“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

14/05/2009

Abissal

A enfermidade do universo me contagia Minha alma está prostrada sobre um mar de ceticismo Que produz imensas ondas de caos Elas são gigantes... e fortíssimas! A espuma com aspecto absurdo Explode na arrebentação da minha lucidez (minha trágica e odiosa lucidez) Quisera eu ignorar as coisas todas do mundo Como os peixes que habitam a profundidade abissal Desconhecem o mundo e, ao mesmo tempo, o conhecem por inteiro Pois que o mundo não lhes passa de uma profunda escuridão Sem mistérios, ciências e hipócrita preocupação com o meio-ambiente Apenas a pastosa escuridão Densa, segura E garantidora de sua sábia ignorância Eu invejo as criaturas abissais Sempre sonhei me alienar do mundo e sua decadência Sempre quis me alienar de mim (da minha insignificância) Anseio, sobretudo, me alienar desta coisa soberba e mesquinha a que chamamos humanidade Luana Bonone

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