“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

14/09/2009

Arquitetura que resiste: Castelinho da Brigadeiro Luís Antonio

(fotos de Ada 10/09/2009)
Castelinho art nouveau da Brigadeiro Luís Antonio - São Paulo


Sempre passei curiosa na frente deste castelinho, na Av Brigadeiro Luis Antonio. Ele chama a atenção, não tem jeito. Acho que História teria sido um estudo proveitoso para mim, além da Arquitetura. Como não fiz faculdade da primeira e não conclui a segunda, sigo uma curiosa nestes assuntos. Minha imaginação vai a mil quando passo por lugares ou prédios antigos, tentando adivinhar quem viveu ali, como era sua vida, por aí vai. Tinha uma época que sonhava com casarões... Hoje, com a internet, esta curiosidade fica de certo modo sanada. Descobri que esta residência foi idealizada em 1906 (há 103 anos atrás) pelo arquiteto italiano Giuseppe Sachetti para um dos donos da Vila Economizadora (uma vila operária na Luz). Era um médico e escritor chamado Cláudio de Souza.


O casarão foi erguido entre 1907 e 1911 e apresenta uma arquitetura eclética com toques art-nouveau, bem ao estilo da época. Esta região em que ele está localizado, a região da Bela Vista, se tornou um marco na capital, até começar a entrar em decadência. O médico Claudio Souza, que também era escritor e que ajudou a fundar a Academia Paulista de Letras, mudou-se para o Rio de Janeiro e o Castelinho foi passando pelas mãos de vários proprietários. Em 1975 foi adquirido pelo INSS, que o vendeu à Companhia Mofarrej dois anos depois. Com o tombamento, em 1984, ficou abandonado.


Na metade dos anos 90, o grupo Mofarrej decidiu dar um novo destino à casa. A primeira dificuldade foi encontrar a planta, escondida em arquivos da prefeitura, para restaurá-lo exatamente como era na planta original. Algumas surpresas foram surgindo no decorrer da obra, como um emblema próximo à entrada em que se lê Villa Luisa, uma homenagem à esposa Luisa Souza. A Companhia Mofarrej colocou o castelinho para alugar (a 25.000 reais por mês) e está estudando algumas propostas, como a de transformar o espaço em um restaurante ou galeria de arte.


No livro "São Paulo, três cidades em um século", encontrei este capítulo:


O art nouveau interpretado por um arquiteto italiano

"O mais curioso exemplar de art noveau existente até hoje no bairro da Bela Vista, à Rua Brigadeiro Luis Antônio possui planta imaginosa e muito movimentada. Particularmente surpreende é o coroamento da residência com um terraço descoberto e dois torreões sendo um cônico e outro bulboso e vazado, arrematado por uma agulha. O tratamento da superfície é rco em ornatos. As grades que separam a calçada são torneadas com rosinhas e hoje estão pintadas de cor-se-rosa. Por este desenho original, constata-se que não houve improvisação na execução sendo, portanto, dos raros exemplares da arquitetura particular se que se conhece projeto fielmente executado."

(fonte: livro "São Paulo, três cidades em um século", Por Benedito Lima de Toledo)
No livro de Tombamento, encotrei este texto;


LOCALIZAÇÃO: Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 826
PROCESSO: 00250/73
TOMBAMENTO: Res. 12 de 19/7/84
PUBLICADO NO DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO: Poder Executivo, Seção I, 08.07.1982, pg 16
Poder Executivo, Seção I, 19.07.1984, pg 21
LIVRO DO TOMBO HISTÓRICO: Inscrição nº 227, p. 63, 20/1/1987

"Este prédio, popularmente conhecido como Castelinho, constitui-se em um raro exemplo, em São Paulo, de arquitetura residencial inspirada no estilo art nouveau. Projetado pelo italiano Giuseppe Sachetti para o médico e escritor Cláudio de Souza, um dos proprietários da Vila Economizadora, o Castelinho foi construído em alvenaria de tijolos, entre os anos de 1907 e 1911. Encontra-se implantado no centro do lote, envolto por área originalmente ajardinada. A fachada deste edifício é composta por vários volumes cilíndricos que se interpenetram, constituindo-se um deles em uma pequena torre com cobertura cônica. O gradil de ferro do muro apresenta o desenho no mesmo estilo da construção e um dos seus acessos destaca-se pelo pórtico de alvenaria com pequena cobertura."


Agora só me resta conseguir entrar neste Castelinho e viajar no tempo e na imaginação, olhar pelas janelas, subir às suas largas torres...

9 comentários:

Altair Freitas disse...

Salve Ada, minha Guru, mestra blogueira!
Esse castelinho é muito lindo mesmo! Lembra da época em que ele estava todo detonado, abandonado e nós do C.E. ficávamos cobiçando para ser uma sede nossa?
Sempre que passo ali, fico admirando aquela construção encravada entre os prédios de menor beleza arquitetônica. Obrigado pela lembrança!

