“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

09/12/2013

Cris Cervo: Naufrágio



Naufrágio

( Cris Cervo )


Naufraguei meus sentimentos

No mar do meu coração,

Fazendo dele uma ilha,

Cercada de solidão.


Nas turbulentas águas do amor,

Tentei em vão navegar,

Acreditando não existir dor,

A paixão me fez naufragar.


No começo tudo é calmaria,

As margens parecem tão perto,

Mas aos poucos vem a ventania,

E o mar se transforma em deserto.


Quem não conhece a malícia das águas,

Convém até não se pôr arriscar,

Pois elas chegam bem de mansinho,

Mas vão tomando o caminho do mar.


O amor é assim como as águas,

Nenhum obstáculo consegue deter,

Vem de mansinho, se aloja no peito,

Para mais tarde, nos fazer sofrer.


Hoje meus olhos se perdem,

Tentando querer encontrar,

Na imensidão dessas águas,

Uma cor igual ao teu olhar...


Ainda me encanto com as águas,

Porém, não navego mais o coração,

Minha bagagem é cheia de mágoas,

Porque nesse mar só pesquei ilusão...


Por isso hoje ancorei meu destino

Bem longe das embarcações,

Evitando sofrer desatino,

E colecionar mais decepções...


(Cris Cervo, 26 / 10 / 2001­­­­)

Nenhum comentário: