“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

30/08/2012

Transparência

Morrer é só não ser visto,

é sair de ao pé de ti,

apagar-me em tudo isto,

deixar de ver o que vi.


Morrer é não estar em ti,

e mais do que não te ver,

é não ser visto por ti,

no deserto do não ser.


Morrer é como apagar-se

a chama que houve em nós,

é uma espécie de ficar-se

vazio da própria voz.


Vive o amor da atenção

que se tem por quem se ama.

Mas a morte atiça em vão

o fio que não dá chama.


Morrer é só não ser visto,

é passar a pertencer

a um livro de registo

que guarda o nosso não-ser.


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