“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

28/12/2013

Adeus amadinha Cindy Titily Tililin

Cindy 22/03/2004 -- 26/12/2013 

Cindy 22/03/2004 -- 26/12/2013 

Cindy 22/03/2004 -- 26/12/2013 

Cindy 22/03/2004 -- 26/12/2013 
Cindy 22/03/2004 -- 26/12/2013 


Cindy 22/03/2004 -- 26/12/2013 

Cindy 22/03/2004 -- 26/12/2013 
"Era pouco maior do que minha mão: por isso eu precisei das duas para segurá-la, 13 anos atrás. E, como eu não tinha muito jeito, encostei-a ao peito para que ela não caísse, simples apoio nessa primeira vez. Gostei desse calor e acredito que ela também. Dias depois, quando abriu os olhinhos, olhou-me fundamente: escolheu-me para dono. Pior: me aceitou.

Foram 13 anos de chamego e encanto. Dormimos muitas noites juntos, a patinha dela em cima do meu ombro. Tinha medo de vento. O que fazer contra o vento?

Amá-la — foi a resposta e também acredito que ela entendeu isso. Formamos, ela e eu, uma dupla dinâmica contra as ciladas que se armam. E também contra aqueles que não aceitam os que se amam. Quando meu pai morreu, ela se chegou, solidária, encostou sua cabeça em meus joelhos, não exigiu a minha festa, não queria disputar espaço, ser maior do que a minha tristeza.

Tendo-a ao meu lado, eu perdi o medo do mundo e do vento. E ela teve uma ninhada de nove filhotes, escolhi uma de suas filhinhas e nossa dupla ficou mais dupla porque passamos a ser três. E passeávamos pela Lagoa, com a idade ela adquiriu "fumos fidalgos'; como o Dom Casmurro, de Machado de Assis. Era uma lady, uma rainha de Sabá numa liteira inundada de sol e transportada por súditos imaginários.

No sábado, olhando-me nos olhos, com seus olhinhos cor de mel, bonita como nunca, mais que amada de todas, deixou que eu a beijasse chorando. Talvez ela tenha compreendido. Bem maior do que minha mão, bem maior do que o meu peito, levei-a até o fim.

Eu me considerava um profissional decente. Até semana passada, houvesse o que houvesse, procurava cumprir o dever dentro de minhas limitações. Não foi possível chegar ao gabinete onde, quietinha, deitada a meus pés, esperava que eu acabasse a crônica para ficar com ela.

Até o último momento, olhou para mim, me escolhendo e me aceitando. Levei-a, em meus braços, apoiada em meu peito. Apertei-a com força, sabendo que ela seria maior do que a saudade."

(Carlos Heitor Cony)

Fui presenteada com essa delicada crônica, pelo amigo André Cintra. Com ela, André solidarizou-se comigo pela dor da perda de minha amada gatinha de 10 anos, Cindy Titily Tililin, nesse último dia 26/12/13 às 6:30 hs da manhã. Ela era uma gatinha obesa, pesava 6,500 kg e de repente parou de se alimentar. Diagnóstico: colângio-hepatite. Isso é fatal para um gato, pois o fígado começa a produzir a "lipidose"  e  uma das piores consequências é que o afeta neurológicamente. Fui sua enfermeira por 26 dias, aplicando-lhe soros e coquetéis de medicamentos. Alimentei-a a cada três horas. Mas nas primeiras horas da madrugada desse 26, ela teve alucinações, e sentiu muito medo do que "via". Miava apavorada e só consegui acalmá-la segurando-a no colo... depois de um abraço bem acolhedor, ela se acalmou, deitei-a em sua caminha e muito ofegante deu seus últimos suspiros. Estou em luto. Adeus minha amadinha, foi muito bom ser amada por você!

leituras:


7 comentários:

Rita Rossitti disse...

Triste, muito triste...

Cláudia de Souza disse...

E imagino a dor que está sentindo. Muito triste :(

Eliana Ada Gasparini disse...

Foi muito difícil sim. Principalmente porque ela estava sob os meus cuidados por quase 30 dias, e a cada duas horas tinha que alimentá-la.Duas vezes ao dia eu mesma aplicava soro, injeções, e ela morreu praticamente em meus braços depois de uma noite inteira tentando acalmá-la. Estou ainda impressionada e sentindo sua presença. Grata pelo apoio.

Regina Abrahão disse...

Conheço a dor que estás sentindo. Coragem, amiga, ela foi para o céu dos gatos, onde lagartixas e passarinhos correm pelo chão, os cachorros usam focinheiras e caem bolinhas coloridas saltitantes das árvores. É assim que imagino minha Posh. Beijo!

João Paulo Naves Fernandes disse...

Sinto Eliana. Imagino a ausência solitária em seu coração.

Madame X disse...

Ada, eu chorei lendo seu post, pq a minha gatinha Lola é muito parecida com a sua....Nem quero pensar nisso, apesar de saber que a hora chegará para todos nós! Ela têm 3 anos.
Aqui, nesse plano, não sabemos o que é amar incondicionalmente, infelizmente né?

um beijo e parabéns pelo blog!

Eliana Ada Gasparini disse...

Madame X e outr@s amig@s... estou chorando novamente. Basta ler a minha dor escrita que a dor sentida revive. Faz 2 anos e uns diazinhos... Já perdi outros queridos amigos gatos, e todos eles deixaram sua marca em mim. Matheus e Nala também têm histórias. O que importa é o amor que trocamos. Esse nunca vai morrer... obrigada pela solidariedade.