Luciana disse...

Que bacana! Morei nesta região e frequentei muito estas paragens durante um bom tempo da minha vida. E este castelinho sempre nos intrigou a todos, pela beleza e estado de abandono...
Tomara que vire mesmo um centro cultural e que abra as suas portas para que todos conheçam a casa que homenageou a sortuda Luísa...

Anônimo disse...

Boa Noite, Minha Amiga!
Nossa que bom foi entrar na net,pesquisar e dar de cara com seu blog, vendo este castelinho que tbem fez parte da minha infância, tbem como vc imaginava qdo passava na sua frente quem teria morado ali e como seriam.Nasci em São Paulo e morei grande parte da infância na Bela Vista hoje moro em Santa Catarina e tenho saudade desta cidade louca...risos.Por favor se um dia entrar post as fotos ok ? Obrigada por este momento unico de grandes lembranças...Karen

Carla Thaís disse...

Puxa,
que bom saber que ainda existe uma quantidade considerável de pessoas que conseguem parar para admirar um patrimônio histórico como esse, que relmente é uma obra de arte ao ar livre( e o incrível é que a maioria das pessoas se quer passam os olhos pelo lugar).
Sou fã do estilo art nouveau, e fico completamente fascinada por esse castelinho, sempre que sobra um tempo dou uma passadinha para admirá-lo de longe mesmo, e se conseguir um jeito de entrar nele por favor me avise, imagina só o passado daquelas paredes, grades e também dos muros, com tantas histórias guardadas, que loucura!
Beijos!
Carla.

Angela disse...

Oi Ada.

Bom saber que outras pessoas também apreciam o castelinho da Brigadeiro.
É uma verdadeira maravilha arquitetônica e que além disso, provoca o noso mundo imáginário.
Nasci nos anos 50 e tenho uma vaga lembrança do compartimento térreo e sub-solo. Durante algum tempo, lá funcionou uma espécie de centro de recuperação p/ pessoas com problemas respiratórios. Não entendia bem o que se passava : entravamos em uma espécie de camera fechada durante alguns minutos, e ficavamos expostos a um odor inalatório. Quando indagada , minha mãe respondia : " È p/ abrir os bronquios". Eu não entendia o que ela queria dizer mas depois daqueles momentos claustrofóbicos, me sentia melhor e td bem.
O resto da casa não tive o privilégio de conhecer. Espero que aquelas portas se abram p/ que possamos adrentar e matar nossa curiosidade.
Obrigada e um grande abraço.

Maria Fernandes disse...

Adorei a matéria sobre o "Castelinho da Brigadeiro", trabalhei ai perto dele em um cartório e sempre passava em frente para ir ao correio. Em um dia ensolarado passei por uma experiência incrível. Sou simpatizante do kardecismo, digo isso porque acredito na doutrina de Kardec. Enfim, passei pela experiência de transporte. Entrei dentro do castelo e jamais esquecerei o que vi e o que senti. Foi demais!!!

Antonio Armiliato disse...

Meu Nome é Antonio Armiliato, Sou Arquiteto e Urbanista, mesmo antes de me formar, trabalhei em uma Firma de Projetos "PROMON ENGENHARIA", Sito à Av. Juscelino Kubitschek e tomava um ônibus que passava pela Av. Brigadeiro e nos deixava na Sé, e sempre que passava em frente ao Castelinho, ele estava abandonado e os moradores de ruas, é quem moravam ali, dentro me lembro muito bem, existia muito mato também e hoje em 2013, temos o privilélio de vê-lo reformado e lindo se não houvesse defensores de Patrimônios, oque seria de nossa história de Arquitetura?, somente em livros. Povo que conserva seu Patrimônio, tem a sua História Perpetuada, obrigado pelo seu Blog, temos que manter a nossa História, fico triste em saber que casarões foram derrubados para dar lugar a Prédios na Paulista, um Mal nescessário para a verticalização de conjuntos comerciais. Abraços e novamente só tenho que agradescer pelo Blóg que é ótimo para informação e opiniões.
Antonio Armiliato

Anônimo disse...

Há dois dias atrás, passando pela Brigadeiro, me deparei com o castelinho. Automaticamente peguei o celular pra registrar a sua beleza. Fiquei encantada! Ando por São Paulo sempre de olho nas construções antigas. Foi difícil encontrar na internet, mas continuei insistindo e consegui achar este blog. Só restou uma dúvida, na foto que tirei do portal da entrada consta o nome de Villa Virginia e não Luísa. Alguém pode me esclarecer? Obrigada.

Anônimo disse...

Uma dúvida que tenho é se a torre menor contém um elevador que leve ao terraço mais alto.