“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

27/05/2010

Folhas mortas de sono


Há folhas mortas de sono. 
É outono, 
então dormem pelas calçadas, 
pelos parques. 
Ao sabor dos ventos, 
sonham que têm asas. 
Sonham sonhos verdes, 
terras fecundas. 

Folhas!
Que nunca tenham 
pesadelos 
          [de árvore derrubada]. 

Que pisadas, 
transformem férteis as raízes. 
Que possam acordar 
todos os anos 
em brotos revigorados. 

Que despertas pela primavera, 
rebrilhem sóis e chuvas 
em sua doce seiva. 

Neste ciclo de vida, 
como as lagartas em borboleta, 
que as folhas adormecidas 
neste sono profundo, 
possam despertar 
e descobrir que a sua morte
fora apenas um pesadelo 
finito de outono.

(Ada 27/5/2010)

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