“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

01/05/2011

Cris, lance sua poesia ao vento. Um pássaro a cantará.

A tristeza nos fortalece, nos dá inspiração, faz parte da nossa metade inquieta. Andava anotando tudo, em caderninhos. Ora Paro, ora continuo. Achando que um dia, no futuro, se alguém se interessasse em saber como vivo hoje, pudesse saber que existi, como existi. Guardei até bilhete de cinema. Isso foi quando vi "A casa dos espiritos", filme inspirador. 

Tenho apenas uma filha dos tantos que sonhei ter. Não sei se terei netos, então, essa caixa de fotos e cartas recebidas, guardanapos escritos, coisas cheias de mim, ficarão perdidas. É como lançar um bilhete dentro de uma garrafa, ao mar, na esperança de que alguém vai encontrá-la..

Tenho algumas caixas cheias de recordações na estante. Coloco sabonetes para perfumá-las. Coisa de solitários? Coisas humanas, de sempre querer deixar nosso registros pela terra. Há quem fira um tronco de árvore a canivetes, há quem pixe uma rocha. Passageiros tristes. 

Cris, sua poesia está, é, alegra e embeleza. Isso é o que importa. Lance-a ao vento... um pássaro a cantará!

Beijos para você, Cris Cervo. (Ada,1/5/2011)


Naufrágio
( Cris Cervo )

Naufraguei meus sentimentos
No mar do meu coração,
Fazendo dele uma ilha,
Cercada de solidão.

Nas turbulentas águas do amor,
Tentei em vão navegar,
Acreditando não existir dor,
A paixão me fez naufragar.

No começo tudo é calmaria,
As margens parecem tão perto,
Mas aos poucos vem a ventania,
E o mar se transforma em deserto.

Quem não conhece a malícia das águas,
Convém até não se pôr arriscar,
Pois elas chegam bem de mansinho,
Mas vão tomando o caminho do mar.

O amor é assim como as águas,
Nenhum obstáculo consegue deter,
Vem de mansinho, se aloja no peito,
Para mais tarde, nos fazer sofrer.

Hoje meus olhos se perdem,
Tentando querer encontrar,
Na imensidão dessas águas,
Uma cor igual ao teu olhar

Ainda me encanto com as águas,
Porém, não navego mais o coração,
Minha bagagem é cheia de mágoas,
Porque nesse mar só pesquei ilusão

Porisso hoje ancorei meu destino
Bem longe das "embarcações",
Evitando sofrer desatino,
E colecionar mais decepções

26 /10 /2001

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