“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

22/04/2013

Alô? É do Edifício Juliana?


- Alô? É o porteiro? Bom dia, sou Eliana, a proprietária do apê 23, liguei para saber se há correspondências para mim, pois faz tempo que não passo por aí.

- Sim! Bom dia! Correspondências? Não tem não!

- Mas liguei há um tempo atrás e haviam algumas guardadas... será que entregaram para Elisangela?

- Elisangela? Ah! Ela foi embora no mês passado!

- Como assim foi embora? Ela alugou meu apê há um ano e o contrato ainda não acabou!

- A senhora deve estar fazendo confusão com o número do apê... tem certeza de que é o 23? Parece que foi vendido e quem vai morar é o Sr Fernando. Estou até com a chave na mão.

- An? Vendido? Não, o senhor é que deve estar fazendo confusão... eu sou a proprietária e não vendi nada..

- Ah, não estou entendendo então...

Em pânico, logo pensei que havia levado um chapéu da locatária e o apê tinha sido passado para outro. Mas não ia adiantar ficar batendo boca com o porteiro, precisava tomar algumas informações concretas do que estava acontecendo...

- Ah! Deixe estar! Disse apressada. Resolvo isso depois, dou uma passada aí para conferir, ok? Bom dia e até logo, obrigada!

Liguei imediatamente para a Imobiliária cobrando-lhe uma explicação e me dirigi ao edifício o mais rapidamente que consegui. 

Passados alguns minutos o porteiro liga em meu celular:

- Dona Eliana? Aqui é o Jorge! O porteiro! Pôxa, desculpa eu fiz confusão! A senhora é do edifício Juliana, não é? Ah, então, eu saí de lá faz uns meses, agora trabalho em outro prédio! Fiquei com seu nome na cabeça.. E aqui, a dona do apartamento 23 se chama Eliana também! E a Elisângela daqui, trabalhava na portaria e foi embora faz um mês... Minha cabeça foi no automático e ficou bagunçada e na hora e não pensei direito.. Depois fiquei matutando e me lembrei da senhora! Afinal, não dei meu número de celular para ninguém... quem poderia ser? Lembrei que combinamos d´eu guardar as correspondências?.. Ráh! Daí lembrei! Desculpa mesmo!

Ai que alívio! A esta altura, já estava na portaria do prédio pegando minhas correspondências com o atual porteiro, e conferindo que tudo estava no seu devido lugar. Liguei novamente para a imobiliária explicando as coincidências e abortando a operação "caça às bruxas". 

É numa dessas que alguém mais esquentadinho pode matar ou morrer sem nem saber porquê! (Ada, 20/4/2013)

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