“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

18/11/2011

Nenê, o gato das molduras, nos deixou




Dia 11 do 11 do 11, uma sexta-feira, um dia mais que misticamente criado de acontecimentos inventados. Alguns sinistros. Outros tristes. Um deles, foi a morte do Nenê, o gato das molduras. (ver postagem sobre ele)

Chorei quando seus tutores me contaram que o encontraram no sábado pela manhã, deitado no chão ao lado de sua caminha. No dia anterior ele andava de um lado para o outro, impaciente. Acho que era dor, pois o tumor no fígado devia ser-lhe um incômodo sobrenatural... Estava doente e magérrimo há alguns meses. A previsão era essa mesmo: não resistiria, apesar da torcida por ele ser grande.

O  gatão de 13 anos e mais de 6 quilos, viveu nessa loja de molduras para quadros por toda sua vida. Tinta, cheiros acres, molduras mil, folhas de vidro, madeira, barulho de serra e lixa, gente com todos os cheiros diversos que visitavam a loja e passavam as mãos em sua cabeça, falavam fininho carinhos específicos para gatos, teciam elogios aos seus olhos brilhantes, pelagem bicolor, miado ronronado. 

Outros nem o notavam. Ou então, passavam despercebidos por suas sonecas ressonantes e espichadas sobre a pilha de molduras expostas logo na entrada.

Às vezes, bibelô dorminhando em frente ao espelho, narciso, imponente. Para mim, sempre miava um cumprimento de boas vindas e ganhava meu colo e a recompensa era um ronron comprido em meus ouvidos e um amasso de pão nos ombros.

Amava esse gato. Chorei sua morte. Agora resta apenas um poster emoldurado, com seu retrato lindo, pendurado no meio do salão, que exala sua aura... um vazio e uma enorme saudade!

Nenê! Você continua presente!

(fico devendo a foto do poster dele pendurado na loja) 

3 comentários:

Marta Alves disse...

Estou triste, pois a tempos tenho esta imagem, aquele gato lindo, suave e docemente na porta da loja, como se ali estivesse para recepcionar a todos, dando um bom dia, boa tarde e boa noite, com seu olhar penetrante e sua postura firme, adorava parar e brincar com ele...que pena, ficará comigo esta imagem!!
"Hoje em dia não pensamos muito no amor de um homem por um animal; rimos de pessoas que são apegadas a gatos. Mas se pararmos de amar aos animais, não estaremos na iminência de pararmos de amar os humanos, também?"
Alexander Solzhenitsyn

Regina Abrahão disse...

O parceiro humano dele deve estar sofrendo bastante... Sei como é perder um gato. Perdi minha amadinha Poshoca depois de 17 anos de parceria. Até hoje,parece que a vejo, deitada em meus pés, nas noites de chuva com trovões. Bjs!

Elenara Stein Leitão disse...

Puxa...dizer o que...Nada que esses bichanos nos pegam de jeito que ficamos eternamente encantados por eles. E que bom que nos deixem sua lembrança de carinho e fofura...
Beijos
Elenara