“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

01/01/2014

Cris Cervo: Faxina

Faxina
Cris Cervo


O calendário em minha mão
Mostra o ano que termina.
Já desocupei meu coração
Para mais uma faxina.

Todo ano é sempre igual
Nem preciso me mudar,
Mas quando passa o Natal,
Troco os "móveis" de lugar.

Começando pela entrada,
Já vou trocando o tapete,
E mais adiante na sacada,
Mudo de lugar a rede.

Na sala que permaneça
Só a lareira e o aquecedor,
Pode ser que me aconteça,
A visita de um amor.

Nos meus quartos bagunçados,
É complicado de arrumar,
Tenho sonhos engavetados,
Em quase todo lugar.

Na varanda sobre a mesa,
Um vaso em frente a janela;
Quero sempre que pareça
Que em minha casa é primavera.

Agora a parte principal:
Meu pedacinho de chão,
O fundo do meu quintal,
Dentro do meu coração.

Essa área requer água,
Por isso todo dia eu rego,
Não planto ódio nem mágoa,
E vivo colhendo afeto.

Nem mesmo um cardiologista
Faria uma faxina assim,
Sou a única paisagista,
Que cultiva esse jardim.

Quem entende um coração ?
Nem os poetas suponho,
Mas todos precisam deste chão,
Para replantar seus sonhos...

(dez/2013) 


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