“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

17/08/2012

Amor, um pássaro vadio

Hoje eu vi o amor.
Ele pousou no casal da mesa ao lado,
trocavam raios de luz,
de um olho ao outro
hálitos de mel,
de uma boca a outra
e os dedos se entrelaçavam
numa teia inquebrantável.
Esse tal de amor é um ente à parte,
tem vontade própria,
pousa aqui e acolá, 
já pousou em mim...
é feito um pássaro vadio e errante, 
sempre acerta o pouso
constroi ninho num instante.
Sendo o errante que é,
quando dá-lhe na telha, parte
que o tempo de pouso é inconstante
foge do desencanto, do inverno...
Se há corações pulsando, ele permanece.
E descobri uma vez, quando ele partiu,
que mesmo sendo pássaro
frágil e vadio,
o amor pode ser eterno...


(Ada 17/8/2012)

2 comentários:

Anônimo disse...

É, minha amiga poeta...que bom que no mundo ainda há flores, e anjos... você o é.
Continue plantando ideias de beleza neste planeta carente...
A gente fala, a gente canta e se precisar, a gente grita, mas é necessário falar, expor, deixar registrado. E quem segura essa inquietude? Quem tem missão não se satisfaz enquanto nao passa a mensagem... feliz os olhos e ouvidos de quem percebe e acata, feliz de quem é sensível e acha a beleza... "Melhor é dar do que receber", disse o Mestre Jesus. Paz no seu coração. Elaine Gonçalves

João Paulo Naves Fernandes disse...

O final é significativo: "...mesmo frágil e vadio, o amor pode ser eterno". O amor transcende a nossa compreensão, rebaixa a ciência à condição de fria, trata as estruturas como prisões, lembra a humildade, a sinceridade, a verdade, a paz. O amor é um deflagrar de múltiplos questionamentos em nossa vida, e vê-la velando este tema comoveu-me.