“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

24/10/2010

Avá-canoeiro: um povo legítimo brasileiro, invisível e em extinção

Acabei de assistir ao Documentário A' Uwe na TV Cultura, o melhor canal televisivo aberto para se assistir num domingo em casa. O documentário de hoje foi sobre o povo Avá-canoeiro. Como brasileira, sinto vergonha em não conhecer a fundo sobre o povo originário de minha Pátria Amada Brasil. Somos uma nação colonizada meeeeeeesmo! 


Aprendemos e conhecemos a cultura dos povos europeus que nos colonizaram, e nos povoaram e seguimos os padrões impostos pelo Império Americano. Ao assistir a este programa, meu coração ficou apertado em ver do que colonizadores brancos foram capazes de fazer para dominar nosso povo. E apesar de ter sido o primeiro habitante brasileiro, hoje o índio é quase um estranho em sua própria terra. E o principal desafio de um estranho é justamente se fazer conhecer. 


A' Uwe quer dizer "Povo Indígena" na língua Xavante. O Programa pode (e deve) ser acessado neste endereço: http://www.tvcultura.com.br/auwe/auwe 
Muito interessante! Mas apenas o resumo. Para assistir há que seguir a programação no canal. 
O Documentário se chama Avá-canoeiro: a teia de um povo invisível. 




Coisas que achei interessantes no documentário:


Em 1760, era composto por cerca de três mil nativos e o que restou deste bravo povo, foram 2 familias que estão separadas, uma no Norte de Goiás na reserva demarcada em Minaçu e outra na Ilha do Bananal no Tocantins. Eles foram se separando ao longo dos anos para despistar o turí  (homem branco) que veio com espingarda e matou, dizimou os avás sem dó nem piedade. Depois veio a hidrelétrica que os expulsou de vez de suas terras. Com isto se fragmentaram, os parentes se espalharam pelo centro do Brasil. Foram encontrados alguns perambulando pela região... e existem grandes esforços da Funai em juntá-los para que possam , quem sabe, estancar sua extinção definitiva e recuperar sua cultura.. 


Foi o único povo indígena que construiu e usou instrumento de corda. O instrumento é único mas não consegui referências a ele na internet.. seu nome é algo como "movocape" e é uma mini canoa onde é amarrado um fio - feito um berimbau - e o oco da canoa faz ecoar o som da corda única. Um precursor do violão... este som não é mais ouvido nas florestas do Araguaia, pois o povo avá-canoeiro está quase extinto. Abaixo fiz um desenho tosco, para ilustrar o que pude ver do instrumento no documentário. Pena que o som não tenho como reproduzir...


Em novembro de 1973 aconteceu o genocídio. Foram caçados e dizimados os últimos guerreiros que restaram. Eles eram indomáveis. Um povo guerreiro e de muita luta. Resistiram até a quase extinção.. pois não se deixavam dominar, não entregavam suas mulheres e elas resistiam até morrer. Eles se escondiam nas florestas e saiam apenas à noite com a luz de Jái (Lua) para caçar. Durante o dia tinham de ficar imóveis e silenciosos para não serem caçados pelo homem branco. As indias provocavam aborto pois ter filhos significava serem descobertos já que a criança chora... "minino não podia chorar de dia de jeito nenhum..." . 


O relato mais trágico desta luta pela sobrevivência, foi o relato de como a india provocava o aborto. Ela massageava o útero até encontrar o feto e o apertava até esmagá-lo. Depois tomava um chá de uma erva forte e pulava e dançava horas a fio, até expelir o feto...


Há uma pergunta entre os sertanejos e indigensitas: Por quê o povo avá-canoeiro era tão feliz, apesar de tanta atrocidade que sofreu? A resposta é mais intrigante, é porque os avá-canoeiros têm apenas um deus e este deus é bom. Ele dá a natureza farta, em forma de frutas, flores, floresta, bichos e indios... depois de um tempo leva-a para reciclar e a manda de volta..."


Alguns de seus nomes são muito bonitos e curtinhos: Túia, Tutí.. e sua língua descende do tupi. Sua origen é mistério para os estudiosos.



Encontrei algo sobre sua historia em:


http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ava-canoeiro/201
http://www.altiplano.com.br/AvaCanoeiro.html
http://rcboatvideos.com/index.php?key=Av%C3%A1-canoeiros

2 comentários:

Erci disse...

Belo texto sobre essa história triste. Somos colonizados mesmo. Colonizaram até nossos pensamentos.

Coisas de Ada disse...

Humanos, uma espécie que não deu certo...vaso ruim não quebra, dizm os sábios.