“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

08/05/2011

Carta de Jenny Scavinscky: Lembranças da minha vivência no sítio


Querida amiga,foi muito bom você ter me respondido. Ontem, enviando um email para o comprador do sítio, do primeiro lote, justo onde vivi dezesseis anos de felicidades, frustrações, perdas, com minhas queridas vacas, meu touro que chamávamos de Mino (diminutivo de Minotauro), das minhas galinhas, algumas caipiras, outras de raça.


Como meu soberbo "Galu", enorme, um conquistador de carteirinha, só que não gostava de galinha preta, ele era branco com pintas pretas no pescoço, toda a madrugada às três da manhã começava a cantar até às 5:30 quando descia da mangueira. Enorme essa mangueira, foi plantada pelo meu cunhado Mozart, Muzuca, em 1988.

Quando Dr. Mozart, meu sogro, passou as quatro partes e que lhe foram dadas pelo Dr. Florêncio Alencar, seu pai e avô do Humberto meu velho, então eram duas partes para Humberto e duas partes para Muzuca. Então houve um acordo, para que nós ficássemos com a parte do filé, como Muzuca chamava, então ficou estipulado três partes para Muzuca e uma para Humberto.

O sitio tem 4 km de extensão por 120 braças de largura, é enorme, não dá para ser vigiado, o que resultava em roubo de palhas, côco e outras coisas, madeira também, derrubavam árvores e deixavam secar e depois iam buscar. Quem via na estrada nos contava, mas ai era muito tarde, já tinham levado.

Puxa, se eu continuar, não páro hoje. Sim e tínhamos três cachorros, meus queridos, nos ajudavam a guardar o sitio.

Minha Patativa que viveu 24 anos na gaiola, meu bigodinho que viveu 23 anos na gaiola, e era apaixonado pela Patativa, mas ela não ligava para ele, o Bigodinho, quando fui para o hospital e passei lá 23 dias, o meu bichinho não aguentou a saudade de mim e morreu. A Patativa morreu um ano depois.

Meu cachorro Neguinho morreu devido à vacina anti-rábica, ele estava com 9 anos. Humberto chorou quando ele morreu, ele gostava muito do Neguinho, e este só faltava falar com ele.

Zinha, minha cachorrinha que recolhi na rua de Juazeiro cheia de sarna, era uma ferida só, tratamos deixando-a no galinheiro morrendo de medo da sarna passar para nosso gado, mas felizmente não aconteceu, depois de um mês de tratamento, recuperou seus pelos e ficou linda. Quando soltei-a ela logo correu para casa querendo mostrar serviço começou a latir querendo subir na parede do corredor que ficava entre a cozinha e o banheiro. No forro do banheiro tinha morrido um rato dos grandes, no sitio existem muitos, e estava fedendo. Ela faleceu com 14 anos de idade, morreu do coração.

E assim foi a minha vivência lá.

Minha querida amiga, tenha um bom dia, e até outra hora.

Jenny

(23/3/2011)

Nenhum comentário: