“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

21/01/2012

Hilda Hist: Poemas aos homens do nosso tempo XVI

É outro o amarelo que te falo


POEMAS AOS HOMENS DO NOSSO TEMPO 
XVI

Enquanto faço o verso, tu decerto vives.
Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.
Dirás que sangue é o não teres teu ouro
E o poeta te diz: compra o teu tempo.

Contempla o teu viver que corre, escuta
O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo.
Enquanto faço o verso, tu que não me lês
Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.
O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas:
"Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas".
Irmão do meu momento: quando eu morrer
Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:
MORRE O AMOR DE UM POETA.
E isso é tanto, que o teu ouro não compra,
E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto


Não cabe no meu canto. 

Do livro: Júbilo Memória Noviciado da Paixão (1974) 


2 comentários:

Cristina Serrado disse...

gostei muito do seu blog.Parabéns pelo capricho!

Ada disse...

Olá Cristina, muito obrigada pela visita e elogio.. Bj.