“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

24/07/2009

Sofia, do grego σοφία, sophia é sabedoria


Um Hotel Fazenda, que não aceita animais, em Barra Bonita, férias de julho. Lá foram Mayra, Katia e Lucas descansar uma semana, sem os seus companheiros de estimação, que ficaram em casa. Felizmente já existem hotéis que permitem hospedar os animais, pena não ser este o caso. Mas não por isso, logo nos primeiros dias, caminhando entre o chalé e o restaurante, Sofia surge do mato e mia em tom de bom dia: "olá! estou com fome! Vocês são gente boa?" E eram! O bicho sabe. 

Lá foi Sofia seguindo-os até o chalé. Ganhou biscoitos, cafunés e a simpatia de todos. Dormiu esta noite na cama quentinha, nem sabia o que era isso. De manhãzinha, saiu pela janela e foi afiar as unhas no tronco da árvore, além de outras necessidades, obedecendo ao ritual de limpeza que gatos seguem religiosamente. Educadinhos! Mas voltou logo e ficou de vez. A "camareira" foi logo informando que negam comida aos bichos e que os levam para a cidade, para não incomodarem os hóspedes. 

Não se sabe quem é o selvagem nesta história... Sofia escapou deste "extermínio" por ser esperta. Provavelmente, outros hóspedes do bem alimentavam-na às escondidas, senão como ainda estaria alí? A funcionária ganhou uns trocados para não delatar a transgressão. 

As férias, não preciso dizer, foram mais agradáveis ainda com a Sofia ronronando e comendo um variado cardápio, que vinha às escondidas, como filé minhon, presunto, peito de peru e nham, que delícia, no almoço e no jantar. Uma gata mansa e agradecida e que apenas não aprendeu a falar nossa língua porque ninguém a ensinou ... mas não duvide, pode aprender. 

Por seus dotes todos, entrou para a familia, viajou quietinha no banco de trás do carro, como se soubesse o que era um carro e para onde estava indo. Sofia esperou pacientemente acabarem as férias de sua nova família, que ela escolheu dentre tantos hóspedes, e seguiu viagem para viver na cidade grande. Parece mesmo que ela esperou sua vida toda por este acontecimento, "afinal alguém há de querer-me", pensava ela.

A vida reserva-nos casualidades interessantes. Estava grávida, mas seus filhotes estavam mortos. Talvez fossem cinco, mas apenas dois deles estavam mumificados em seu ventre. Mais alguns dias, ela teria uma grave infecção e lá, no meio do mato, morreria. Foi levada ao veterinário e socorrida a tempo. Não reclamou de nada, em momento algum. Passou a anestesia e lá estava ela agradecida e recuperando o tempo perdido que ficou sem carinho e sem comida, sabe-se lá quanto tempo caçando passarinhos, e abasteceu o coração e a pança! 

Ela é linda e muito especial e é o que estão dizendo aos quatro cantos! Dá para pensar que o Universo conspirou a seu favor e planejou tudinho, do começo ao fim, para que tudo acontecesse no tempo certo, para que a felicidade reinasse absoluta! Parabéns Sofia (do grego σοφία, sophia é sabedoria), final feliz existe e você merece! (Ada, 24/7/2009)

2 comentários:

Mayra disse...

ai que vontade de chorar.... Ela é uma guerreira!!!!!
Bem vinda à familia, Sofia!

Sandra Lucia Vilela disse...

Coisa mais linda!!!!!!!