de plenitude me vem à memória e nalguma área do cérebro, escondidinho, brota uma lembrança de brisa marítima, de um mormaço aquecendo os pés e de um por do sol alaranjado dourando tudo. Posso ouvir cigarras cantando a chuva. E nesse momento sou inteira e silenciosa. Me entrego então a essa simplicidade de ser e simplesmente sou o que sinto. O brilho nos olhos é irrefutável (não conferi no espelho) vejo-o refletido na alma. 

(Ada 13/6/2012)

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