“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

19/04/2012

Na cidade amanhece - outono - a noite



Vento de outono golpeia
a cada esquina um rosto O meu corado já não pelo solfim de verão.Arrepio de outono eriça cada pele a cada tarde. A cada braço um abraço forte.Tarda já noite o sono o meu, não o das folhastão mortas de sono, tão mortas de outono. Tudo vai ficando frio. Um cão enrolado em seu rabo atrapalha a passagem. Ninguém vê, ouve, crê. Na estação apita um trem, sobe um vapor de café. Envolvidos com aparelhos celulares ausentam-se de si.Ninguém ri. Essa gente carregando agasalho que brota mofado da gaveta, do passado Meu cachecol de franja azul num céu azul de outono vai pendurado no pescoço. Na cidade amanhece a noite e anoitece a manhã. Indefinida estação, sem opinião, ensolara e açoita, até que finda e esbraveja.Há friagem. Não fique outono! Só de passagem avise que o inverno não perdoa!

(Ada 19/4/2012)



2 comentários:

elenice disse...

Vc como sempre esnoba na escrita, na composição do seu texto. É sempre prazeroso ler o que vc escreve e, nunca pensei, até alguns anos atrás que vc escreveria assim, de forma tão poética, afinal, para quem era a menina famosa do colégio, vc se saiu muito bem (elas costumam ser muito fúteis), acreditam que ser mulher é só ser bonita.
Te admiro muito por ser questionadora, protetora de animais, escrever lindos textos, batalhadora e ... muito mais............
Engraçado vc escrever sobre o outono, é sempre a estação mais esquecida. bjs. Elenice

Ana Maria Quintal disse...

Ada,minha querida

Linda poesia, mesmo outonal aqueceu meu coração. Bjs