“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

01/05/2011

Carta de Jenny Scavinsky: O galo Tim-tim foi um pintinho cor-de-rosa



Querida Eliana, boa tarde. Sábado, estou com a cabeça fora do tempo, caducando, e vou lhe contar a história do Tim-tim, um galo arretado.

Lá pelos idos de 1969/70, fomos eu Humberto e Betinho à feira da criança, no Anhembi. Na saída, estavam presenteando cada criança com um pintinho colorido, escolhemos um que estava pintado de rosa. Na volta, pegamos o ônibus para ir para casa, perto da Rua da Consolação. O pintinho dentro de um saco de papel ia piando e ficamos com receio do motorista do ônibus ouvir e pedir para a gente descer, pois era proibido levar aves em ônibus.

Chegando em casa colocamos o pintinho na casinha, dei-lhe carne picada pois àquela época não tinha ração para aves, então ele vorazmente comeu tudo e mais tarde comprei milho verde, dando-lhe por dias, carne picadinha e milho verde, também picado.

Ao passar o aspirador de pó no apartamento, o Tim-tim ficava no bolso do meu penhoar de náilon. E assim ele foi crescendo. Um dia fomos no mercadão e lá comprei um casal de pombos "Rabo de Leque" , eram brancos, lindos e Tim-tim se engraçou com os mesmos, e quando os pombos saiam voando pela sala, ele também queria fazer o mesmo, se emburrava no assoalho de madeira.

Eu dava banho na banheira com o pequeno esguicho do chuveirinho, e secava-o com secador de cabelos e ele abria as assas para eu secar embaixo. Uma gracinha!

No prédio moravam também dois argentinos que tinham um box de frutas no mercadão e a doméstica, nas horas de folga, vinha visitar o Tim-tim e colocava-o na sua cabeça, conversava muito e o pintinho retribuindo ia catando "piolho" na sua cabeça.

Até seu João, zelador do prédio, vinha visitá-lo e quando ele ficou adulto, eu o colocava no terraço, porque ele já sujava muito. Com aproximação de chuva ele ficava amendrontado e dava bicadas na porta de vidro para eu abrir.

Quando começou a querer cantar tive que me desfazer do bichinho com muita dor no coração. Era enorme, branco, forte e peitava a gente brincando de lutar. Falei com seu João e ele levou para casa dele e nunca mais vimos o Tim-tim.

Jenny

(26/3/2011)

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