“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

28/08/2014

Um gosto de sol


“Um gosto de sol” dá enjoo, dá lembrança do enjoo. De ter na barriga a filha amada crescendo. Um cheiro de sabonete Gessy salivando a pasta-de-dente. “Lembram o riso que eu tinha/ E esqueci entre os dentes”/ um gosto de sol ao amanhecer...

“Um gosto de sol” dá saudade, dá lembrança da saudade. De ter no peito um sonho ensolarado crescendo “lembram os sonhos que eu tinha/ e esqueci sobre a mesa/ como uma pera se esquece/ dormindo numa fruteira...”

Lá naquele tempo tão jovem que passou
Onde começaram todos os sonhos de construir um mundo melhor
e que nunca envelheceram, nem nunca acabou...

(Ada, 28/8/14)

Inspirada na audição Um gosto de sol, de Milton Nascimento, que em 1977 ouvia compulsivamente.

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