“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

30/07/2006

Na fotografia, estamos felizes

Rubens, Eliana e Mayrinha
Toque-Toque dezebro de 1977
Parece que dizes:
Te amo, Maria.
Na fotografia, estamos felizes.
Te ligo afobada
E deixo confissões no gravador.
Vai ser engraçado se tens um novo amor.


Me vejo a teu lado, te amo? Não lembro.
Parece dezembro de um ano dourado,
Parece bolero, te quero, te quero
Dizer que não quero
Teus beijos nunca mais,
Teus beijos nunca mais.


Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato.
No nosso retrato pareço tão linda.
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador.
É desconcertante
Rever o grande amor.


Meus olhos molhados
Insanos, dezembros,
Mas quando eu me lembro
São anos dourados.
Ainda te quero,
Bolero, nossos versos são banais,
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais,
Teus beijos nunca mais.


(30/7/2006)


anos dourados by Chico Buarque on Grooveshark

Um comentário:

efvilha disse...

Ada.

Serão miragens fugazes da nossa existência o que tão fina película registra? É tão oprimida essa cantiga que fala dos dezembros nas nossa vidas.
Será o mote do título, o registro dos nossos fragmentos de tempo nos quais somos, ou parecemos felizes?
Fotos, espelhos esquecidos, às vezes amarelados e desvanecidos da nossa existência.

Obrigado pela visita ao meu blog. Lá deixei, a ti, o registro do meu agrado.

Um cordial abraço, Ada.