“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

16/05/2010

Povos da Etiópia são artistas milenares

(Foto de Hans Sylvester)
O Rio Omo, na África, atravessa a Etiópia, o Sudão e o Quênia. Foi nestas margens que os arqueólogos encontraram os “homens de kibish” um ancestral de 120 mil anos.
A Etiópia é considerada uma das áreas mais antigas de ocupação humana do mundo, senão a maior, de acordo com algumas descobertas científicas. Lucy foi descoberta no Vale de Awash da região Afar da Etiópia, é considerado o segundo mais antigo, mais bem preservado e mais completo fóssil adulto Australopithecus. É estimado que Lucy tenha vivido na Etiópia a 3,2 milhões de anos atrás. Houve várias outras descobertas notáveis de fósseis no país, incluindo o fóssil humano mais velho, Ardi. (ver postagem da Ardi).
Tribos de artistas

Nesta região ainda habitam tribos que estão na pré-história: Dassanech, Mursi, Hamar, Karo, Bume, Beshadar e outras, no vale do Rift, onde se encontra a grande fenda africana que separa geograficamente a África dos árabes. Por ser uma região vulcânica, fornece uma grande diversidade de pigmentos com uma grande variedade de cores. É uma verdadeira paleta de pigmentos, ocre vermelho, caulim branco, verde revestido, amarelo luminoso ou cinzento das cinzas. Eles têm o dom da pintura, e o seu corpo é a tela. Com estes pigmentos (alguns raros) as tribos do Rio Omo praticam sua arte. Usam o dedos e as mãos abertas, cobrem-se de colmo, um caule esmagado. 

O aprendizado é por observação, é ancestral e praticada por todos, da criança ao idoso. Integram-se na natureza, fazem parte dela e usam-na como adereços. Podem ser flores, sementes, penas. Não há teoria, a arte é primitiva. Por isso é arte no mais alto grau de pureza, motivada apenas pelo desejo de ser belo, de seduzir, de cultivar o prazer. A natureza é arte em si. No conceito ocidental são verdadeiros gênios da pintura, pois seus traços lembram muito a arte contemporânea de Miró, Picasso, Paul Klee e Tapies.

Ameaça à cultura milenar
Adis Abeba, capital da Etiópia tem um projeto para gerar energia elétrica que vai construir uma barragem no Rio Omo. Esta Usina Elétrica pode destruir estas tribos, pois vai acabar com a inundação natural do Omo que tem planícies alagadas e deposita sedimentos férteis nas margens do rio, onde as tribos cultivam seus alimentos até quando as águas baixam. Em uma região onde a seca é comum, isso terá consequências devastadoras para o abastecimento de alimentos das tribos.
A pequena tribo Kwegu, um povo de caçadores e coletores, por exemplo, será colocada no limiar da sobrevivência conforme as unidades populacionais de peixes forem reduzidas. (leia a noticia de março/2010)
Alguém disse: ”A nova geração da Etiópia terá bastante energia elétrica para apreciar tudo isto num computador”. Teremos apenas as fotos para mostrar esta riqueza artística para as gerações futuras.


Musica do slide: The Fences (Ryuichi Sakamoto)
Fotos:  do livro de Hans Sylvester
Sugestão: SSSalinas
Produção do slide: Ada

Um comentário:

Alexandre Prestes disse...

Bom dia,

Tem uma surpresinha pra vc no meu blog, segue o link:

http://aleprestes.blogspot.com/2010/05/selinho.html

Espero que goste,

Beijos,

Alê