“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

11/07/2006

Íbis, um pássaro ferido (1)

Ibis, um pássaro flexado






































A saga de um pássaro americano: ninguém consegue alcançar o íbis ferido para arrancar a flecha de 60 centímetros de seu peito! Esse jovem íbis foi atingido no peito há dias por uma flecha de metal (de aproximadamente 60 cm) e não se abala. A foto foi tirada segunda 10 de julho de 2006, em Holly Hill, estado americano da Florida. Na ocasião, o pássaro, do alto de um fio de alta tensão, observava abaixo os voluntários que querem desesperadamente ajudá-lo. Mas já faz pelo menos quatro dias que ele está sendo perseguido por cientistas, moradores, autoridades, "bird rescuers" e alguns falcões famintos. Todos com a melhor das intenções (à exceção dos falcões), mas o íbis escapou de todo mundo. "Achei que nós o cansaríamos e ele desistiria, mas foi ele quem nos deixou cansados", disse, ao diário Daytona Beach News-Journal, Marilyn Camp, voluntária da ONG "Bird Rescue Center" que passou toda a segunda-feira caçando a ave de árvore em árvore. 


A ONG já tratou de vários pássaros debilitados e disse que, normalmente, aves feridas permitem que sejam auxiliadas e não criam resistência. "Esse é um pássaro de sorte", disse Camp, já que a flecha parece não ter acertado nenhum órgão vital. O pássaro de sorte é um íbis (espécie de ave que come peixe) muito jovem. Provavelmente nem completou seu primeiro ano de vida (suas penas ainda são marrons, os adultos têm penas brancas). 


Ele foi visto pela primeira vez na cidade de Holly Hill (Monte Sagrado, em português) na última quinta-feira. A polícia ainda procura o responsável pela flechada. Sabe-se, pelo ângulo da flecha, que quem atirou estava bem perto e provavelmente o animal estava no chão. "Os ferimentos devem ser superficiais porque ele voa tão bem...", relatou o cientista Michael Brothers ao mesmo jornal de Daytona Beach. 


O professor de ecologia da Universidade da Florida, Peter Frederick, disse que é possível que um outro íbis tire a flecha do peito do companheiro ferido, haja visto que eles são criaturas sociáveis. "Mas a infecção e a limitada possibilidade de arranjar comida não lhe dá uma perspectiva longa de vida", completou. As tentativas para capturá-lo prosseguem nesta terça-feira. Os voluntários querem levá-lo a um veterinário para dar-lhe antibióticos e líquidos. Marylin Camp dá a dica: "o melhor jeito de capturar uma ave é pelo bico". Talvez funcione em um pássaro comum...


Fonte: Terra Magazine

SP, terça-feira 11 de julho de 2006 (meu aniversário)

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