“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

01/07/2014

Flora Figueiredo: Ilha

Ilha

Não sei por que tanto mar em minha vida.
Ele que fala sempre em despedida,
que canta distância e solidão.
Por vezes parece até que ele vaza,
derruba minha porta,
invade minha casa,
ocupa minha cama,
lava meu chão.
Ele é que faz do leva-e-traz de cada onda
o mensageiro dos afetos separados
lá no horizonte,
onde a terra se arredonda.
São tantos anos de tamanha intimidade,
que hoje carrego a forte sensação
de que o mar alterou-me a identidade:

metade água e metade coração.

Flora Figueiredo

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