“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

05/08/2010

Fatalidade

Tetraplégico. O rapaz jovem, talvez 25 anos, explicava sorrindo ao amigo como prender o cachecol ao seu pescoço. Na cadeira de rodas, esperava pacientemente que o vestissem, casaco e luvas. Simpático! Acabara de realizar seu exame de eletromiografia. Está bem frio hoje, e este exame que ele (e eu) fizemos, mede a sensiblidade dos nervos e músculos, e é nada agradável. Uma sessãozinha básica de tortura, digamos assim, já que a medição é feita através de choques e agulhas nos braços, mãos e pernas. 

E durante a minha sessão o médico comenta a situação deste rapaz que acabara de ver sair e me desejar boa tarde. Ele foi jogador de futebol. Atleta. Num belo dia ele fez o gol que deu a vitória ao seu time, num campeonato acirrado. Seus companheiros, na ânsia de comemorar e agradecer-lhe o gol, e como sempre fazem os jogadores entusiasmados, pularam todos de uma vez sobre ele. Quebraram-lhe a cervical...


Notícia besta, eu sei, mas já é noite e ainda estou tocada com esta fatalidade estúpida.

Um comentário:

Cristina Ramalho disse...

Sempre achei essas comemorações um tanto "brutas", taí, eu estava certa, notícia besta não... Serve na verdade de alerta!!! Tbém fiquei pasma...bjo