“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

27/12/2009

Diálogos com Clarice

Curiosa, saí buscando Clarice Lispector com olhar mais atento e no “aprendendo a viver”, venho debatendo o seu e o meu viver, enquanto vou e volto no metro todos os dias. Viajamos juntas pelas veredas do pensamento. Hoje, porém, meu ânimo não está para a loucura e a lucidez em que ela viaja e inevitavelmente me carrega consigo. Não me concentro no diálogo que tenho tido com ela. Se estivéssemos sentadas, lado a lado, penso que seríamos amigas, afinal os devaneios dela se embrenham nos meus. Suas divagações dão as mãos às minhas e assim caminhamos juntas numa jornada de afinidades, em tempos diferentes. Ela se repete através dos meus batimentos cardíacos e das minhas pupilas dilatadas com a luz artificial dentro do túnel e, olho o que ela olha, e sinto o que ela sente. Clarice, ouça, hoje chove copiosamente na cidade depois de quarenta e cinco dias de seca que me deixaram alergicamente atacada e meu mal estar não permite dialogar contigo hoje. É que você me instiga a pensar em você, eu sei, temos muito que aprender a viver, mas hoje quero apenas me perder em mim. (Ada 27/12/2009)

Um comentário:

Crisnádia Amaral disse...

oi Ada, vim aqui te desejar um ano cheio de amor, alegria, tranquilidade, bonança e inspiração! bjs.