“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

19/05/2015

“Minhas tardes com Margueritte”

Foi um encontro discreto do afeto com o amor.
Ela não tinha outro teto.
Tinha nome de flor.
Vivia cercada de palavras,
adjetivos, substantivos, verbos e advérbios.
Alguns chegam sem jeito.
Ela chegou com doçura, quebrou minha armadura
e se alojou em meu peito.
Nas histórias de amor,
Não há apenas o amor.
Nunca dissemos “eu te amo”
No entanto, nos amamos.
Não é uma história comum.
Ela leu para mim num banco de jardim...
Era frágil como uma pomba
Sentada àquela sombra
Cercada de palavra, de nomes comuns como eu.
Me deu muitos livros
Que me tornaram mais vivo.
Não morra agora!
Espere um pouco!
Não é hora, doce senhora!
Me dê um pouco mais ainda
Um pouco mais de sua vida!
Espere!
Nas histórias de amor
Não há apenas o amor.
Nunca dissemos “eu te amo”
No entando, nos amamos...

(Do filme “Minhas tardes com Margueritte” com Gerard Depardieu)




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