“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

01/09/2012

O som da luz da Lua




O som de quê, 
que entra no quarto a essa hora? 
Só pode ser daquela lua 
intoleravelmente branca e nua 
que se arrebenta na rua. 
A madrugada respira luz 
e suspira sua nudez ousada, 
e o sereno transpira um gelo branco 
em fios que tecem uma dor dilacerante.
Esse som, que penetra nos poros da noite, 
não tem como não ser 
daquela lua atrevida, que invejo 
com olhos fechados e insones. 
Ensurdece meu pensamento, 
tristemente solidário com a dor do mundo, 
que tomo para mim.
Essa luz ruidosa e redonda, 

trinca a terra, que gira, 
que engole respostas 
e o rugido frio dessa lua onipresente, 
em todos os céus, 
e que banha de espuma os telhados 
e invade minha insônia, 
é meu ópio, 
é o som de tudo, 
é o som de nada.
É setembro, de novo.
Então, eu durmo com o som dessa luz 
perturbavelmente branca... 

(Ada, 1/9/12)

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