“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

08/04/2009

Um gato entre molduras

Nenê tem 9 anos. Um frajola manso e falante. Foi criado alí, no meio das molduras e quadros e pinturas. Sociável, pois além de molduras, há muita gente que entra na loja e deseja-lhe um bom dia com direito a cafuné. Mas ele não foge? Se a gente não cuidar dele, é demissão no ato! Ele sobe no balcão quando quer comer e o funcionário escolhido é quem lhe serve a ração. Assim avisa que tem fome e ganha seu carinho. É um belo de um dorminhoco, pois não é toda hora que a gente o vê deitado na entrada da loja, embrulhadinho feito um buda, ou esticado sobre o capacho, observando os transeuntes. Vira e mexe ele está se olhando no espelho que, se vendido, é imediatamente substituido, garantindo seu narcisismo. Se tiver sorte, pare no número 2002 da Rua Marques de Itu e confira. Eu já conquistei a intimidade de entrar na loja e procurá-lo nos esconderijos aos montes que ele arranjou para dormir em paz. Afinal gatos dormem 18 horas por dia. Longe de casa e dos meus bichanos, às vezes bate a vontade que tenho de gato, então entro na loja e falo com ele. Mesmo dormindo numa pilha de molduras ele sempre me responde com um miau de boa vontade e uma fantástica espichada no esqueleto. Fico toda-toda pois ouvi dizer que quando um gato se espreguiça à sua frente, ele está reverenciando-a. Bobagem! Humanos acham que são a espécie mais importante do universo e que todas as outras lhe devem favores... na verdade ele é sabio, isso sim, pois espreguiçar-se alonga seu corpo preparando-o para o que sabe de melhor fazer, saltar atrás de sua caça. Numa loja destas, ele deve cumprir bem seu papel de caçador de ratos e insetos invasores! Nenê é minha atração preferida no centro da cidade. A oportunidade é quando saio para tomar um suco natural lá na Praça da República, no meio da tarde, e passo na loja de molduras. Imperdível dar-lhe um afago. Principalmente no meio do expediente!

5 comentários:

Renata Mielli disse...

Realmente o Nenê é muito querido. Nunca entrei na loja para conhecê-lo, mas sempre que passo o admiro de longe, imaginando como pode um gato tão comportado.

Pensadora disse...

Ah! Se eu morasse em Sampa com certeza iria até essa loja pra visitar essa fofura...

Bjs.

Elaine disse...

Li, querida, eu também adoro esse gato. Eu ia tirar uma foto dele também, mas como você já tirou copiei. E com o gato da outra loja mais a frente, você já fez amizade? Ele também é muito fofo, tem a cor do meu gato siamês. Beijos.

Ada disse...

Oi Lan, o outro gatinho chama-se Fred. Não tenha dúvidas de que tambpem fiz fotos dele. Em breve postarei suas peripécias. Ele é um rapazola super levado! beijos

Elenara Stein Leitão disse...

Parece o meu Gordo, que coisinha mais fofa !!!! Pena que não moro em São Paulo, senão também ia passar muito seguido por lá.
Beijos