“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

13/08/2009

Amizade entre um pombo e eu


Trabalhava no primeiro andar do prédio e minha janela dava acesso para um beiral azulejado de cerâmica vermelha, daquelas em caquinhos, usadas em diversos quintais e que circundava toda a sala do escritório. Este beiral servia também de estadia para os pombos. Na cidade de São Paulo os pombos sobrevivem fazendo seus ninhos com elásticos e clipes de metal, usam diversos materiais de escritório disponibilizados por aí. Sem que se perceba como, resgatam linhas de pipas e sabe-se lá mais o quê, e projetam esta arquitetura fantástica para seus ovos, dependurada nos pilares e postes. 

Quando chegava pela manhã, abria a janela e molhava minhas plantinhas. Falava bom dia para os pombos, mas um em especial me conquistou: Príncipe. Ela era grande e gordo, principalmente porque trazia amendoins e milho para ele. Todos se fartavam da refeição, mas apenas ele entrava pela janela e caminhava pela minha mesa, sem a menor cerimônia e comia na minha mão. 

Ficamos muito amigos. Passaram-se tempos. Esta amizade durou todo o tempo possível e ficou para sempre. Uma noite daquele tempo, sonhei - na verdade foi pesadelo - com o Príncipe. Acordei chateada e impressionada porque ele estava enroscado pelo pescoço num fio de nylon e perdia o ar, estava sufocando-se enquanto eu tentava livrá-lo desesperadamente dos nós que o enforcariam.. Acordei assustada. Parecia real. Foi real. 

Quando abri a janela do escritório pela manhã, não o vi. Um enorme vazio me dominou e contei para os colegas sobre o pesadelo. Qual não foi minha surpresa, um tempinho depois ele aparece com o pescoço machucado. Tinha uma marca à volta de seu pescoço, as penas haviam caído alí, exatamente como se tivesse se enroscado por um fio e que apertado à volta de seu pescoço, o feriu. Todos ficamos impressionadíssimos, porque acabara de contar o sonho e o fato foi real. Príncipe se machucou naquela noite, quem sabe n´algum fio de pipa e, sobrenatural ou não, devo te-lo salvo enquanto dormia. Coisas inexplicáveis acontecem! (Ada, 13/8/2009)

2 comentários:

Yumi disse...

^^

Na verdade eu, como espírita, acho perfeitamente possível que vc o tenha ajudado enquanto seu corpo descansava.

x]]~~

Yumi disse...

^^

Eiiiii

Tem selinho para vc no meu blog ;)


x]]