“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

27/03/2014

Câmera lenta



Passos lentos me arrastam
pelas plataformas, escadarias 
e resto do dia. 
Pés pesados. 
Enraizados no cimento esmigalhado. 
Se demorar mais um segundo, 
haverá um enraizamento profundo. 
Nunca mais sairei daqui, 
dali, do mundo. Pensei 
na expressão “câmera lenta”, 
mas alguma câmera registra essa lentidão? 
A não ser meu olho-câmera? 
fixo na sujeira das ruas, 
chicletes enegrecidos colados ao chão, 
contando ladrilhos, 
olhando pro vão do tempo. 
Esse cansaço das horas, 
vez ou outra, busca um leito 
e pede pra dormir. 
Dormir em câmera lenta. 
Dormir para sempre. 

(Ada 27/3/2104)

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