“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

22/08/2009

Olha a crueldade

Cachorros da polícia ajudam a aterrorizar trabalhadores: dupla crueldade.
(Foto: Fernando Ramos)
O trabalhador rural do Rio Grande do Sul, Elton Brum da Silva, 44 anos, foi morto na manhã de hoje. Ele levou um tiro no peito (ou nas costas) quando estava sendo despejado da fazenda Southall junto com todos os trabalhadores rurais em luta pela terra. A questão da posse da terra é urgente, Afinal dividi-la com quem nela queira trabalhar, é mais do que justo. Afinal a terra não tem dono, pensa bem, ela pertence ao mundo, aos dinossauros quando existiam, e aos indigenas quando não foram dizimados, aos lobos, e antes deles à ninguém... Neste caso, se um aventureiro veio lá de Portugal e a tomou, cercou, derrubou árvores, ou apenas diz que é seu dono e nada produz de bom, nada mais justo que também um outro - este que não é especulador e acumulador de latinfúndios e que necessita plantar para viver - lute por ela! E a conquiste! Uma cena como a desta foto, me entristece tanto... mas será que entristece ao policial que maneja uma arma de fogo e um cão treinado para ser violento? Ele é trabalhador, idem, e tem seu salário aviltado, inclusive pela dura função de bater, espancar e matar. A truculência para manter a propriedade não é coisa nova. Usar um cão como arma, muito menos. Mostra a face mais medonha, mais cruel, mais feia do tal "poder da grana". Há uma dupla crueldade: com um cão que é treinado para ser cruel com um homem! Ou ainda, com um homem que é pago para ser cruel consigo mesmo...

3 comentários:

Elenara Stein Leitão disse...

Enquanto te escreveo estou ouvindo no rádio sobre o enterro do Elton, morto com um tiro nas costas, tiro esse desferido pela BM. O mais triste é que quem levou o tiro e quem atirou são as faces quase iguais do problema da desigualdade que aflinge nosso mundo e nosso pais. Os reais culpados ficam de fora, ficam discutindo as consequencias e fazendo reuniões e reuniões que nada mudam. Um soldado degolado, um sem terra morto em desocupacão, são meras estatísticas de uma luta que se estende sem solucão.
Abracos

Nazareth disse...

Oi, Ada! Foi e tem sido bem isso. Os excluídos e os explorados jogados contra si numa luta que interessa aos que ficam bem longe, protegidos nos seus castelos.
bjs

Elaine disse...

Oiê! Primeira vez que vejo seu blog.
Esse assunto é sério. E vc tem razão.
Também vi o assunto meme. Depois vejo mais.
A gente conversa. Chau. bj.