“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

12/11/2009

Não consigo comer carne há 4 anos: demorei!



"Representantes da cadeia produtiva da carne se reúnem no Workshop Bem-estar dos Bovinos durante o Transporte. Normas internacionais de boas práticas no transporte animal são utilizadas para reduzir o estresse e evitar lesões, que possam danificar a carcaça e o couro, prejudicando o valor comercial. O transporte inadequado pode causar morte, provocar hematomas, traumatismos e quebras de peso que comprometem o rendimento e a qualidade da carne e do couro. Além disso, o estresse dos animais durante o manejo pré-abate e o transporte, quando mal conduzidos, diminuem a vida útil da carne para consumo." (Jornal Agronotícias do Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 12/11/09).

Leia de novo. Atentamente. Pelo menos o trecho que diz: "o transporte inadequado pode causar morte, provocar hematomas, traumatismos e quebra de peso".

Leia novamente. "O estresse dos animais diminuem a vida útil da carne".

Eu leio novamente e penso: afinal o boi está sendo transportado para a morte mesmo, que diferença faz? O bem estar do boi não é uma preocupação com a dor que ele sente com os hematomas, e sim com os próprios hematomas. Ou com a fome que ele passa neste transporte, e sim com a perda de peso. Não com a sua morte de tanto sofrer crueldades, mas por morrer antes de chegar ao matadouro. Não com sua sede por dias e dias no aperto do caminhão até ser abatido! Muito menos com o estresse que ele passa, mas porque este apenas estraga a carne! Se assim não fosse, ele não seria abatido!

Acaba-se aí, enfim, no abatedouro, o seu sofrimento. E você vai come-lo, assim sofrido. Ou então, com este "curso intensivo" de "bem estar", vai come-lo menos sofrido, sem hematomas e estresse...

Afinal, é apenas um boi.

(sugestão de leitura: abate-humanitario)

5 comentários:

Simples assim... disse...

Como eu ainda não tinha lido seu blog??? Como disse no email, APLAUSOS!!! Linkei seu blog ao meu, caso tenha algum problema me fala ok????

Bjus

Dri

Jeosafá disse...

Eliana, escrevo para lhe dizer que, nesse particular, aqui em São Paulo estamos evoluindo. No Estadão de hoje, sexta-feira 13, deste novembro de 2009, há uma reportagem sobre um frigorífico clandestino no qual foi encontra farta quantidade de CARNE DE CACHORRO para distribuição. Viu só, o ser humano está com tudo e ninguém tasca! Abs. do JeosaFÁ

Ada disse...

Acabei de ver a reportagem na TV sobre a prisão de um casal em Suzano - SP, que matava cães e gatos para vender a R$ 200,00 cada, para um restaurante oriental. Foi todo mundo preso! Inclusive os donos do restaurante!? Hipocrisia, né não? Comer boi, aqui tudo bem, comer cão, não! Mas lá nas Coréias, normal; na India, a vaca é sagrada, mas comem que bicho? A lei, quem a faz? A cultura difere, mas o utilitarismo de nossa espécie é sempre igual! Ah! Os Humanos, a espécie dominante do universo e nem precisa de carne para sobreviver!

Anônimo disse...

Ada,

gostei muito de seu texto.

Tenho simpatia pela cultura vegetariana, mas ainda não deixei totalmente a carne.

Abraços,
Hilton, do Orkut

P.S.: tenho prima vegetariana em Guarulhos. Quem sabe você conhece ?
hilton

Ada disse...

Oi Hilton! Eu não sou vegetariana (ainda) sabes que é um processo. Há muita dificuldade em cortar hábitos alimentares, principlamente comendo fora todos os dias. Ainda como peixe, ovos, (a clara de ovo para repor proteinas), frango raramente. Meu pai não comia carne de jeito nenhum... tinha ojeriza. Talvez tenha alguma rejeição orgânica como ele, mas a consciência foi o principal fator. Não moro em Guarulhos (talvez volte) então não conheço sua prima! Quem é?