“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

29/12/2013

Ano Novo, de novo...



Alquebrada em prantos de sonhos dissolvidos, me preparo para a despedida. Mágoas, como sal num copo d’ água, misturam-se em tristes alegrias e lautos desesperos que, por hábito, permeiam todas as vidas. Uma estrela no céu está mais brilhante, leva meu olhar para dentro de mim. Lembra quem partiu. Sigo buscando aquela alegria que sempre seguiu lá na frente. Olhando para trás, vejo a imensidão do tempo que passou. Incontáveis experiências.

Então que eu siga regando jardins, esperando a flor da estação vindoura, com o sorriso que me é peculiar, mas com a lágrima no canto do olho, que é prá não perder o costume de me emocionar.Que eu siga buscando essa mudança que se agita dentro de mim, em busca de evoluir. Que eu desapareça da vida de quem não me ama, ou compreende, até porque nem sempre compreendo, ou amo.

E nem quero roupa nova, ou branca, ou de cor alguma, pois que ela nunca adiantou. Que o ano novo chegue com todas as cores e apague o incolor que ficou à espreita no que passou. Que eu busque recuperar as doridas perdas que o ano envelhecido, em ciladas, preparou.E me prepare para o irremediável leite derramado. Que o afeto se achegue e me aqueça no próximo inverno.

E que a vida siga pregando suas peças e eu continue tentando dar a mínima bola, mesmo sempre dando. Que eu possa abraçar sempre que alguém me pedir. Ombro amigo sempre há de vir... Que eu siga dizendo adeus ao ano velho, mais um pouco, saudando o ano novo, de novo. Que eu lute até exaurir as forças, até que tudo ou nada mude.

Que eu siga um pouco mais adiante, otimista, até que um dia parta também, num ano qualquer dessa história sem fim que é a vida.

Feliz ano novo, de novo.

Ada (29/12/2013)



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