“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

27/08/2010

Pai: Stelle Alpine [ou Edelweiss] voltaram à memória



Excluí , sem querer, 1 ano de postagens no blog. Isso foi em março de 2009. Os posts foram do período de março 2008 a março 2009. À época lamentei muito, fiquei inconformada por algum tempo e pensei em desistir do blog. Isso passou. O que não passou, foi a saudade do que escrevi. Não existe possiblidade alguma de escrever igual. É como perder um pedaço de sí, a dor desta perda é grande e singular.

Hoje me veio à lembrança um destes textos em que falava sobre a Stella Alpina, uma flor branca em forma de estrela, com pétalas aveludadas, muito rara e cheia de lendas, que nasce nos Alpes. Ganhei uma de presente do meu pai há muitos anos. Esta flor desidratada chega a durar cem anos... mas a minha não existe mais. Nem meu pai. Nem as coisas que escrevi sobre estes momentos. Restaram lembranças quase vivas. Restaram interpretações destas lembranças.

Num lampejo de esperança, voltei a buscar na internet o texto, talvez estivesse em cache... Reencontrei, não meu texto, mas uma referência a ele. Reproduzo:

TERÇA-FEIRA, 13 DE JANEIRO DE 2009

"Saíamos para almoçar no domingo, quando fomos abordados por nosso simpático vizinho de fim-de-semana Sr. Pirino. Educado como sempre me dedicou um simpático cumprimento, já para minha esposa a Rô...

Presenciei naquele momento o mais belo (e merecido) dos galanteios, quando ele a comparou a uma “Stella Alpina”.


Com um português carregado no sotaque italiano nos explicou que se tratava de uma flor dos Alpes muito bela e rara, comparando-a com a beleza de minha esposa e a pouca freqüência com que a vê. Presentear uma mulher com aquela flor era um lindo gesto de amor já que para colhê-la era necessário ser um bravo para escalar os Alpes, explicou-nos. 

Apesar de todo meu romantismo e dos anos de convívio, eu presenciava ali o mais belo galanteio que minha esposa já havia recebido e não era eu o autor.


Aquele galanteio além de sensibilizar minha esposa, nos despertou tremenda curiosidade em saber mais detalhes sobre a tal da “Stella Alpina”.


Lá fui eu pesquisar na Internet o que havia disponível. Selecionei uma das imagens que encontrei e enviei para minha esposa, como se fora um bouquet virtual, tentando ingenuamente competir com meu experiente adversário. Ainda encantada com a estória num torpedo me agradeceu. Pensei: jogo empatado.


Que nada. Logo que cheguei em casa ela veio me mostrar uma série de imagens e o resultado de sua pesquisa. Parece que vai dar até em tatuagem.
 

Esse jogo tava perdido e de goleada, prevaleceu a experiência do Sr. Pirino. Esses italianos...


De tudo que minha esposa pesquisou um blog em especial lhe chamou atenção: 

Coisas de Ada. ( http://www.blogger.com/www.coisasdeada.blogspot.com/search?q=stella+alpina)


Estava lá, muito bem escrita, uma linda estória contada por uma filha que havia recebido de seu pai uma Stella Alpina de presente. Aquele gesto, talvez não percebido plenamente num primeiro momento, falou fundo com o passar do tempo. Trazia em si uma linda confissão de amor calada pelas palavras que não foram ditas ao longo dos anos.


Se a internet repete a vida no que há de pior, ela também nos reserva surpresas como a possibilidade de compartilharmos as (lindas) coisas de Ada.

POSTADO POR MARCELO PORTO ÀS 14:04

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Para registrar novamente esta história, recolhi imagens e fiz este video.



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