“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

21/02/2013

Os loucos da cidade


Como todos os dias, desemboco na estação República do metro, com a voz “desembarque pelo lado direito do trem”  disputo um degrau na escada rolante com pessoas sempre apressadas. Um, dois, três andares vou subindo até ultrapassar as catracas e avançar por um longo corredor que atravessa por baixo da praça, sentido rua. Pisando a passos largos pelo piso emborrachado de bolinhas pretas, reparo na senhorinha que vem em sentido contrário. Elegante, calça jeans, camisa branca de laise, cabelinhos pintados de preto, brinco e colar, sua bolsa pendurada nos braços que gesticulam abrindo-se para um abraço. Sorrindo, parece que diz para sua amiga que parece vem vindo atrás de mim: “olá querida, estou te esperando há tempos, por onde você passou que eu não vi?”.  Era uma bronca carinhosa, feliz. Fiquei curiosa, cheguei a esboçar um sorriso contagiada e olhei para trás. Não consegui ver a amiga, ela era invisível e imaginária. (Ada, 21/2/2013)


Foto: Anka Zhuravleva
Foto: Anka Zhuravleva

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