“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

02/10/2010

Carta de Jenny Scavinsky: anjos de 15 em 15 minutos dizem "amém"



"Oi como vai? Eu ainda estou casada com a trombose. Fiquei alegre e entusiasmada pelo relato da nossa próxima Presidente, que Deus a tenha! Comparando a vida dessa extraordinária mulher, lembro de Ribeirão Preto onde nasci, e que corria na cidade com meu fiel cachorro "Lorde" um belo Dog. Eu defendia pessoas e bichos. Uma vez tirei o reio das mãos de um rude português que batia num burro, arreado no chão, tentando se levantar e o dono não fazia nada para ajudá-lo, e eu nos meus poucos nove anos, consegui fazer o que ninguém que assistia fez, são lembranças que guardo lá no fundo, com grande carinho.

Lembro quando meu gato, o Chito, foi morto a machadadas dentro de um saco, morto pelo filho da vizinha que dizia que meu gato comia os pintos dela. Minha mãe não pôde fazer nada. O que ela fez antes, foi pedir ao leiteiro que o levasse bem para longe, mas não adiantou, ele voltou. E dai aconteceu a tragédia que abalou a minha pequena cabeça, e o danado é que ela começou a jogar os pintos que morriam no nosso quintal e o gato começou a comê-los. E interessante é que ele não mexia nem batia nos nossos pintinhos.

Assisti pela cerca o morte do meu gato não pude fazer nada a não ser berrar e jogar praga no dito algoz. Pois não é que dai um mês ele ficou com o braço direito paralizado, e minha mãe me disse para ter cuidado em rogar pragas nas pessoas, pois anjos de 15 em 15 minutos dizem "amém".

E por ai afora eu ia notando os pobres sem ter pão para comer e dar aos seus, assisti à arrogância dos ricos com os menos afortunados, e que mamãe como costureira sofria para receber o pagamento dos seus serviços feito aos ricos, levavam até mais de um mês. Eram os Maldonados, os Junqueiras, e os Ferreiras da vida. Daí, anos depois, eu trabalhando na ACM, um bando de 24 ricaços que eram diretores e mais um fulano que era o centro dessa corriola, fulano que vivia me assediando para ser sua amante, pois eu era muito bonita e desejável, vamos dizer assim. Minha função era trabalhar no setor de angariar donativos para a ACM, e tinha a função de "líder" nos acampamentos lá na represa "Billings" onde ficavam os ditos.

Então, um dia conversando com os secretários eles perguntaram o que eu queria para o futuro, disse-lhes tudo o que eu almejava, e um deles me disse que eu tinha ideias comunistas, Caí em mim, e era isso mesmo que eu penso e quero. Adoro esse meu ideal, e ainda bem que eles me abriram os olhos, pois não entendia nada de política. Entendia sim de colaboração, comunidade, amor, defesa dos desafortunados, dos humilhados, dos sem teto, e outras coisas que se eu for enumerá-las, aqui não caberiam.

Vejo no semblante das pessoas quando falo que sou do PCdoB, que sou socialista, o que muda, o sorriso desaparece, há uma frieza total, quando converso com capitalista aqui de Atibaia, me olham de soslaio como se eu fosse um bicho raro...

E vai daí nas minhas 81 primaveras que eu vou para frente, consciente de que um dia tudo mudará para melhor.

Então Eliana, eu agradeço de coração, e peço desculpas por não me expressar direito, pois sofro de dislexia e, portanto eu me perco na escritura.

Beijos, Jenny.

Mais outra: Betinho disse que também sofro de deficit de atenção, estou com tudo e não estou prosa, que Deus me acude!

Desculpe os erros de português, mas acho que me faço por entender. Betinho me diz que sou complicada quando explico as minhas coisas...

Bye, JS.
(30/9/2010)

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